Estudantes já viajam pelo Estado pagando apenas meia-passagem  

LUCIANO OLIVEIRA
Editoria do Regional
regional@omossoroense.com.br

AREIA BRANCA – O presidente da Associação Potiguar dos Estudantes Secundaristas (APES), Marco Aurélio Garcia, esteve ontem, 21, em Areia Branca, trazendo boas novas sobre a prática do benefício da meia-passagem intermunicipal. Durante o ano de 2002, a entidade voltou todas as atividades à luta pela conquista desse benefício.

O pleito foi regulamentado em junho do ano passado e desde o último dia 17 o estudante potiguar está apto a viajar de um município para outro pagando a metade do valor cobrado pela passagem intermunicipal. O próprio Marco Aurélio relata que viajou de Natal a Mossoró e pagou a meia-passagem. Fiz uma viagem tranqüila pagando apenas R$ 12,50 ao invés dos R$ 25,00 cobrados pela empresa de ônibus pela passagem integral”, conta.  Segundo o dirigente estudantil, esse é um benefício concreto que todo estudante tem direito. Ele informa que no prazo de 15 dias o Setrans estará instalando um guichê no terminal rodoviário de Mossoró para fazer o cadastramento dos estudantes e a partir de então, todos poderão viajar para qualquer um dos 167 municípios do Estado, sem restrição quanto a dia, hora e sem limite mínimo de passagens por mês. “O estudante pode rodar o Estado todo pagando a meia-passagem”, reforça.

O presidente da Apes disse que tem orgulho de poder estar representando a entidade, cuja proposta básica é defender os interesses dos estudantes que nos últimos oito anos radicalizaram a luta pela meia-passagem.

Em relação ao cadastramento dos estudantes de Areia Branca, Marco Aurélio disse que isso terá que ser discutido com o Setrans, que por lei é a entidade responsável pelo cadastramento. A explicação é que nesse primeiro momento o órgão não teria estrutura para montar postos de atendimentos em outros  municípios, além de Mossoró. Assim, estaria  priorizando um posto por região. E na região Oeste, este posto estaria em Mossoró. “Nesse caso, os estudantes de Areia Branca terão que se deslocar para Mossoró, com uma declaração atualizada, pois embora o estudante tenha a carteira de 2002, tem que provar que continua estudando e essa prova é a declaração atualizada. O estudante deve procurar a secretaria da sua escola, pedir a declaração de escolaridade e levar ao guichê do Setrans, na rodoviária de Mossoró”, acrescenta Marco Aurélio. Ele adianta qure no prazo de duas semanas será divulgado o início das atividades do guichê do Setrans de Mossoró. Ali o estudante vai adquirir o selo holográfico que dá validade a carteira para fins de obtenção da meia-passagem. “Esse selo será trocado de seis em seis meses. O estudante paga uma taxa anual de R$ 1,50 pelo selo e durante o período estará habilitado a comprar passagens para qualquer município do Rio Grande do Norte, pagando só a metade”, completa.

Até o próximo ano, eleição direta chegará às escolas da rede estadual 

Durante visita a Areia Branca, o presidente da Associação Potiguar dos Estudantes Secundaristas (APES), Marco Aurélio Garcia, falou sobre a eleição direta para diretor e vice das escolas da rede estadual de ensino. Ele disse que a proposta está na carta de princípios do Partido Socialista Brasileiro (PSB) do qual a governadora Wilma de Faria é presidente estadual e membro da executiva nacional.

Marco Aurélio disse que a eleição direta para escolha dos dirigentes escolares foi uma bandeira de campanha da professora Wilma, que é educadora e sabe da importância da gestão democrática nas escolas. Prova disso é que já nos primeiros dias do seu governo, publicou um decreto autorizando o início do processo de consolidação da gestão democrática com eleições diretas para diretor. “Sabemos que não podemos esperar que este ano tenhamos eleições diretas nas escolas em todos os municípios, pois é um processo que precisa ser muito bem acompanhado, para evitar que a eleição direta para diretor se confunda com o proselitismo político dentro das escolas”, enfatiza.

O dirigente da Apes observou que a eleição dos diretores tem que obedecer a um processo pedagógico de acompanhamento dos candidatos, tem que fomentar uma discussão pedagógica da campanha nas escolas, porque o diretor da escola eleito não precisa ser necessariamente o mais carismático nem o que compra o voto. “Tem que ser o que está mais preparado para representar a comunidade escolar na gestão democrática”, diz Marco Aurélio.

Ele argumenta que não se pode eleger professores que estão dando nota 10 para todos os alunos, professores pouco preocupados com o andamento das aulas na sua escola. “Temos que eleger  professores que tenha compromisso com o projeto político pedagógico da educação do Estado. Temos que eleger professores que tenham capacitação técnica para desenvolver a função”, acrescenta.

Marco Aurélio adianta que  Wilma de Faria determinou que nesse primeiro ano, em dez municípios haveria modelos de eleições diretas em algumas grandes escolas. E a partir dos próximos anos esse processo iria se alastrando, até que ao concluir o seu mandato, ela tenha conseguido realizar eleições diretas em todos os 167 municípios do Estado. “Então, essa é nossa bandeira de luta, por entendermos que o cargo de diretor de escola não deve ser um cargo de padrinho político, não deve ser um cargo onde os deputados, vereadores, os líderes comunitários indiquem pessoas para representar os seus interesses dentro das escolas. Pelo contrário, o cargo de diretor de escola tem que ter uma pessoa que não represente interesse político, represente o interesse da comunidade escolar, que é quem deve ser beneficiada”, ressalta.

Esse é um processo que requer certa precaução, observa Marco Aurélio. “Não adiantava nesse momento a professora Wilma de Faria convocar eleição nos mais de 500 estabelecimentos de ensino da rede estadual, porque isso geraria distorções  difíceis de administrar. Se hoje é difícil administrar uma escola com o cargo indicado pela Secretaria de Educação, imagine com uma pessoa que se elegeu comprando votos. Temos que ter cautela nesse aspecto”, alerta.

 

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Mossoró-RN, sábado, 22 de março de 2003