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Lula, a continuidade de fhc

Na semana anterior ao seu falecimento, o senador Lauro Campos, marxista convicto, em entrevista à imprensa, declarou que o neo-liberalismo havia vencido. Essa afirmativa pode ter sido referente à queda do muro de Berlim, ao desmoronamento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, como também, à progressiva capitalização da China Comunista. Há quem interprete o desabafo como uma decepção com a formação do governo Lula da Silva, que tanta esperança trouxe ao povo brasileiro mas, sobretudo, à esquerda nacional.

O senador não viveu tempo suficiente para suportar outras medidas, tidas como liberais, do governo que ajudou a eleger. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, declarou entusiasmadamente que a CPMF deveria continuar para que não diminuísse a arrecadação do governo. Logo depois, desautorizou a correção da tabela do Imposto de Renda de 2003, apesar da inflação ter ficado em 12,53%. Sem a correção, os brasileiros vão pagar mais impostos do que deveriam, achatando cada vez mais o poder aquisitivo do assalariado.

Pedro Malan, antecessor de Palocci, congelou por sete anos essa tabela. A decisão do ministro da Fazenda decepcionou a classe média, que aderiu em massa à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Até o momento, passados 21 dias da posse do novo presidente, seus auxiliares têm apenas elogiado os ministros que os antecederam e trilhado o mesmo caminho, frustrando aqueles que apostaram em um modelo administrativo diferente para o Brasil. As pesquisas de opinião pública já sinalizam a mudança do humor nacional.

Ao mesmo tempo em que nada muda, a não ser o apoio a um presidente desgastado que insiste em se manter no poder, como é o caso de Hugo Chavez, na Venezuela, o governo começa a enfrentar problemas de corrupção. O ministro dos Transportes, Anderson Adauto, que há muito deveria ter sido demitido, continua no cargo, embora todos saibam que será demitido a qualquer momento. Lula precisa entender que não pode continuar em campanha, esquecendo que o povo brasileiro o elegeu com um objetivo que precisa ser alcançado.

 

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Mossoró-RN, quarta-feira, 22 de janeiro de 2003