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QUESTÃO DE CONFIABILIDADE

Estou sempre insistindo na questão da coerência. É preciso ter cuidado nas declarações e nas posições assumidas. Sem isso, as contradições atrapalham os candidatos, quando submetidos à curiosidade dos eleitores. Essa regra é válida para todas e acabou-se o tempo em que o político se faz de inocente e reconhece que havia errado em julgamentos anteriores. A súbita união do PFL com o PMDB tem causado muitas dificuldades aos seus representantes e dado motivo para as mais contundentes críticas. Indefensáveis, até, pois ditas de público e veiculadas nos meios de comunicação. Não existe possibilidade de desmentidos.

A lição parece não ter sido aprendida. Ontem, em Natal, a ex-prefeita Rosalba Ciarlini foi entrevistada em um programa de rádio. Perguntada sobre o resultado da pesquisa realizada pela Consult, em que ela havia ultrapassado o senador Geraldo Melo, mesmo que dentro de um empate técnico, ela ficou satisfeita. Revelou que o resultado coincidia com as pesquisas que o seu grupo político vinha realizando para consumo interno. Confirmou a pesquisa. Logo em seguida, o apresentador lhe indagou sobre a diminuição constante da diferença entre os candidatos a governador, Wilma de Faria e Garibaldi Alves. Havia uma queda de 28% das intenções de votos para apenas 3.7%. Nesse instante, ela disse que a Consult era suspeita, pois trabalhava para a coligação Vitória do Povo. Revelou que aceitava os dados referentes ao Senado, mas desconfiava do resultado para o governo do Estado. Em outras palavras, poderia ser levantada a suspeita que o Instituto de Pesquisa trabalhava para a governadora Wilma e, no caso, para ela própria, quando se referia ao Senado.

É preciso ter coerência, estabilidade emocional. Sabe-se que os ânimos ficam acirrados, durante uma campanha política. O eleitor, entretanto, está acompanhando com mais isenção. Sabe o que está se passando. Há pesquisas para todos os gostos, mas, hoje, é difícil escamotear os resultados. Antes da divulgação, é obrigatório o registro da pesquisa no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), ficando a disposição de todos aqueles que quiserem solicitá-la e analisá-la. Depois, todas as coligações contrataram institutos que realizam suas próprias pesquisas.

As atenções estão voltadas para as próximas pesquisas, com a divulgação de um resultado do Ibope, pelo meio.  O jogo está nervoso. O nível dos debates não está dos melhores. A grande imprensa vem sendo utilizada para atingir os que disputam mandatos eletivos. É o primeiro caminho para trazer o assunto para o sítio local. As revistas Veja, IstoÉ e Época estão fazendo esse trabalho, englobando o país inteiro. Por isso tudo é que a mensagem transmitida no horário eleitoral gratuito cresce de valor. O tempo está encurtando e o pleito está longe de ser decidido. Cada vez vale a pena errar menos para ser vitorioso.

 

 

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