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O consenso está difícil

Nunca o Brasil esteve envolvido na discussão de temas que dizem respeito ao seu interesse de forma tão intensa como agora foi acontecer no Congresso Nacional com as propaladas reformas, aí incluídas as da área da previdência, tributária e a fiscal. Essas são as mais polêmicas embora existam outras necessitadas de discussões profundas, mas passíveis de serem consensuais. O que está em jogo, principalmente, pelo que se observa com muita clareza, é que está preocupando as partes envolvidas o destino do montante atual das receitas púbicas. Cada um que deseje puxar para o seu lado, como seria de esperar. União, Estados e municípios, todos eles, sem tirar nenhum, temem perder receitas.

Os municípios, por exemplo, estão fora do atual momento da discussão que se formou entre os governadores e a União. Mas, reconheça-se, que eles são detentores de quase 24 por cento da receita do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados e de 25 por cento da arrecadação do ICMS. Então, as duas partes que poderiam ser vistas como maiorais, donos de todo o bolo, discutem na presente conjuntura sem solicitarem a opinião da parte menor que são os municípios.

A verdade é que projetos de Reforma Tributária no Congresso Nacional existem aos borbotões e estão lá há décadas sem que atendam às exigências dos fatores econômicos e ao mesmo tempo à sede de receitas de todos os envolvidos. A polêmica se estende e não se vislumbra no horizonte um aspecto mais cristalino da questão. Ela, pelo visto, ainda vai durar, e muito.

O que é fato é que não se conhece situações confiáveis construídas na base de tributações que sugiram aos três níveis de governo a certeza de que ninguém vai perder receitas. E some-se a isso o fato dos Estados industrializados questionarem a hipótese de se tributar o consumo e não a produção. Outro aspecto relevante que tem gerado muita discussão diz respeito ao interesse dos municípios. Fala-se numa possível extinção do Imposto sobre Serviços - ISS, transformando-o num Imposto sobre Vendas a Varejo.

O que resta de tudo isso é a certeza de que o Brasil está necessitando de muita criatividade para chegar a um consenso em torno dessas reformas. Há muita controvérsia, como por exemplo, na área da previdência quando se fala em exigir que os aposentados voltem a contribuir para tal. O nosso país precisa estar atento ao que se discute hoje em dia em Brasília em termos de reformas, pois, de uma forma ou de outra, envolve o interesse de cada um dos brasileiros.

 

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Mossoró-RN, terça-feira, 22 de abril de 2003