CÁSSIO RODRIGO
 


DOCES & SALGADOS

De mero fabricante de cocadas até se adivinhar o paladar do consumidor

Meados dos anos 50 surgira, em nossa cidade, um rapaz cheio de idéias e que, mais tarde, contribuiria para o desenvolvimento do nosso comércio. Reporto-me a Raimundo de Melo, filho de Camucim/CE e funcionário do Moinho Fortaleza, que produzia e comercializava farinha de trigo. Sua difícil missão, além de representar a empresa, era conseguir uma boa fatia do mercado e, para isso, teria que desbancar os concorrentes. O trabalho realizado foi tão bem-feito que a missão foi cumprida, colocando-o como detentor da maior parcela do mercado em seu ramo. Como homem sonhador, colocou seu projeto em prática: montou uma padaria toda mecanizada, pois a fabricação de pães era, em sua totalidade, manual. Em 1971, foi inaugurada a Panificadora 2001, de sua propriedade, sucesso na sua época (chegou-se a desmanchar mais de 30 sacos de farinha de trigo ao dia, convertendo-se na fabricação de 37.500 pães e possuía até uma pequena conveniência) que perdura aos dias de hoje. Formado em Letras, além de professor universitário, casou-se com a senhora Helena de Oliveira Melo com quem teve seis filhos: Helenisa, Hélder, Heleneida, Heugênia, Cesário e Raimundo de Melo Júnior. Este último seguira seus passos até se tornar um grande vencedor. “Ele sempre acreditava em tudo que fazia”, afirma Melo Júnior, que com apenas oito anos de idade passou a ajudar ao pai em diversas funções: “Comecei como empacotador de pães; anos após fazia entrega dos pães numa bicicleta de carga”, conta orgulhoso. Melo Jr., desde pequeno, respirava o trabalho. Um fato curioso é que sua mãe, quem implantou os serviços de confeitaria na padaria, foi quem o ensinou a confeitar os bolos, a pedido dele. Aos 19 anos, decidiu ter seu próprio negócio e montou um bar (Bar o Melão). Seis meses após, já pagara o investimento feito. Surgiu uma nova oportunidade e ele montou outro negócio (O Burburinho), um ponto de encontro dos jovens, que durara apenas quatro meses e foi, o que considera, seu maior fracasso e sua maior lição: “Parti para um segundo negócio sem a experiência do primeiro”, afirma. Dois anos após, largou o ramo de bares, que o deixou com algumas dívidas, porém todas cumpridas, e voltou a trabalhar com o pai. Nos anos 80, conheceu Irenice Holanda, com quem casou-se em 86, tendo nascido dois filhos (André e Vinícius). Logo, o inquieto Melo Jr. insistiu novamente em ter seu próprio negócio: “Faz-de-conta que passei dois anos dormindo e vou começar tudo de novo”, lembra. No mesmo ano começou a fabricar cocadas no seu modesto quitinete. Comenta: “Era tão pequeno que a mesa era minúscula e não cabiam muitas cocadas”. Em seguida passou a fabricar filós. A caminhada ao sucesso teve que ser interrompida por quatro anos, devido a um grave acidente envolvendo sua esposa, quando fazia entrega de filós numa motocicleta. Passado o pesadelo, dedicaram-se em dobro ao trabalho. Foi aí que surgiu a empresa DOCES & SALGADOS, que começou numa pequenina sala com apenas dois funcionários (Melo Jr. e sua esposa) e comercializando apenas cocada e filós. Com visão de futuro, tratou de investir todo o dinheiro que entrava no caixa na sua empresa. Surgiu um grande vilão: a concorrência, mas eles sabiam que, na proporção que seus concorrentes ganhavam fatia de um determinado produto, já tratavam de colocar outro, como novidade para o consumidor. E Assim, a empresa foi crescendo, ampliando suas instalações, de forma moderada, e sempre com o princípio de inovar para o cliente, ou seja, colocar no seu balcão produtos de boa qualidade. Hoje a DOCES & SALGADOS faz jus ao nome: é a melhor padaria (possuindo pães, biscoitos etc.), a melhor doceria (fabricando bolos, tortas, doces etc), a que melhor fabrica salgados (risoles, coxinhas, pastéis, pão-de-queijo etc), e, também, a melhor confeitaria (confeite de bolos, tortas, doces etc). Tudo isso num só ambiente; com modernas instalações, excelente atendimento e ótimo quadro de funcionários, visando um único objetivo: a satisfação do cliente. Possui ambiente climatizado, diversificação em seus produtos (mais de 100) e conta, atualmente com 14 funcionários, que trabalham em equipes. Para Melo Jr., a missão de sua empresa será sempre determinada por seus clientes: “O cliente é quem determina o tempo de sobrevivência do produto, ou seja, ele é quem me dá a receita”, profere. Seu maior orgulho foi ter aprendido os ensinamentos do pai (acreditar que tudo que é feito com trabalho e com amor se tem sucesso), que faleceu num trágico acidente, mas deixou muitas lições de vida para ele. “Era, é, e será meu professor”, diz emocionado. Homem de muita fé, mensalmente distribui 300 pães com famílias carentes da cidade, gratuitamente. “É uma forma de recompensar as graças que Deus tem me dado”. Finaliza dizendo: “Todo esse trabalho só foi possível porque houve e há união de esforços e de pensamentos entre eu, minha esposa e meus dois filhos”. Por isso e por tantas outras coisas ele pode se considerar um vencedor.  
 

 

CÁSSIO RODRIGO
EMAIL: cassiorodrigo@omossoroense.com.br


 

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Mossoró-RN, sexta-feira, 18 de abril de 2003