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Mercado Central não tem segurança

 

Justino Neto
Editor de Cotidiano

Abandono total. O Mercado Central de Mossoró, que há bem pouco tempo era ponto de encontro para as boas conversas e negócios promissores, se transformou, de uma hora para outra, em um lugar onde a insegurança, violência e medo vêm ganhando formas de maneira incontroláveis e com conseqüências inimagináveis que fogem totalmente ao controle das autoridades.

Dos dois guardas municipais que prestavam serviço de segurança, o que trabalhava durante o dia, aposentou-se e o que ficou dando expediente à noite, trabalha um dia e outro não, segundo denúncia dos comerciantes.

Alguns comerciantes que estão no local há algum tempo pensam em fechar o ponto e partir para outra iniciativa. Outros mais esperançosos preferem enfrentar os riscos e continuar tocando os seus negócios na expectativa de que dias melhores apareçam.

Mas esses são a minoria, e basta circular entre uma banca e outra que logo as reclamações, os apelos e as histórias começam a aparecer. Cada um tem um fato para contar e a maioria já vivenciou cenas que realmente refletem quanto impotentes eles são.

O comerciante Wilson Freitas, 42, que trabalha no mercado há aproximadamente dez anos, disse que o local está ao deus-dará, sem segurança e sem controle. Ele disse que nunca foi vítima de roubo, mas confessa que já presenciou vários, sem que nada pudesse fazer. "Normalmente o sujeito que vem para praticar um ato desses está armado e disposto a tudo. Nós, sem armas, temos mais é que fingir que não vimos nada", ressaltou.

A dona-de-casa Zélia Maria, que no próximo dia 10 de agosto vai completar dez anos que negocia no Mercado, disse que já foi vítima de pequenos furtos e que a única solução que ela vê é a prefeitura retornar a Guarda Municipal. "Quando os guardas andavam por aqui, isso era muito tranqüilo". Hoje, se você fechar os olhos na hora de um espirro, esses meninos de rua aproveitam e sempre levam alguma coisa.

Segundo Zélia, os meninos sempre procuram levar peças íntimas que não dão muito trabalho para carregar como cuecas, calcinhas, meias, sandálias pequenas e outros objetos que não precisam embalagem.

Ela disse ainda que é comum de vez em quando o mercado ser arrombado durante a noite e ninguém sabe quem foi, ninguém viu nada. O resultado é lanchonetes esvaziadas e muitas peças roubadas.

São comuns também os casos de pessoas embriagas que circulam dentro do mercado e quando não são atendidos no pedido de um copo com água, passam a esculhambar todo mundo, principalmente se for mulher.

O comerciante Arivan Carlos, que tem o seu ponto no mercado há quatro anos, disse que os mais perigosos são os meninos de rua que circulam durante o dia pelo local a procura de comida e dinheiro. "Quando eles não conseguem nada, aí partem para os pequenos furtos e geralmente andam em bando de cinco ou seis e às vezes mais. O que mais revolta Arivan é que um adulto não pode bater em uma criança, pois logo aparece o pessoal dos direitos humanos para tentar colocar você na cadeia.

Wedson Válbio, comerciante do ramo de calçados, disse que a segurança do Mercado Central é feita pelos próprios locatários, e é por isso mesmo que todos têm que ser solidários. "Nós vivemos em constante vigilância, porque aqui se der bobeira os meninos aproveitam e levam tudo", afirmou.

Bebida alcoólica está proibida no mercado

Diante de tantas reclamações sobre a presença de pessoas embriagadas dentro do Mercado Central, Alex Moacir informou que desde ontem que a venda de bebidas alcoólicas está proibida no ambiente.

Ele lembra que se a pessoa tomasse um aperitivo na hora do almoço e depois fosse embora, nada contra. "O ruim, é que o sujeito toma uma ou duas, se empolga e passa o dia bebendo, e quando está embriagado passa a ofender as pessoas de bem que não têm nada com isso". Informou.

Alex Moacir confirmou que o pedido para proibir a venda de bebidas alcoólicas no mercado foi do coordenador genildo Félix. "Ele me procurou e disse que vinha recebendo inúmeras reclamações de pessoas que trabalham no local e que constantemente são agredidas moralmente por outras que passam o dia bebendo no mercado. "Ele veio conversar comigo e eu autorizei que ele fizesse uma portaria proibindo a venda de bebidas", confirmou.

O gerente de Serviços Urbanos justificou a sua ordem, dizendo que o que puder ser feito para dar tranqüilidade aos comerciantes e às pessoas que freqüentam o mercado, será feito. "Com certeza, quando você tem um problema só existem duas saídas: ou você convive com o problema ou o elimina. Nós preferimos a segunda opção e espero que todos entendam", encerrou.

Gerente de Serviços Urbanos disse que está tomando providências

O gerente de Serviços Urbanos da prefeitura, Alex Moacir, procurado pela reportagem, disse que reconhece a deficiência da segurança, mas garantiu que diante de tantas reclamações já está tomando as devidas providências para tentar amenizar o problema. "Isso é uma questão antiga que nós estamos tentando resolver, mas é um problema que demanda tempo".

Segundo Moacir, o guarda municipal que trabalhava durante o dia se aposentou recentemente e por isso ele está providenciando outra pessoa para prestar serviços durante os horários matutino e vespertino. "Nós já solicitamos à Guarda Municipal o envio e remanejamento de mais um guarda para reforçar a segurança, embora não seja ainda o ideal", disse.

Outra providência já tomada foi a de solicitar ao comando da Polícia Militar, a presença de policiais circulando pelo local, mesmo que uma vez ou outra, mas até o momento não obteve resposta ainda. "Nós sabemos que a polícia tem outras preocupações mais urgentes do que simplesmente vigiar um mercado, mas fizemos a solicitação e esperamos ser atendidos", falou.

Com a palavra, os comerciantes

Para resolver de vez o problema, comerciantes e freqüentadores do Mercado Central acreditam que só tem uma saída: é a prefeitura colocar guardas nos três expedientes para tentar inibir a ação dos vândalos. A questão é que o órgão não dispõe em seus quadros de funcionários para a guarda do patrimônio público.

"É fato quase que comum quando a gente chega ao mercado, encontrar uma porta que foi arrombada durante a madrugada. Quem tem sorte, tudo bem, mas quem leva uma pontinha de azar, tem prejuízo porque os ladrões levam o que podem", disse a comerciante Lindalva Vieira Pedrosa.

José Renato Soares é aposentado, mas está todos os dias no mercado para conversar com os amigos e passar o tempo. Ele é daqueles que torcem para que a prefeitura tome uma posição, pois do contrário em pouco tempo os comerciantes vão abandonar o local. "Você não pode esperar que uma criança de rua, que normalmente não tem o que comer e vestir, entre num lugar como esse e dê uma de bonzinho. Na maioria das vezes ela é levada pela tentação e termina cometendo os delitos", ressaltou.

Ele também concorda que a única solução para esse tormento dos comerciantes é colocar seguranças não só durante o dia, mas à noite também. "Quando você chega a um local e encontra um policial se sente seguro se você é do bem. Se você entra pensando em fazer coisa errada, pensa duas vezes antes de cometer um delito", explicou.

 

 

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