Mossoró-RN, domingo 16 de julho de 2006

ARQUITETURA DO VERSO
Airton Cilon
Poeta e compositor (Mossoró/RN)
Do livro "Impressão Digital"

Traço a linha do horizonte.
Marco um ponto de fuga
E começo a arquitetura do verso.
Os homens e seus
Membros articulados,
Gesticulam opiniões.
Na política do dia-a-dia,
Moderamos contradições.
Reivindicamos em versos,
Canções, palavras de ordem
E palavrões...
E a arquitetura do verso
Chega a um ponto
De coalizão.

ME PIACE MOLTO
DaMata
Poeta (Natal/RN)

O dia dela foi ontem
Gostosa e apetitosa
Tem pra todo os gostos
Fininha ou rechonchuda

Grande pequena ou brotinho
Pode comer qualquer hora
Pode ser fechada ou aberta
Com recheio ou meio-a-meio

Se quiser pode ser doce
Caramelada ou com banana
Melhor acompanhar um vinho
Junto com muito carinho

Não merecias esse destino
Tudo que é marucataia
Tudo que é sacanagem
Dizem termina em você

Mia querida pi...
Como me gustas de ti
A me piace muitissimo

VONTADE
Fátima Feitosa
Pedagoga (Mossoró/RN)
bellavid_1@hotmail.com

Procuro, mas não me encontro
Meu espaço está ocupado
Pareço estar ausente
Um ser não encontrado.

Em meu lugar habitado
Encontro um novo ser
Que se apossou do meu eu
Invadiu-me sem perceber.

Foi chegando de mansinho
Todo maroto, sorrateiro...
Sem pedir licença foi ficando
Parecendo velho companheiro.

Os espaços ocupando
Preenchendo cada cantinho
Até que resolveu fazer morada
No meu coração, seu ninho.

Hoje comanda os acontecimentos
Se achando autoridade
Manda e desmanda em tudo
Até na minha vontade.

Preciso reencontrar-me
Fazer tudo que sempre fiz
Mas como isso pode acontecer
Se com ele sou mais feliz.

O poeta Mário Quintana nasceu em Alegrete aos 30 de julho de 1906, e faleceu em Porto Alegre aos 5 de maio de 1994. Traduziu obras de imporantes nomes da literatrura mundial como Balzac e Proust e publicou algumas dezenas de livros, alguns deles voltados para as crianças.  

Finalizada as homenagens que O Mossoroense fez aos 120 anos do poeta Manuel Bandeira, passamos a homenagear este outro grande vulto da poesia nacional no seu centenário de nascimento.

O MAPA
Mário Quintana

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...

(E nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...

Ha tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Ha tanta moca bonita
Nas ruas que não andei
(E ha uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...

LEITO DE BREU
Jotta Paiva
Radialista (Apodi/RN)
jottapaiva@hotmail.com

A alma negra se afana
No laço alvo da relva
De noite o branco se abana
No leito morno da selva 

A brisa é pura e desnuda
Pra moça que desfalece
A sorte é cega e muda
Para quem dela se esquece 

O breu recobre os ombros
Dos negros pobres da aldeia
Do passado restam os escombros
Do vulto que tanto odeia 

Cisma, relincha, relata
Grita, mas não diz o nome
Morre. Nas unhas delata
Aquele que morre e não some 

Espera o trem que não passa
Esquece o rumo e a dor
Foge. Esconde-se. Espaça
O que amara com tanto amor

Copyright,© 2000-2006 - Editora de Jornais Ltda - Todos os direitos reservados
Site melhor visualizado em 800x600

contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site