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Exportações
do RN podem não ser afetadas por guerra
CRISTIANO
ROJAS Da Redação rojas@omossoroense.com.br
Em
meio a tanta desgraça chega pelo menos uma
notícia boa. Os efeitos do conflito no Oriente
Médio podem não afetar as exportações do
Rio Grande do Norte. O risco para as vendas
externas seria no caso de haver uma retração
no mercado mundial.
De acordo
com análise do Centro Internacional de Negócios
(CIN) da Federação das Indústrias do Rio
Grande do Norte (FIERN), será o tempo de
duração do conflito que vai definir o rumo
dos acontecimentos.
“Ainda
é um tanto precipitado fazer qualquer análise
com relação aos efeitos que o conflito no
Iraque poderá ter sobre a Balança Comercial
Potiguar, pelo menos nesse momento da guerra”,
avalia Luiz Henrique Guedes, gerente
da CIN.
PRODUTOS
– Segundo ele, o que deve ocorrer é apenas
uma diminuição natural da comercialização
externa de itens do setor primário que compõem
a pauta de exportação, mas devido o próprio
término da safra de alguns desses produtos.
“Com o
fim da safra do melão, as exportações de
frutas estão praticamente encerradas, devendo
ser reiniciadas em setembro”, diz. No mesmo
período deve ser retomada também a venda
de açúcar ao mercado internacional.
Fundamentalmente
toda a produção de frutas tropicais está
voltada para a União Européia, que responde
por 34,20% das exportações potiguares. Luiz
Henrique acredita que o consumidor europeu
não deve reduzir o fluxo de compras ao Estado.
“Para os
demais produtos eu acredito que não haverá
grande impacto em curto prazo, por que o
Rio Grande do Norte exporta muito pouco
para a região do conflito, que é onde deve
ocorrer uma diminuição de imediato nos embarques
dos exportadores brasileiros”, diz o especialista
em comércio exterior.
Dessa forma
ficam mantidas as perspectivas de crescimento
para as exportações do Rio Grande do Norte
dentro dos níveis apontados num estudo recente
do centro internacional de negócios da Fiern.
Exportações
potiguares para o Iraque podem aumentar
O Rio Grande
do Norte pode não perder um importante parceiro
comercial no mercado externo, caso o conflito
no Golfo Pérsico culmine com a derrubada
do ditador Saddam Hussein.
Apesar
do embargo econômico imposto após a guerra
do Golfo, em 1992, o Iraque figura entre
os principais importadores dos produtos
potiguares, graças a um acordo com a Organização
das Nações Unidas (ONU), que garante o país
importar uma cota em alimentos a cada seis
meses do ano em troca de petróleo.
Pouca gente
sabe disso, mas segundo dados da Secex o
país de Saddam Hussein comprou no ano passado
US$ 2.242.400 em produtos potiguares. Saltou
do nada em 2001 para ocupar o 12º lugar
entre os principais parceiros comerciais
do Rio Grande do Norte.
AVALIAÇÃO
– Luiz Henrique acredita que a princípio
as exportações devem cair para aquele país,
mas que a necessidade de reconstrução do
país após a guerra poderá favorecer uma
maior desenvoltura nas relações comerciais
com o Oriente Médio.
“Tudo isso
obviamente está relacionado ao aumento do
frete internacional, do seguro para as mercadorias
e da própria situação gerado pelo pós-guerra”,
avalia o gerente da CIN.
Uma vez
que o conflito acabe, tudo deverá voltar
ao normal inclusive com um aumento das exportações
brasileira para aquela região. Fora o açúcar
que é exportado para o Iraque, vai um pouco
de balas, castanha de caju e cera de carnaúba.
Quem realmente
teve um embarque de volume maior foi a Usina
Estivas, que exportou açúcar para o Iraque,
o que pode não ser afetado, visto que as
exportações do produto só recomeçam por
volta de setembro.
“Após o
conflito é possível que as empresas iraquianas
tenham uma liberdade para comercializar,
o que poderá favorecer as exportações potiguares”,
explica Luiz Henrique.
Vendas
externas aos EUA se mantêm estáveis
Apesar
do Rio Grande do Norte manter relações com
diversos países no mercado externo, nenhum
outro parceiro comercial possui participação
tão significante para as exportações potiguares
quanto os Estados unidos.
Em 2002,
os norte-americanos foram responsáveis pela
compra de cerca de 45,44% dos produtos potiguares.
O volume de vendas totalizou um montante
da ordem de US$ 99.016.325.
Luiz Henrique
destaca que por enquanto as exportações
para os EUA se mantêm estáveis. A princípio
ele não vê grandes dificuldades em se manter
os embarques regulares, normalmente como
eles vêm sendo realizados.
CONVERSAS
– “Conversei com alguns exportadores de
camarão que me informaram que ainda não
houve reação negativa, diminuição ou cancelamento
de pedidos para os embarques para os Estados
Unidos”, diz Luiz Henrique.
Para o
gerente da CIN, somente no caso de ocorrer
uma onda de atentados terroristas dentro
dos EUA é que o mercado poderia se tornar
um pouco retraído, por que os norte-americanos
apreensivos parariam de consumir certos
artigos. Isso é o que tem preocupado.
“Dependendo
do desenrolar dos acontecimentos, pode haver
alguma diminuição de consumo, pois os consumidores
americanos são muito sensíveis a situações
de insegurança”, avalia Luiz Henrique.
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