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Laíre
Rosado Filho
O médico Laíre Rosado
Filho, 60, tem quatro filhos e, além de ser o diretor
presidente deste centenário diário, foi deputado estadual
de 1987 a 1991, deputado federal por três mandatos,
até 2003, quando resolveu abandonar a política partidária.
No governo de Geraldo Melo foi secretário de Ação Social
e nos governos de Garibaldi Filho e Wilma de Faria,
secretário de Agricultura. No jornal O Mossoroense colabora
diariamente com uma coluna de assuntos variados, além
da TV Mossoró, canal 7, onde apresenta o programa Cenário
e na Rádio 93 FM, no programa Observador Político, onde
faz comentários. Seu “hobby” é a leitura. Laíre é, sobretudo,
uma pessoa tranqüila e sincera, que mantém um bom relacionamento
com as pessoas. Conversei com ele sobre vários assuntos,
enfocando principalmente as questões políticas, devido
ao período eleitoral que estamos vivendo.
Por Leonardo Sodré Editor
Geral
O MOSSOROENSE -
Você é um homem ponderado, mesmo sofrendo ataques de
parte da imprensa mossoroense que insiste em lhe relacionar
ao episódio das ambulâncias sem apresentarem provas.
De onde vem tanta paciência?
Laíre Rosado Filho
- Tem sido um grande teste de paciência. Talvez, o maior
de minha vida. Acredito que ter a consciência tranqüila
é o principal motivo. Desde o mês de maio que alguns
jornais publicam, republicam, publicam novamente
a mesma notícia, requentando-a e tentando mostrar como
um fato novo. Até hoje, não fui notificado. Quando Garibaldi
Alves foi governador, um preso, acusado de homicídio,
Luís Gusson, acusou seu governo de desmandos administrativos.
Teve seu nome citado nas grandes revistas de circulação
nacional. Foi notícia do Jornal da Globo e do noticiário
de Boris Casoy, torcendo a boca e dizendo, “isso é uma
vergonha”. O deputado Henrique Alves também foi motivo
de denúncias na Veja e Isto É, acusado de lavagem de
dinheiro. A capa da revista tinha a manchete, Lavanderia
Nordeste. O senador Fernando Bezerra, teve que provar
que era inocente, quando acusado do uso indevido de
recursos da Sudene. A prefeitura de Mossoró está sendo
investigada pela Polícia Federal, que confiscou os computadores
da Secretaria da Saúde e investiga acusações de irregularidades
contra médicos que atendem usuários do SUS. Certos homens
de imprensa que se satisfazem com essas especulações
tem re gistrados, por diversas ocasiões, atitudes que
se constituem em verdadeiros crimes que variam de comportamento
ilícito a violências sexuais. O melhor remédio contra
tudo isso é a paciência. O tempo fará justiça.
OM - Quando
se perde um filho, parece que um pedaço do pai vai junto
com ele para Deus. Um vazio imenso no peito. Como você
se sente após cinco anos da morte de Vingt Neto?
LRF - Pior. A cada
ano que passa, aumenta a saudade. Logo após a morte
de Vingt, uma senhora me disse que rezava por
mim e por Sandra, todos os dias. Agradeci muito e ela
me revelou que também havia perdido um filho, e chorava
todos os dias. Perguntei há quanto tempo ela carregava
essa dor. Ela me respondeu que o filho havia desaparecido
há 47 anos. Foi um choque, mas aprendi que a dor seria
permanente.
O MOSSOROENSE -
Você desistiu de ser político com mandato. Por que?
LRF - A morte do meu
filho criou um grande vazio em minha vida. Perdi a vontade
de viver. Esse é o sentimento de todos que passam por
essa provação. Enquanto a política ajuda a Sandra a
suportar a dor, comigo o efeito foi inverso. Continuo
pensando em permanecer afastado. Aceitei assumir a Secretaria
de Agricultura por conta de Sandra e Larissa que sempre
me ajudaram muito. Foi bom. Revi muitos amigos e pude
fazer um bom trabalho, reconhecido por todos.
