Mossoró-RN, domingo 20 de agosto de 2006

Laíre Rosado Filho

O médico Laíre Rosado Filho, 60, tem quatro filhos e, além de ser o diretor presidente deste centenário diário, foi deputado estadual de 1987 a 1991, deputado federal por três mandatos, até 2003, quando resolveu abandonar a política partidária. No governo de Geraldo Melo foi secretário de Ação Social e nos governos de Garibaldi Filho e Wilma de Faria, secretário de Agricultura. No jornal O Mossoroense colabora diariamente com uma coluna de assuntos variados, além da TV Mossoró, canal 7, onde apresenta o programa Cenário e na Rádio 93 FM, no programa Observador Político, onde faz comentários. Seu “hobby” é a leitura. Laíre é, sobretudo, uma pessoa tranqüila e sincera, que mantém um bom relacionamento com as pessoas. Conversei com ele sobre vários assuntos, enfocando principalmente as questões políticas, devido ao período eleitoral que estamos vivendo.

Por Leonardo Sodré
Editor Geral

O MOSSOROENSE - Você é um homem ponderado, mesmo sofrendo ataques de parte da imprensa mossoroense que insiste em lhe relacionar ao episódio das ambulâncias sem apresentarem provas. De onde vem tanta paciência?

Laíre Rosado Filho - Tem sido um grande teste de paciência. Talvez, o maior de minha vida. Acredito que ter a consciência tranqüila é o principal motivo. Desde o mês de maio que alguns jornais publicam,  republicam, publicam novamente a mesma notícia, requentando-a e tentando mostrar como um fato novo. Até hoje, não fui notificado. Quando Garibaldi Alves foi governador, um preso, acusado de homicídio, Luís Gusson, acusou seu governo de desmandos administrativos. Teve seu nome citado nas grandes revistas de circulação nacional. Foi notícia do Jornal da Globo e do noticiário de Boris Casoy, torcendo a boca e dizendo, “isso é uma vergonha”. O deputado Henrique Alves também foi motivo de denúncias na Veja e Isto É, acusado de lavagem de dinheiro. A capa da revista tinha a manchete, Lavanderia Nordeste. O senador Fernando Bezerra, teve que provar que era inocente, quando acusado do uso indevido de recursos da Sudene. A prefeitura de Mossoró está sendo investigada pela Polícia Federal, que confiscou os computadores da Secretaria da Saúde e investiga acusações de irregularidades contra médicos que atendem usuários do SUS. Certos homens de imprensa que se satisfazem com essas especulações tem re gistrados, por diversas ocasiões, atitudes que se constituem em verdadeiros crimes que variam de comportamento ilícito a violências sexuais. O melhor remédio contra tudo isso é a paciência. O tempo fará justiça.    

OM -  Quando se perde um filho, parece que um pedaço do pai vai junto com ele para Deus. Um vazio imenso no peito. Como você se sente após cinco anos da morte de Vingt Neto?

LRF - Pior. A cada ano que passa, aumenta a saudade. Logo após a morte de  Vingt, uma senhora me disse que rezava por mim e por Sandra, todos os dias. Agradeci muito e ela me revelou que também havia perdido um filho, e chorava todos os dias. Perguntei há quanto tempo ela carregava essa dor. Ela me respondeu que o filho havia desaparecido há 47 anos. Foi um choque, mas aprendi que a dor seria permanente.

O MOSSOROENSE - Você desistiu de ser político com mandato. Por  que?

LRF - A morte do meu filho criou um grande vazio em minha vida. Perdi a vontade de viver. Esse é o sentimento de todos que passam por essa provação. Enquanto a política ajuda a Sandra a suportar a dor, comigo o efeito foi inverso. Continuo pensando em permanecer afastado. Aceitei assumir a Secretaria de Agricultura por conta de Sandra e Larissa que sempre me ajudaram muito. Foi bom. Revi muitos amigos e pude fazer um bom trabalho, reconhecido por todos.

