Comportamento 

TV que educa e excede

Cada vez mais avançado e chegando a lugares mais distantes, o poder de comunicação e de acesso à televisão ainda é o maior. Como veículo de comunicação de massa, leva entretenimento e traz lazer a milhares de pessoas, entrando com liberdade na casa, na vida e no dia-a-dia das pessoas.

No Brasil a televisão já atua há mais de 50 anos. Alguns minutos em frente à TV transporta o telespectador a outras realidades, seja do Brasil ou em outros países como ocorre atualmente com as coberturas da guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, em flashes constantes a cada dez minutos.

A informação chega rápido, aliando imagem, som e agilidade e na competição das emissoras por quem fornece primeiro a notícia, quem ganha é o telespectador que está cada vez mais bem informado.

Porém, as mudanças pelas quais a televisão passou ao longo dos anos e até mesmo seus objetivos enquanto veículo de comunicação vem sendo mais questionada nos últimos anos. Em muitas famílias, a ausência dos pais acaba deixando para a televisão a tarefa da educação dos filhos dentro de casa.

Isto porque a mesma televisão que traz o divertimento às famílias - ainda hoje é essencial em qualquer casa - a televisão também exagera nos excessos e isto já se referindo a temas como sexo, violência, drogas e modismos.

Preocupado com esta finalidade adquirida pela televisão, o Ministério das Comunicações passou a exigir que todas as redes de televisão abertas reduzissem as cenas impróprias para crianças e adolescentes em horários diurnos e várias chegaram a reclamar que estaria de volta a ‘censura’.

Mas, afinal, a televisão é benéfica ou não na educação de crianças e adolescentes?

MAU CONTEÚDO - A enfermeira Suzana Cantídio Mendes tem três filhos com idades diferentes: 10, 13 e 16 anos. Segundo ela, nesta idade não é mais possível proibir de ver os programas que passam na televisão o que, para ela, é uma preocupação.

“Para os adolescentes digo que a televisão de um modo geral não tem programas muito bons. A maioria excede na violência e não traz à tona assuntos que eles possam absorver mesmo. A verdade é que neste aspecto, a televisão é vazia demais”, opina  Suzana ressaltando que apesar de não proibir, costuma orientar os filhos sobre o que eles assistem.

Ainda de acordo com Suzana Cantídio, um dos problemas que a sociedade acata nestas circunstâncias é considerar normal o excesso de violência e abordagem de temas que podem interferir na boa formação de um cidadão.

“Hoje tudo que passa na televisão é encarado com muita naturalidade, mas a gente precisa mostrar para os filhos que é preciso ter esclarecimento daquilo que se vê”, completa ela.

BOM CONTEÚDO - Uma outra colega de profissão, enfermeira e também mãe, Isaura de Almeida, acredita que a televisão é boa sim para educar e traz bons programas.

“Eu sou da opinião que uma minoria apresenta programas com conteúdo reprovável. No geral a televisão é um veículo bom, com bastante entretenimento”, afirma a enfermeira Isaura que possui dois filhos.

Ela reforça ainda que trata o fato de se ter conteúdo informativo constantemente como um aspecto positivo.

“A juventude prefere assistir a TV a ler. Então é bom o conteúdo informativo. Tem tanto canal  trazendo propostas mais educativas, despertando os adolescentes que não seria justo colocar a culpa do aumento da violência na TV”, reforça Isaura de Almeida.

Cartilha disponível na Internet ensina
a boa utilização da TV

O TVe está colocando no ar a Cartilha do Jovem Telespectador, um material destinado a alunos e professores dos diversos níveis de ensino que ajuda a promover a reflexão crítica sobre a televisão.

Criada pela educadora e ex-consultora de educação da TV Cultura de São Paulo, Célia Marques, a Cartilha tem duas versões: uma para alunos e outra para professores. “Aos alunos”, explica Célia, “procuramos mostrar que assistir TV também envolve responsabilidade e que eles podem e devem escolher o que assistir”. Semelhante a um livro de atividades, a Cartilha propõe a reflexão sobre os aspectos positivos e negativos da TV e a análise de diversos tipos de programas assistidos pelo aluno.

Para os professores, a educadora acredita que a Cartilha seja um instrumento importante para trazer a discussão sobre a televisão para a sala de aula.

“Por enquanto, as experiências de trabalho deste tipo em escolas ainda são isoladas, um pouco por falta de iniciativa, mas também em função da falta de material de apoio disponível”, analisa. A versão da Cartilha destinada aos professores apresenta alguns conceitos básicos a serem trabalhados com os alunos e sugere atividades que podem ser adaptadas para diversas faixas etárias.

Nas escolas em que é convidada a dar palestras, a educadora percebe grande receptividade das crianças ao assunto. Célia já chegou a sugerir ao Ministério da Educação a inclusão do tema no currículo escolar, mas a resposta do MEC foi que a televisão já estava contemplada entre os chamados temas transversais. Na avaliação da educadora, caberia principalmente aos professores da área de comunicação e expressão, como Língua Portuguesa, inserir a discussão sobre televisão na sala de aula.

HOJE - Em relação à televisão hoje, Célia acredita que somente a educação pode dar conta de reverter o quadro preocupante que se tem no Brasil.

“Só com telespectadores mais críticos a TV comercial vai melhorar a qualidade da programação. Essas TVs sequer se deram conta de que uma programação educativa também pode dar retorno e que TV educativa não é aula na televisão. Programação educativa e cultural é uma exigência legal que as emissoras insistem em ignorar. Sendo concessões públicas, elas estão atuando ilegalmente”, completa. Para ter acesso gratuito à cartilha, o endereço na Internet é o http://www.tver.org.br

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Mossoró-RN, sábado, 22 de março de 2003