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RESTOS Cefas
Carvalho Jornalista (Natal/RN)
Tudo de mim que restou Do
horror que me fizeste É a conta que nos sobrou De
nosso período da peste
Tudo de mim que permanece Do
mal que me lançaste É o pouco que tu mereces Da
raiva que não aplacaste
Tudo de mim que apodrece O
que definha e morre pagão É o pouco que me socorre Quando
da chegada do Cão
Tudo de mim que regurgita A
ceia voltada à garganta Como um coração que grita E
a todos os males espanta
SEIOS Jaécio
de Oliveira Carlos Poeta (Natal/RN) jaecio-carlos@uol.com.br Do
livro “Poemas Explícitos”
Gostas quando levemente repouso
minhas mãos sobre teus seios no instante de beijos
fartos, vagarosos sobre eles...
massagens de energia acompanham
o deleite da minha língua passeando suavemente em
toda a extensão horizontal desses pequenos montes
moreno-claros...
nos enclausuramos sob
a tênue luminosidade vinda da janela em arco cheia
de raios mostrando o céu de esparsas nuvens...
o som baixinho das
nossas canções preferidas faz o clima ameno ser
cúmplice desses instantes plenos...
minhas mãos mexem-se em
movimentos que gostas
teus seios cada vez
mais em minha boca produzem delírios de uma sedução
infinda...
um beija-flor se equilibra
sugando o néctar dos teus desejos mais profundos e
suspiras um suspiro profano
teus olhos fechados imaginam
viagens etéreas em fantasias multicores e uma
flor amarela se abre em perfumes secretos...
o reflexo da luz em
teus seios molhados colore ainda mais a morenice
desse corpo em agonia e um piano suaviza nossos canções com
melodias de divindades...
... a viagem continua em
teus contornos de princesa e uma rosa aparece intacta em
minhas mãos.
BILHETE Mário
Quintana
Se tu me amas, ama-me
baixinho Não o grites de cima dos telhados Deixa
em paz os passarinhos Deixa em paz a mim! Se me
queres, enfim, tem de ser bem devagarinho, Amada, que
a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
EU Júlio
Romão Estudante (Mossoró/RN)
Por que me sentir bem? Não
tenho motivos para isso. Sozinho no mundo sem ninguém; jogado
como um saco de lixo.
Sem sentidos, sem
paciência, sem memória clara. Não sei o que sou, não
sei o que quero. A frieza me possuiu; sou um imenso
iceberg.
E assim vivo narrando, a
minha vida, vou contando; sem sequer um toque seu. Sem
sequer um beijo teu.
Desejaria até o teu
desprezo. Tudo é melhor, do que me sentir rejeitado. Em
grande parte, sou o principal culpado disso. Tudo,
por ser frio, calculista e desligado.
ASTROLÁBIOS Sílvio
Atanes Escriba digital e repórter de papel (Santos/SP)
Neste trêmulo catre
da alvorada atroz Escotilhas mancham masmorras de
pó Soltam tênues amarras do banzo gonzo E Dulcinéias
escapam do arco-celeste Dos olhos abissais dos porta-retratos
Desde a Figueira da
Foz até Vigo Vascos amalgamados singram sóis Gálatas
galícios vibram vitupérios E gélidas sereias louvam
a virtude De garbosos cavaleiros de nanquim
Girândolas giras desafiam
quixotes Desde trôpegas taprobanas até as Ocidentais
praias da memória algoz Trovas de rotos lábios astrais
vertem Jacobinos caminhos de tanta luz anil
A tênue tez da terra
dos desterrados Destila o zinabre da pena gauche
e vil A escorrer as lágrimas da alma torta E a
viola-marola marulha barulhos Nas amuradas das velas
levitantes.
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