OM - Como você analisa
as propostas dos candidatos a presidência da República?
LRF - Votei em
Serra, que tinha o apoio do partido a que pertencia
naquele momento, o PMDB. Nas conversas, mostrava que
o Brasil só teria governabilidade com a eleição de Lula.
Como presidente, Lula também teve que negociar com os
adversários, aceitar princípios que ele, antes, combatia.
Ser governo é diferente de estar na oposição. A responsabilidade
é maior e discurso não pode ser vazio.
OM - As campanhas
políticas deste pleito estão mornas, quase paradas.
A falta de atrações em comícios não tem motivado os
eleitores. Como você vê isso?
LRF - Estou curioso
para ver o resultado final. A campanha está mais civilizada.
O eleitor está mais próximo aos candidatos. Espero que
as conseqüências sejam positivas e as regras possam
ser mantidas.
OM - Geraldo Melo
tem dito que os eleitores não enguliram a aliança entre
os históricos inimigos políticos Garibaldi Filho e José
Agripino. Você concorda com essa afirmação?
LRF - Até o momento,
é isso que está acontecendo. Adversários tradicionais,
as duas lideranças e seus seguidores trocavam acusações
permanentes. José Agripino, no Senado, fez um violento
discurso contra Garibaldi, no caso Gusson que referi
anteriormente. Fica difícil aceitar uma aliança, sem
maiores explicações.
OM - A ex-prefeita
Rosalba Ciarlini recebeu 800 mil em emendas propostas
por Múcio Sá para compra de ambulâncias. A gerente executiva
da Saúde de Mossoró Dorinha Burlamaqui não sabe quantas
foram compradas, quantas estão em uso, mas insinua que
algumas, com apenas três anos de uso, já foram à leilão.
O que você acha disso, considerando que o grupo de Rosalba
fala tanto em “sanguessuga”?
LRF - Estranhei bastante.
Soube, inclusive, que seus colaboradores mais próximos
discordaram do discurso. Comprar ambulâncias não se
constitui em crime. A verba utilizada pela ex-prefeita
foi de autoria do ex-deputado Múcio Sá. Se aceitou,
não devia bater. Terminou incomodada sem poder explicar
onde se encontram algumas dessas ambulâncias. Transferiu
a responsabilidade para a atual prefeita que, até o
momento, também não deu qualquer explicação.
OM - É correto um
político propor emendas para desconhecidos municípios,
onde ele provavelmente nunca pôs os pés? É verdade que
o deputado Betinho Rosado (PFL) destinou emendas para
municípios de outros Estados?
LRF - Um deputado pode
colocar emendas para qualquer município brasileiro.
O mais correto seria encaminhalas para o seu Estado
de origem e, principalmente, para os municípios onde
recebe as melhores votações. O fato do deputado Betinho
Rosado colocar suas emendas para outros Estados, como
Rondônia e Maranhão, gerou muita especulação. O verdadeiro
motivo, somente ele poderá explicar, já que não essa
atitude não tem justificativa.
OM - Mossoró é um
município que recebe muitos recursos. Entretanto, muita
coisa ainda precisa ser feita pela cidade que sofre
com pavimentação ruim, trânsito mal gerido, insegurança,
poluição (Rio Mossoró, por exemplo) e falta de urbanização,
entre outros problemas. O que falta? Vontade política?
Uma boa equipe?
LRF - Mossoró é uma
cidade que tem um crescimento muito acelerado. Isso
independe do Poder Público que, muito ao contrário,
tem que investir mais para atender à todas as necessidades.
Criou-se uma expressão que traduz tudo isso, “Mossoró
é uma cidade maquiada”. Com um orçamento invejável,
uma boa administração transformaria a cidade, tornando-a
um grande pólo de investimento.
OM - O que você
mais gosta de fazer: medicina, política ou escrever?
LRF - Gosto dos três.
Entretanto, hoje, minha grande paixão é a comunicação.
Sinto-me realizado quando estou integrado nesse sistema,
não importando que seja o rádio, o jornal ou a televisão.
Aliás, acredito que o jornalismo é o mais apaixonante
de todos eles.
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