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Reforma ética e moral

Em torno de 50 parlamentes trocaram de legenda partidária dentre os 513 eleitos em outubro do ano passado. E trocaram de partido antes mesmo que se iniciasse a sua atividade parlamentar. Verifica-se assim que eles traíram ou decepcionaram os que neles votaram e agiram no mais completo desrespeito às siglas partidárias que os acolheram. Aqui no nosso Rio Grande do Norte a coisa não vem sendo diferente. Na Assembléia Legislativa surgiu a olhos  claros a demonstração mais do que evidente de políticos que não sabem viver longe do poder. E neste caso está o deputado mossoroense Francisco José. Formalizados esses deslocamentos na nossa Assembléia estadual vai se ver que a governadora Wilma de Faria que elegeu apenas dois deputados estaduais pelo seu partido, o PSB, hoje conta com cerca de 15 a apoiá-la. Desta forma, a sua base parlamentar ficou em maioria absoluta.

Houve uma época entre nós onde existiam apenas dois partidos, a Arena e o MDB e estes se transformaram em verdadeiras camisas-de-força porque a legislação outrora vigente obrigava os políticos a serem ou governo ou oposição. E só. O regime discricionário nos impôs isso que era péssimo para a nossa incipiente democracia. Mas, convenhamos que no sistema atual também não se tem preservados os valores éticos e morais. E é isso que nos leva a defender uma reforma política urgente.

Os partidos políticos hoje existentes, regra geral, embora com base em programas vanguardistas não conseguem firmar suas plataformas. Muito menos conseguem arrebanhar filiados com base em motivação democrática. Não perduramos compromissos ideológicos nem o devido respeito às manifestações do eleitorado nas urnas.

Está visto que necessitamos urgentemente de uma reforma política no Brasil onde a promiscuidade é assunto de vários projetos de lei, enquanto a fidelidade partidária consta da reforma política tão almejada, mas que continua aguardando que haja boa vontade de parte dos parlamentares federais. De uma coisa já se tem a certeza. Junto com a reforma partidária terá que vir um amplo programa de formação também política. Nesse aspecto também o Brasil necessita das mudanças, urgentemente.

 

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Mossoró-RN, sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003