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Acessibilidade é tema de semana nacional

 

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Mossoró iniciou a Semana Nacional do Excepcional. As comemorações alusivas prosseguirão até o próximo domingo quando será encerrada com uma missa em ação de graças pelo dom da vida do colaborador, a ser celebrada pelo padre Flávio Augusto. O tema do evento deste ano é "Acessibilidade: um caminho para a inclusão".

"Escolhemos este tema por conta da enorme dificuldade que existe de inclusão dos portadores de necessidades especiais, sobretudo dos portadores de síndrome de Down", explica Teresa Cristina Araújo Duarte, presidenta voluntária da entidade.

A inclusão de portadores de necessidades especiais no mercado de trabalho tem sido uma luta constante. O problema é ainda mais grave quando se trata de pessoas com deficiência mental. Eles são os mais excluídos.

Através de um trabalho contínuo de valorização, a Apae têm conseguido inserir alguns deles no mercado de trabalho, muito embora reconheça que faltam oportunidades.

"São raríssimas as oportunidades de emprego oferecidas aos deficientes mentais", diz Teresa Cristina, lembrando que muitos deles constituem famílias, têm casas e que só por isso já mereceriam uma chance no mercado de trabalho.

As empresas muitas vezes para cumprir o que determina a lei acabam contratando, sendo que lá dentro os portadores de necessidades especiais começam a esbarrar em dificuldades.

Muitas vezes os problemas de acessibilidade de emprego começam a partir da estrutura física do local onde o deficiente vai trabalhar que impede sua locomoção com fluidez, como escadarias, falta de banheiros adaptados, de máquinas e equipamentos de informática, entre outros.

O Rio Grande do Norte conta atualmente com 16 unidades da Apae. Todo o potencial desenvolvido por nossos jovens e adultos vem também do trabalho de apoio desde os primeiros instantes em que a síndrome de Down é detectada.

A Apae tem como missão promover o bem-estar, a proteção e o ajustamento em geral de indivíduos excepcionais, onde quer que se encontrem, estimular os estudos e pesquisas relativos ao problema dos excepcionais.

O termo "excepcional" é interpretado de maneira a incluir crianças, adolescentes e adultos que se desviam acentuadamente para cima ou para baixo do nível dos indivíduos normais em relação a uma ou várias características emocionais, mentais, físicas ou qualquer combinação dessas, de forma a criar um problema especial com referências à sua educação, desenvolvimento e ajustamento.

Mercado de trabalho é estimulado a abrir vagas

Embora a maioria das empresas ainda faça vista grossa à inclusão de jovens e adultos portadores de síndrome de Down, o mercado de trabalho para eles vai aos poucos sendo uma conquista.

A Auxiliar de Serviços Gerais (ASG) Cadidja Ramony é um bom exemplo disso. Há mais de um ano ela vem exercendo diversas funções na Skanska, uma multinacional do setor de serviços, construção, desenvolvimento de projetos e gerenciamento de instalações na área de óleo e gás.

A jovem de 19 anos tem se mostrado bastante feliz com as funções que desempenha e conta que suas tarefas do dia-a-dia incluem a faxina de escritórios, além de trabalhos administrativos, como fazer copiais xerográficas e organizar documentação. "É muito bom trabalhar aqui", diz.

"A Ramony vem se saindo muito bem como ASG, inclusive mostrando interesse em crescer aqui dentro, porque não a mantemos aqui por caridade, mas sim como uma funcionária como outra qualquer", ressalta Gustavo Javier Espalter, gerente administrativo e financeiro da empresa em Mossoró.

A Skanska vem desenvolvendo um programa de inclusão chamado de Projeto Especial, em parceria com instituições que dão assistência aos portadores de necessidades especiais.

Teresa Cristina, da Apae, diz que exemplos como o da Skanska deveriam ser seguidos, lembrando que as empresas precisam formar parcerias para capacitar os portadores de necessidades especiais antes de contratá-los.

"As empresas muitas vezes se dispõem a contratar, só que não se preparam para ter em seus quadros funcionários com necessidades especiais", finaliza.

 

 

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