|
ARQUITETURA DO VERSO Airton
Cilon Poeta e compositor (Mossoró/RN) Do livro
"Impressão Digital"
Traço a linha do horizonte. Marco
um ponto de fuga E começo a arquitetura do verso. Os
homens e seus Membros articulados, Gesticulam
opiniões. Na política do dia-a-dia, Moderamos
contradições. Reivindicamos em versos, Canções,
palavras de ordem E palavrões... E a arquitetura
do verso Chega a um ponto De coalizão.
ME PIACE MOLTO DaMata Poeta
(Natal/RN)
O dia dela foi ontem Gostosa e
apetitosa Tem pra todo os gostos Fininha ou rechonchuda
Grande pequena ou brotinho Pode
comer qualquer hora Pode ser fechada ou aberta Com
recheio ou meio-a-meio
Se quiser pode ser doce Caramelada
ou com banana Melhor acompanhar um vinho Junto
com muito carinho
Não merecias esse destino Tudo
que é marucataia Tudo que é sacanagem Dizem termina
em você
Mia querida pi... Como me gustas
de ti A me piace muitissimo
VONTADE Fátima Feitosa Pedagoga
(Mossoró/RN) bellavid_1@hotmail.com
Procuro, mas não me encontro Meu
espaço está ocupado Pareço estar ausente Um
ser não encontrado.
Em meu lugar habitado Encontro
um novo ser Que se apossou do meu eu Invadiu-me
sem perceber.
Foi chegando de mansinho Todo maroto,
sorrateiro... Sem pedir licença foi ficando Parecendo
velho companheiro.
Os espaços ocupando Preenchendo
cada cantinho Até que resolveu fazer morada No
meu coração, seu ninho.
Hoje comanda os acontecimentos Se
achando autoridade Manda e desmanda em tudo Até
na minha vontade.
Preciso reencontrar-me Fazer tudo
que sempre fiz Mas como isso pode acontecer Se
com ele sou mais feliz.
O poeta Mário Quintana nasceu em Alegrete
aos 30 de julho de 1906, e faleceu em Porto Alegre aos
5 de maio de 1994. Traduziu obras de imporantes nomes
da literatrura mundial como Balzac e Proust e publicou
algumas dezenas de livros, alguns deles voltados para
as crianças.
Finalizada as homenagens que O Mossoroense
fez aos 120 anos do poeta Manuel Bandeira, passamos
a homenagear este outro grande vulto da poesia nacional
no seu centenário de nascimento.
O MAPA Mário Quintana
Olho o mapa da cidade Como quem
examinasse A anatomia de um corpo...
(E nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita Das ruas
de Porto Alegre Onde jamais passarei...
Ha tanta esquina esquisita, Tanta
nuança de paredes, Ha tanta moca bonita Nas ruas
que não andei (E ha uma rua encantada Que nem
em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses, Poeira
ou folha levada No vento da madrugada, Serei um
pouco do nada Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar Pareça
mais um olhar, Suave mistério amoroso, Cidade
de meu andar (Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...
LEITO DE BREU Jotta Paiva Radialista
(Apodi/RN) jottapaiva@hotmail.com
A alma negra se afana No laço alvo
da relva De noite o branco se abana No leito morno
da selva
A brisa é pura e desnuda Pra moça
que desfalece A sorte é cega e muda Para quem
dela se esquece
O breu recobre os ombros Dos negros
pobres da aldeia Do passado restam os escombros Do
vulto que tanto odeia
Cisma, relincha, relata Grita,
mas não diz o nome Morre. Nas unhas delata Aquele
que morre e não some
Espera o trem que não passa Esquece
o rumo e a dor Foge. Esconde-se. Espaça O que
amara com tanto amor
|