|
Ex-juiz
chega a Natal e é conduzido para Alcaçuz
NATAL
– Apesar da acirrada discussão envolvendo
o Procurador Chefe do Ministério Público,
Paulo Leão, e os advogados Marcos Marinho
e Marcos Filho, que defendem os interesses
pessoais do ex-juiz Francisco Pereira de
Lacerda, preso na última segunda-feira à
tarde na cidade de Caracaraí, em Roraíma,
tão logo este chegue a Natal, num vôo previsto
para aterrissar no início desta manhã, será
imediatamente levado para o Presídio de
Segurança Máxima de Alcaçuz, em Nísia Floresta.
O procurador
Paulo Leão defende a ida de Francisco Lacerda
para Alcaçuz como um preso comum, enquanto
os advogados do condenado querem que ele
fique em uma cela especial do quartel da
Polícia Militar. Já o secretário de Defesa
Social, Cláudio Manoel dos Santos, está
ansioso por uma decisão do Tribunal de Justiça
do Estado, acerca desta problemática.
Condenado
a 35 anos de prisão no dia 16 de agosto
de 1999, ante a acusação de ter mandado
o pistoleiro de aluguel Edmilson Pessoa
Fontes assassinar, no dia 8 de novembro,
o promotor de justiça da cidade de Pau dos
Ferros, Manoel Alves Pessoa Neto, que se
encontrava em seu gabinete trabalhando.
A vítima, mesmo alvejada com um tiro no
pescoço, tentou chegar ao hospital, mas
não conseguiu.
A partir
de sua condenação, Francisco Pereira de
Lacerda foi preso várias vezes, mas seus
advogados sempre recorrendo à Justiça conseguiam
livrá-lo. Da última vez, ele ocupou uma
cela do presídio de Alcaçuz. Em agosto do
ano passado, a Justiça suspendeu o seu hábeas
corpus e ele desapareceu de Natal, só sendo
descoberto na tarde de segunda-feira em
uma pequena cidade do interior de Roraima.
Caçada
a acusado demorou cerca de dois meses
Para localizar
e prender o ex-juiz Francisco Pereira de
Lacerda, a Polícia Federal passou
cerca de dois meses efetuando investigações
nos municípios de Caracaraí, Rorainópolis
e Boa Vista. O procurado se encontrava morando
na primeira cidade citada e tomou conhecimento
de que estava sendo perseguido. Com a ajuda
de familiares, ele conseguiu refugiar-se
por alguns dias na capital de Roraima, onde
foi finalmente localizado na tarde de segunda-feira.
O superintendente
da PF em Roraima, Agripino Oliveira Neto,
disse que uma equipe de oito agentes participou
da caçada a Francisco Lacerda e o encontrou
numa casa localizada à rua Acre. O imóvel
foi cercado por três viaturas e o ex-juiz
que estava na companhia do irmão, Nivaldo,
surpreendeu-se mas não ofereceu qualquer
resistência. Foi primeiro levado a um hospital
onde se submeteu a um “check-up” e depois
conduzido para a sede da corporação, onde
permaneceu todo o tempo à disposição da
Justiça.
Ainda de
acordo com o Agripino Oliveira Neto, o ex-magistrado,
durante todo o tempo em que permaneceu refugiado
em Caracaraí, praticamente não saía de casa
temendo ser reconhecido, apesar de ter passado
por um forte regime, o que terminou por
torná-lo dificil de ser reconhecido.
Ao ser
preso, Francisco Lacerda lamentou o que
estava acontecendo e reclamou que estava
pagando por um crime que ele não cometeu.
Em Mossoró, na Penitenciária Agrícola Mário
Negócio (PAMN), o preso de justiça Edmilson
Pessoa Fontes não abre mão de suas declarações
e diz que foi contratado pelo então juiz,
em novembro de 1997, para eliminar o promotor
de justiça Manoel Alves Pessoa Neto.
|