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Eternamente
governo
Confesso
a minha surpresa ante a posição de alguns
militantes políticos, a nível local ou não,
defendendo a luta pela permanência no poder,
em qualquer situação. A justificativa, quase
sempre, é a manutenção dos cargos ocupados
no governo anterior, continuando a usufruir
de todas as suas vantagens. O medo da perda
pecuniária advinda com a derrota assusta
demasiadamente seus ocupantes. Antes, deputados,
prefeitos ou qualquer liderança política
que mudasse de partido perdia o conceito
e a credibilidade dos eleitores. O regime
democrático possibilita a alternância do
poder. A ditadura é que mantém os mesmos
seguidores, desde que não conteste as ações
do chefe todo poderoso. A instituição do
segundo turno facilitou a aproximação de
adversários que se digladiaram no primeiro
instante e depois se uniram, para derrotar
um terceiro. Com isso, o poder fica dividido
entre aqueles que apoiaram uma candidatura
desde o seu início com os que chegaram depois,
possibilitando ou facilitando a vitória.
As alianças feitas pela governabilidade
são plenamente justificáveis. A oposição
sistemática é uma burrice, pela teimosia
que representa. A troca de apoio por indicações
políticas não deve ser admitida. Por isso
mesmo é que o PMDB foi desmoralizado pelo
governo Lula. Depois de acertar com José
Dirceu a ocupação de posições no ministério,
recebeu a desaprovação do próprio presidente.
O partido foi submetido a um vexame desnecessário
e, hoje, vê o PT interferindo, até mesmo,
nas indicações no Congresso Nacional, escolhendo
o presidente do Senado e dizendo que derrotará
o líder do partido na Câmara dos Deputados,
deputado Geddel Vieira. Depois de oito anos
governando o País e o Estado, os antigos
governistas devem abrir espaços para aqueles
que foram vitoriosos. Em quatro anos, teremos
novas eleições, e será possível disputar
os mesmos espaços, submetendo-se à vontade
do eleitor. É triste saber que aqueles que
estão sempre no governo, estão preparados
para as adesões futuras, como se nada de
novo tivesse acontecido na política. E,
sorridentes, vão declarar que estão fazendo
a vontade do povo ignorando que perderam
a eleição pela vontade desse mesmo povo.
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