ATUALIZADO ÀS TERÇAS, QUARTAS, QUINTAS, SEXTAS E DOMINGOS
 

Eternamente governo

Confesso a minha surpresa ante a posição de alguns militantes políticos, a nível local ou não, defendendo a luta pela permanência no poder, em qualquer situação. A justificativa, quase sempre, é a manutenção dos cargos ocupados no governo anterior, continuando a usufruir de todas as suas vantagens. O medo da perda pecuniária advinda com a derrota assusta demasiadamente seus ocupantes. Antes, deputados, prefeitos ou qualquer liderança política que mudasse de partido perdia o conceito e a credibilidade dos eleitores. O regime democrático possibilita a alternância do poder. A ditadura é que mantém os mesmos seguidores, desde que não conteste as ações do chefe todo poderoso. A instituição do segundo turno facilitou a aproximação de adversários que se digladiaram no primeiro instante e depois se uniram, para derrotar um terceiro. Com isso, o poder fica dividido entre aqueles que apoiaram uma candidatura desde o seu início com os que chegaram depois, possibilitando ou facilitando a vitória. As alianças feitas pela governabilidade são plenamente justificáveis. A oposição sistemática é uma burrice, pela teimosia que representa. A troca de apoio por indicações políticas não deve ser admitida. Por isso mesmo é que o PMDB foi desmoralizado pelo governo Lula. Depois de acertar com José Dirceu a ocupação de posições no ministério, recebeu a desaprovação do próprio presidente. O partido foi submetido a um vexame desnecessário e, hoje, vê o PT interferindo, até mesmo, nas indicações no Congresso Nacional, escolhendo o presidente do Senado e dizendo que derrotará o líder do partido na Câmara dos Deputados, deputado Geddel Vieira. Depois de oito anos governando o País e o Estado, os antigos governistas devem abrir espaços para aqueles que foram vitoriosos. Em quatro anos, teremos novas eleições, e será possível disputar os mesmos espaços, submetendo-se à vontade do eleitor. É triste saber que aqueles que estão sempre no governo, estão preparados para as adesões futuras, como se nada de novo tivesse acontecido na política. E, sorridentes, vão declarar que estão fazendo a vontade do povo ignorando que perderam a eleição pela vontade desse mesmo povo.

 

LAÍRE ROSADO
EMAIL: laire.rosado@uol.com.br

É Médico, ex-deputado estadual, ex-secretário de Agricultura e deputado federal

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Mossoró-RN, quarta-feira, 22 de janeiro de 2003