OM - Como você analisa as propostas dos candidatos a presidência da República?

LRF  - Votei em Serra, que tinha o apoio do partido a que pertencia naquele momento, o PMDB. Nas conversas, mostrava que o Brasil só teria governabilidade com a eleição de Lula. Como presidente, Lula também teve que negociar com os adversários, aceitar princípios que ele, antes, combatia. Ser governo é diferente de estar na oposição. A responsabilidade é maior e discurso não pode ser vazio.

OM - As campanhas políticas deste pleito estão mornas, quase paradas. A falta de atrações em comícios não tem motivado os eleitores. Como você vê isso?

LRF - Estou curioso para ver o resultado final. A campanha está mais civilizada. O eleitor está mais próximo aos candidatos. Espero que as conseqüências sejam positivas e as regras possam ser mantidas.

OM - Geraldo Melo tem dito que os eleitores não enguliram a aliança entre os históricos inimigos políticos Garibaldi Filho e José Agripino. Você concorda com essa afirmação?

LRF  - Até o momento, é isso que está acontecendo. Adversários tradicionais, as duas lideranças e seus seguidores trocavam acusações permanentes. José Agripino, no Senado, fez um violento discurso contra Garibaldi, no caso Gusson que referi anteriormente. Fica difícil aceitar uma aliança, sem maiores explicações.

OM - A ex-prefeita Rosalba Ciarlini recebeu 800 mil em emendas propostas por Múcio Sá para compra de ambulâncias. A gerente executiva da Saúde de Mossoró Dorinha Burlamaqui não sabe quantas foram compradas, quantas estão em uso, mas insinua que algumas, com apenas três anos de uso, já foram à leilão. O que você acha disso, considerando que o grupo de Rosalba fala tanto em “sanguessuga”?

LRF - Estranhei bastante. Soube, inclusive, que seus colaboradores mais próximos discordaram do discurso. Comprar ambulâncias não se constitui em crime. A verba utilizada pela ex-prefeita foi de autoria do ex-deputado Múcio Sá. Se aceitou, não devia bater. Terminou incomodada sem poder explicar onde se encontram algumas dessas ambulâncias. Transferiu a responsabilidade para a atual prefeita que, até o momento, também não deu qualquer explicação.  

OM - É correto um político propor emendas para desconhecidos municípios, onde ele provavelmente nunca pôs os pés? É verdade que o deputado Betinho Rosado (PFL) destinou emendas para municípios de outros Estados?

LRF - Um deputado pode colocar emendas para qualquer município brasileiro. O mais correto seria encaminhalas para o seu Estado de origem e, principalmente, para os municípios onde recebe as melhores votações. O fato do deputado Betinho Rosado colocar suas emendas para outros Estados, como Rondônia e Maranhão, gerou muita especulação. O verdadeiro motivo, somente ele poderá explicar, já que não essa atitude não tem justificativa.

OM - Mossoró é um município que recebe muitos recursos. Entretanto, muita coisa ainda precisa ser feita pela cidade que sofre com pavimentação ruim, trânsito mal gerido, insegurança, poluição (Rio Mossoró, por exemplo) e falta de  urbanização, entre outros problemas. O que falta? Vontade política? Uma boa equipe?

LRF - Mossoró é uma cidade que tem um crescimento muito acelerado. Isso independe do Poder Público que, muito ao contrário, tem que investir mais para atender à todas as necessidades. Criou-se uma expressão que traduz tudo isso, “Mossoró é uma cidade maquiada”. Com um orçamento invejável, uma boa administração transformaria a cidade, tornando-a um grande pólo de investimento.

OM - O que você mais gosta de fazer: medicina, política ou escrever?

LRF - Gosto dos três. Entretanto, hoje, minha grande paixão é a comunicação. Sinto-me realizado quando estou integrado nesse sistema, não importando que seja o rádio, o jornal ou a televisão. Aliás, acredito que o jornalismo é o mais apaixonante de todos eles.

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