CLÁUDIO MONTEIRO
 
 ATUALIZAÇÕES ÀS QUINTAS
 


Sem redução da carga, não é
reforma tributária!!

Uma Reforma Tributária, na melhor acepção da palavra, por mais tímida que seja, em qualquer país do mundo, deve ser incisiva, cirúrgica e corajosa. Sobretudo corajosa o suficiente para reordenar não só o volume e os percentuais cobrados nos impostos, mas também promover justiça no relacionamento fiscal entre cidadãos, empresas e instituições, de um lado, e os governos municipais, estaduais e federal, de outro.

No caso do Brasil, mais especificamente, que impõe um pesado fardo de cerca de 54 impostos, taxas e “contribuições”, a reforma apresentada pelo governo federal deveria trazer em seu bojo, obrigatoriamente, uma redução da carga imposta aos brasileiros — uma das mais altas do planeta.

Qualquer conjunto de ajustes que não inclua pelo menos um corte na massa de tributos — que atingiu em 2002 o recorde histórico de arrecadação de 476 bilhões de reais , no âmbito das três esferas de governo — será qualquer coisa, menos Reforma Tributária !

A voracidade do governo FHC na criação e arrecadação de impostos — que vai tendo seus passos seguidos, à risca, nessa mesma política, pelo governo Lula — foi e é incrivelmente alta. Para comprovar esta afirmativa é suficiente analisar os números consolidados do ano passado. Do total de bens e serviços produzidos em todo o país em 2002, o chamado Produto Interno Bruto (PIB), que atingiu, em números arredondados 1,3 trilhão de reais, 36,5% (os 476 bilhões) foram abocanhados à titulo de impostos. Um crescimento de 18% em relação ao ano de 2001.

Só a União arrecadou em tributos federais a bagatela de cerca de 283 bilhões de reais. Quase 24 bilhões por mês. Sobrando, portanto para todos os 26 estados, o Distrito Federal e mais de 5.500 municípios menos de 200 bilhões de reais. Com isso, o Brasil fica numa posição mundial nada privilegiada. Nossa carga tributária, além de ser maior do que as de paises em desenvolvimento, supera até a dos Estados Unidos e as da maioria dos países da Europa. Só perdemos para Suécia e Alemanha...

Não basta, portanto, propostas de unificação de alíquotas e ICMS ou de recolhimento do ICMS no estado onde o produto é consumido ao invés de ser no estado onde ele é produzido. É preciso acabar com a cobrança de impostos em cascata e reduzir a pesadíssima e injusta carga de tributos colocada nos ombros dos brasileiros. Até como forma de possibilitar que o micro e pequeno empresário deixe de sonegar. O que acontece hoje por estarem absolutamente sufocados pelo excesso de taxas, tarifas e tributos. Fora disso, não há Reforma Tributária !!

Ótima Páscoa para vocês — a Coroa Portuguesa levava do Brasil o Quinto, ou seja 20% de impostos do total produzido, e por isso enfrentou várias inconfidências. Agora, o governo leva 36,5%, quer mais, e tem gente que fica de língua travada... — quinta-feira (24/04) eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!

 

CLÁUDIO MONTEIRO

EMAIL: claudiomonteiro@natalja.com.br

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Mossoró-RN, quinta-feira, 17 de abril de 2003