Conselho Municipal de Saúde discute mortalidade materna
e infantil em Caicó

Paulo Júnior
Especial para o Regional

O Conselho Municipal de Saúde realizou a sua 38ª Reunião Extraordinária, na última terça-feira, no auditório da IV URSAP, em Caicó. Na ocasião, o conselho discutiu sobre a mortalidade materna e infantil (perinatal e neonatal) em Caicó.

A reunião reuniu diversas autoridades do Seridó e do Rio Grande do Norte, dentre elas, o secretário municipal de Saúde, Dr. Pacífico Fernandes, o médico Gerson Barbosa, o presidente da Câmara Municipal de Caicó, Raimundo Inácio Filho (Lobão), a coordenadora Diocesana da Pastoral da Criança, Jailma Oliveira, o coordenador regional do Sebrae, José Rangel de Araújo, o técnico do SEAPAC, José Procópio de Lucena, o médico Paulo Davim (deputado estadual do PT), além de outras autoridades.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Dr. Pacífico Fernandes, o debate foi extremamente importante com a participação da população e as instituições que foram convocadas para a reunião para discutir a organização da assistência materna infantil, além da assistência ao pré-natal e ao recém-nascido.

“Sempre estivemos dispostos a esse diálogo aberto com a população, através do Conselho Municipal de Saúde e entidades civis, públicas e privadas que estiveram no debate. Muitas questões importantes foram debatidas com sinalizações para solução do problema”, diz o secretário Pacífico Fernandes.

De acordo com ele, é preciso qualificar a assistência ao pré-natal e ao recém-nascido, através da montagem de um serviço de referência com quantidade, qualidade e especialidade com retaguarda de apoio diagnóstico, pediatria e neonatologia.

“Devemos construir isso com o apoio da comunidade e a sociedade civil organizada, através do Conselho Municipal de Saúde. Será formada uma comissão com representantes do conselho e de diversas instituições que lidam diretamente com assistência ao pré-natal, ao parto e nascimento, com a finalidade de fortalecer a discussão e deliberar nas próximas reuniões do conselho uma solução para o problema”, revelou.

O secretário Pacífico Fernandes declarou que a partir das deliberações, a comissão levará a discussão para o prefeito de Caicó, Roberto Germano, o secretário estadual de Saúde, Ivis Bezerra, a governadora Wilma de Faria e também ao Ministério da Saúde.

O Dr. Pacífico elogiou a atitude da coordenadora Diocesana da Pastoral da Criança, Jailma Oliveira, que trouxe a discussão da mortalidade materna e infantil para o Conselho Municipal de Saúde.

“Foi a partir dessa iniciativa da Pastoral da Criança da Diocese de Caicó que surgiu essa discussão que vai desencadear um processo qualitativo para solucionarmos o problema da assistência ao parto e ao nascimento na cidade de Caicó”, comentou.

Para o médico e deputado estadual Paulo Davim (PT-RN), a reunião do Conselho Municipal de Saúde foi bastante positiva.

“O conselho mostrou que é um conselho vivo, democrático, participativo e preocupado com a questão da saúde pública na cidade de Caicó”, ressaltou Paulo Davim.

Ele disse que os números são alarmantes em relação à mortalidade materna infantil e espera que o Poder Público tome uma conduta para melhorar e resolver o problema.

Paulo Davim confirmou que levará o assunto à Assembléia Legislativa, ressaltando que espera contar com o apoio dos deputados do Seridó para solucionar a questão que vem preocupando as autoridades de saúde de Caicó. “Esse problema deverá ser discutido por toda a sociedade”.

O técnico do SEAPAC da Diocese de Caicó, José Procópio de Lucena, afirmou a O Mossoroense, que o debate foi democrático e civilizado e apontou uma série de sugestões para a questão da mortalidade materna infantil no município de Caicó.

A coordenadora Diocesana da Pastoral da Criança, Jailma Oliveira, revelou que foi constatada uma incidência maior da mortalidade, especialmente a perinatal e a neonatal, através de depoimentos de líderes da Pastoral da Criança e até mesmo testemunhos de mulheres que perderem seus filhos durante o período da gravidez e poucas horas após o nascimento.

 

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Mossoró-RN, quinta-feira, 20 de março de 2003