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A indignação de Babá

Em artigo assinado na Folha de São Paulo, o deputado Babá, engenheiro mecânico e professor, vereador, deputado estadual e no segundo mandato de deputado federal pelo PT, do Pará, mostrou o pensamento dos que compõem a linha divergente do partido e não concordam com a orientação administrativa do governo Lula da Silva. Assumiu o pensamento de 52 milhões de brasileiros que, segundo ele, rejeitaram o modelo neoliberal que desnacionalizou a economia, aumentou endividamento interno e externo, multiplicou o desemprego, reduziu salários e aumentou o sucateamento da saúde e da educação públicas.

Babá declara que, em dois meses de governo, o presidente Lula vem reforçando os alicerces do velho modelo derrotado nas urnas. E não concorda que “são apenas dois meses”, pois esse tempo seria suficiente para mostrar a diretriz de qualquer governo. O deputado Babá poderia ter acrescentado que nos governos anteriores procurava-se negar a interferência do FMI na adoção das políticas econômicas nacionais. Atualmente, os ministros da área econômica falam abertamente da necessidade de adaptar as metas econômicas ao programa do Fundo, como condição para que os empréstimos ao governo possam continuar.

Reclama que os servidores públicos continuam sendo discriminados, com o falso argumento de combater privilégios e supostos déficits. Por outro lado, um governo, que deveria ser dos trabalhadores, presenteia os banqueiros, abre o caminho à recessão, aumentando o desemprego e a fome. Considera o projeto de dar autonomia ao Banco Central o coroamento das medidas continuístas, renunciando ao comando da economia e das finanças do país, entregando essa tarefa aos banqueiros internacionais. Incomoda-se com a influência  de aliados como Sarney, Delfim Neto e Ciro Gomes.

Finaliza mostrando sua decepção com o senador Aloísio Mercadante ao declarar que “a oposição a FHC não ajudou a aprovar as reformas e errou. Seguramente o governo anterior deu uma grande contribuição ao país”. A indignação de Babá representa o pensamento de trinta por cento dos parlamentares do PT. Aliás, em todas as audiências, na Câmara dos Deputados, a oposição mais contundente é feita por esses representantes do partido. Enquanto isso, os partidos oposicionistas estão se articulando para uma demonstração de força, iniciada ontem com a obstrução aos trabalhos de votação no Plenário da Câmara.

 

LAÍRE ROSADO
EMAIL: laire.rosado@uol.com.br

É médico, ex-deputado estadual, ex-secretário de agricultura, ex-deputado federal e articulista político

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Mossoró-RN, quinta-feira, 20 de março de 2003