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Entrevista

Luís Tavares Cavalcanti Neto

Casado, pai de três filhos e avô de dois guris, o funcionário público Luís Tavares Cavalcanti Neto, de 48 anos, possui alguns dos principais requisitos que formam o perfil de um autêntico cinqüentão. Nas horas de folga, quando poderia estar largado no sofá da sala assistindo ao noticiário das oito ou mesmo em companhia de alguns amigos pelos bares da vida, ele prefere ocupar seus momentos de lazer com algo um tanto quanto incomum para alguém de sua geração: os jogos de computador, que o divertem tanto quanto aos adolescentes e jovens de hoje. Talvez até um pouco mais, já que desde 1999 ele defende com todas as armas a sua tão avançada forma de entretenimento. Nesta entrevista que concedeu com exclusividade e bom humor ao jornal O Mossoroense, ele nos conta como sua casa se tornou local de encontro para esses embates virtuais, ele que revela ainda o que fez para adquirir reflexo e competência para disputar com os próprios filhos, com os amigos e adolescentes que visitam sua casa diariamente. Acompanhe.

Por MARCOS FERREIRA

(Colaborou José “Serk” Bezerra)

O MOSSOROENSE – Onde e quando você nasceu?

LUIZ CAVALCANTI – Eu nasci no município de Mossoró, em novembro de 1954. Sou casado e pai de três filhos e avô de dois netos. Sou funcionário da Caern há 29 anos.

OM – Quando começou seu interesse por jogos de computador?

LC – Comecei mesmo a me dedicar mais a jogos de computador em 1999, mas há muito tempo eu já jogava algo, só não com a mesma regularidade que jogo atualmente. Era mesmo só um passatempo.

OM – E qual o seu tipo de jogo preferido?

LC – O meu estilo preferido são os jogos de ação, aventura em primeira e terceira pessoa, os chamados first person. Esses jogos simulam guerras virtualmente reais, gráficos que tornam a diversão mais atrativa e armas na sua maioria presentes em nossa realidade.

OM – Esses jogos não são um tanto violentos?

LC – Concordo que sejam violentos e sou a favor que sejam feitas regras para menores em sua maioria, por conter muito sangue e violência explícita. Há exemplos de casa de jogos que proíbem a entrada de menores para alguns jogos, ou jogam apenas com a presença ou permissão dos pais.

 OM – Vejo que você já se familiarizou com muitas dessas expressões em inglês, isso foi conseqüência dos jogos?

LC – Sim. Podemos dizer que 99,9% dos jogos são em inglês, e raramente encontra-se títulos em português. Dessa forma, aprendo algumas palavras básicas que me ajudam um pouco, mas ainda sinto muita dificuldade com relação a isso.

OM – Você conhece mais algum outro jogador de sua idade?

LC – Não pessoalmente. É raro alguém de minha idade se interessar por esse tipo de lazer. Mas cito um caso ocorrente de um casal de senhores que freqüentava uma Lan House.

OM – O que viria a ser esse termo Lan House?

LC – São casas especializadas em jogos de computador onde você paga por hora para poder jogar. É freqüente esse tipo de casa nos grandes centros urbanos do Brasil. Os amigos de meu filho, que jogam aqui comigo, insistem em me lavar para jogar numa Lan House que abriu há pouco tempo na cidade, mas continuo a resistir, afirmando que não tenho mais idade para ir a esses ambientes. Prefiro jogar no sossego do lar.

OM – Você se considera um bom jogador?

LC – Sim. Já tenho alguns anos de pratica. Jogamos praticamente todos os dias. Durante a semana, no período das 17 às 19 horas, e nos finais de semana, das 13 às 19 horas. Aqui em casa somos praticamente do mesmo nível e a vitória de cada uma vai depender do ambiente ou quem pensar um pouco mais rápido, sempre variando os vencedores.

OM – Quantos computadores você tem em casa?

LC – Atualmente, disponho de quatro máquinas com uma configuração muito boa, com placas de vídeo que variam de R$ 1.900 a outras de R$ 380,00.

OM – Já pensou em abrir uma Lan House?

LC – Não. Nunca pensei em cobrar nada de ninguém, jogo apenas por lazer. Muito dos amigos de meu filho me prestam até serviços na parte de hardware, tendo um rapaz aqui que é realmente muito bom, e já me livrou de muita dor de cabeça.

OM – Quanto aproximadamente custa um computador para esses tipos de jogos?

 LC – Olha, um bom computador precisa de uma placa de vídeo GeForce 4 64MB, que é a padrão; um processador veloz de 1.8Ghz, e o resto pode ser adquirido por um preço mais acessível. Estamos falando algo em torno de R$ 2.700 a R$ 3.000.

OM – E onde você comprou todo esse equipamento?

LC – Infelizmente, em Mossoró, não conseguimos encontrar placas de vídeo como essa com facilidade, mesmo porque não há demanda, então eu recorro muito a sites na Internet. Lógico que temos que procurar em sites de confiança para não corrermos nenhum risco de sermos enganados. Inclusive, encontrar jogos também é difícil e no Brasil os preços ainda são muito salgados, tendo que recorrer aos famosos “pirateiros”, onde compro geralmente de 5 a 6 jogos por mês.

OM – Quanto você acha que já gastou no geral?

LC – Algo em torno de R$ 10 mil.

OM – É verdade que você até deixou de beber por causa dos jogos de computador?

LC – Sim. Antes de me dedicar mais aos jogos, costumava sair depois do trabalho diariamente para tomar um uísque, e nos finais de semana era constante eu sair para os bares. Com o tempo, fui abandonando, pois deixava de pensar na bebida para ocupar a mente com jogos de computador. Hoje não mais me considero um alcoólatra, claro que ainda bebo um vinhozinho, mas apenas em aniversários ou datas importantes.

OM – O que você pensa em fazer quando estiver aposentado?

LC – Pretendo adquirir mais alguns computadores para montar uma mini lan house, só mesmo para lazer pessoal. Pena que Mossoró ainda não disponha de uma Internet rápida e acessível para travar batalhas online.

OM – Qual a velocidade recomendável para esse tipo de jogo na Internet?

LC – É de 256Kbps, para não ter nenhum “lag”.

OM – É verdade que os jogadores assumem nomes para formar grupos ou clãs, e travar batalhas contra grupos rivais?

LC – Sim. Aqui em casa todos temos “nicks”, ou apelidos, para tornar algo mais informal. Existe hoje um clã ativo em minha casa, que utilizam a sigla “CCC”, mas não faço parte. Sou conhecido como Cangaceiro e sou respeitado por ter uma boa pontaria, modéstia à parte. Dentre os outros são eles; Rasga_Bucho, Anjin_do_Mal, S.C.A.R., SerK, Respeite_a_Polícia e Pinguim, que prendem participar do campeonato que vai haver. Dou o maior apoio.   

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Mossoró-RN, domingo, 20 de abril de 2003