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ENOAL I - à guisa
de explicação
“Lutar com palavras }é a luta mais
vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã”.
Drummond
Foi em meados de junho último que
mantive os primeiros contatos com o escritor e dentista
Rubens Azevedo, presidente da Sociedade Brasileira de
Dentista Escritores (SBDE), e idealizador do Encontro
Norte e Nordeste de Autores Literários (Enoal) que se
aproximava da sua quarta edição.
Anteriormente o evento já havia sido
realizado em Natal, Fortaleza e João Pessoa, respectivamente,
e, agora, imaginava-se que a “capital da cultura do
oeste potiguar” seria o lugar ideal para sediar esta
nova edição.
Na ocasião, expliquei-lhe que, sozinho
seria impossível organizar algo desta natureza, mas
que entraria em contato com os representantes das demais
instituições culturais da cidade e que procuraria ver
com estes, as melhores condições para a feitura do evento
em Mossoró, o que foi amplamente acatado por todos.
Acertamos que a data mais apropriada
seria durante o período da “Feira do Livro de Mossoró”,
visto que é um encontro de autores, dentro de uma feira
literária, nada mais em comum.
Rubens reuniu-se com Rilder Medeiros,
organizador da “Feira de Mossoró” muitos dias antes
da realização dos dois eventos e ficou acertado entre
ambos a divulgação conjunta (Feira/Enoal), inclusive
questionando-se a participação de pessoas que estariam
nas duas programações e concluindo-se que nada havia
demais que fizessem palestras na mesma semana, visto
que os temas eram diferenciados.
Eis que chegou a Feira e eu procurei
uma vírgula que fosse sobre a programação do Enoal.
Nada. Nenhuma menção ao evento tão discutido anteriormente.
Ainda na tarde do dia 8, primeiro
dia da Feira, encontrei-me com Rilder, este que já havia
falado com Rubens e acertado que na solenidade de abertura
também seria citado a realização do evento da SBDE naquele
período, acerto que também não foi cumprido.
Às pressas improvisei uma programação
impressa e a distribui entre os transeuntes, numa tentativa
última de fazer repercutir aquele evento. Tudo em vão.
Um sistema de auto-falantes da organizadora
oficial não tinha funcionalidade, só servia de enfeite.
Muitas foram as vezes que tive que pedir para divulgarem
uma coisa ou outra.
Funcionários da Estação das Artes
ignoravam a realização daquele encontro de escritores
e mesmo com o auditório sendo utilizado bem embaixo
das suas ventas, teimavam em deixar os portões fechados
e alguns até desconheciam as nossas presenças naquele
ambiente.
Quero, por tudo no mundo, crer que
não houve má vontade por parte dos organizadores da
prima rica, a “Feira de Mossoró”, apesar de todas as
aparências indicarem isto. Quero não polemizar, porque
de nada mais adianta reclamar, mas quero deixar explícita
a minha indignação com a indiferença com a qual fomos
tratados.
Por último, quero agradecer àqueles
que mesmo diante de uma platéia ínfima não mediram esforços
para tecer comentários riquíssimos para o engrandecimento
da verdadeira cultura desta cidade.
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