CÁSSIO RODRIGO
 


A REFORMA DA PREVIDÊNCIA:
O QUE TEMOS DE CONCRETO?

Em recentes discussões envolvendo servidores, aposentados, militares, juízes e especialistas chegou-se à conclusão que o Brasil realmente necessita de uma ampla reforma na Previdência. A grande celeuma é saber que reforma será essa. Após o ministro do Superior Tribunal Federal Marco Aurélio Mello ter criticado abertamente as idéias do ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, deu para se ter a certeza de que vai ser praticamente impossível um consenso sobre o assunto. Uma das idéias em estudo do ministro é a mudança na forma de taxar as empresas, ou seja, o cálculo para a contribuição à Previdência, das empresas enquadradas no regime normal, deixaria de ser feito com base na folha de salários e passaria a incidir sobre o faturamento dessas empresas. Trata-se de uma alteração radical na vida tributária das empresas. Atualmente, elas pagam 20% sobre a folha de salários, além de 1%, 2% ou 3% relativos à taxa de seguro-acidente e, ainda, 5,8% referente a terceiros (Sesi, Senai etc.). Pela proposta do ministro, essas alíquotas seriam reduzidas ou mesmo zeradas. Mas como o governo não quer perder dinheiro, o alívio na folha seria compensado com uma nova contribuição sobre as receitas, que já são taxadas com tributos como Imposto de Renda, Pis, Cofins e outros. Por enquanto o assunto está na geladeira até que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social se reúna para discutir. Porém, é notório que qualquer idéia que conte com a simpatia do ministro tem chances de ser incorporada à reforma que o governo Lula irá enviar ao Congresso. O principal argumento para os que defendem essa mudança é que ela favorecerá o aumento de emprego, pois muitas empresas não contratam funcionários devido a alta carga tributária e, ao tributar o salário, o governo acaba penalizando o trabalhador. O principal problema é o aumento na taxação do faturamento das empresas. Como esses impostos incidem em cascata, ou seja, em cada etapa da produção, comprometerão a competitividade do país. Contudo, apesar de alguns grupos serem prejudicados, se faz necessária a reforma.  

BENEFÍCIOS PARA AS EMPRESAS

Uma das propostas do novo ministro do Trabalho, Jaques Wagner, é simplificar a vida das micro e pequenas empresas, através de um modelo diferenciado do contrato de trabalho, menos burocrático e mais econômico para as empresas.

LULA PROPÕE A UNIFICAÇÃO DO ICMS

O presidente Lula vai propor aos governadores a unificação da legislação do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) e a sua transformação em IVA (Imposto sobre Valor Agregado). Na proposta, a legislação do ICMS, que é estadual, passará a ser federal. O objetivo é acabar com a guerra fiscal entre os estados, que possuem legislações distintas. A tributação sobre valor agregado acabará com a incidência em cascata. A idéia é unificar as 27 legislações sobre o ICMS, principal imposto do sistema tributário, deixando para os Estados as tarefas de cobrar e fiscalizar. Em contrapartida será repassado um percentual aos estados do IVA arrecadado.

CONTRIBUIÇÃO PARA OS INATIVOS

O governo federal estuda a criação de uma nova contribuição para os servidores inativos. Em setembro de 1999, o STF considerou inconstitucional a lei e derrubou a cobrança. FHC tentou retomá-la, mas as dificuldades políticas impossibilitaram. Então na oposição, o PT criticou em vários momentos a tentativa de cobrança dos inativos. A proposta sugere ainda mudar a forma de cálculo das aposentadorias do funcionalismo. Em vez do último salário, a base seria a média dos 80% maiores salários do servidor. Essa sistemática o INSS já adota para as aposentadorias do setor privado.

A VIRADA DA SKOL

Com apenas três anos na liderança no mercado de cervejas, sepultando a batalha travada entre Brahma e a Antarctica, a Skol é exemplo ilustrativo de como numa fase de alta concorrência e infidelidade dos consumidores, as marcas tradicionais ficam vulneráveis. Apoiando-se numa característica do produto: mais leve e com menor amargor, traduzido pelo slogan "desce redondo", a marca Skol detém, hoje, 52% dos volumes produzidos pela Ambev, sendo a líder no mercado com 1 terço da produção.

HORÁRIO DE EXPEDIENTE DURANTE O CARNAVAL

Foi definido o calendário de expediente em Mossoró durante o período de carnaval. No sábado, o comércio funcionará até o meio-dia. Na segunda e na terça-feira de carnaval não haverá expediente. As atividades serão reiniciadas após o meio-dia da quarta-feira de cinzas.  

KAJURU A UM PASSO DA GLOBO

O jornalista e comentarista esportivo Jorge Kajuru estuda proposta comercial oferecida pela Globo. Como o seu passe pertence à Rede TV, apesar de estar atuando na TV Cultura, a Globo está disposta a fechar acordo desde que a dona do seu passe libere a multa rescisória no valor de 5 milhões de reais. Quem te viu quem te vê, pois Kajuru era o mais ferrenho dos críticos da Globo. Quando se fala em dinheiro, a conversa é outra!

TRIBUNA LIVRE:

- O governo pretende aumentar o número de alíquotas da tabela do IR. O objetivo é elevar a progressividade (fazer quem ganha mais pagar mais e vice-versa);

- Técnicos da Receita Federal já afirmam que seria possível ter uma alíquota máxima de 35%;

- Caíram as vendas no Brasil dos carros mais desejados: Ferrari, BMW, Jaguar e Porsche;

- É também intenção do governo criar uma contribuição para os servidores inativos.  
 

 

CÁSSIO RODRIGO
EMAIL: cassiorodrigo@omossoroense.com.br


 

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Mossoró-RN, sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003