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A volta da Sudene

A decisão de fechar a Sudene e a Sudam não contou com o apoio da classe política nacional. A presença do senador Fernando Bezerra, um norte-rio-grandense, no Ministério da Integração, dava como que uma segurança de que isso não viesse a acontecer. No final, o senador era um dos maiores entusiastas dessa medida. A explicação era a necessidade de uma transformação nessas estruturas, por conta do elevado índice de corrupção existente. Na disputa presidencial, o anúncio do candidato Lula de que reabriria tanto a Sudene quanto a Sudam, devolveu o brio aos nordestinos e aos nortistas, que viam em José Serra um candidato que só trabalharia pensando no Sudeste, mais precisamente em São Paulo.

Um outro nordestino, Ciro Gomes, deverá ficar na história como o político cearense que reabriu a Sudene e a Sudam. Nomeado ministro da Integração Nacional, adotou as primeiras providências concretas nesse sentido. Reuniu-se com os governadores do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe e Alagoas, recebendo as primeiras sugestões sobre o modelo do novo órgão de fomento à região. Na oportunidade, os governantes nordestinos pediram, além da recriação da Sudene, a criação de programas permanentes para combater a seca e atacar a pobreza. A nível ministerial, Ciro Gomes já criou um grupo de trabalho para discutir a reestruturação do órgão.

Deve-se destacar a presença da governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria, que foi indicada coordenadora informal do grupo. Durante a reunião, ficou enfatizado que programas emergenciais não bastam para enfrentar os problemas socioeconômicos do Nordeste. Foi dado ênfase aos programas educacionais e de recursos hídricos. Com relação a este último, o nosso Estado tem uma larga experiência. O ex-governador Garibaldi Filho priorizou essas ações, em seu governo, e os resultados foram altamente compensadores. Agora, deve ser retomada a discussão da transposição de águas para o Nordeste. Para evitar a discussão estéril da transposição das águas do rio São Francisco, seria importante abrir o debate para a transposição do rio Tocantins. Os custos aumentariam muito pouco e ninguém reclamaria dessa operação. O Nordeste já perdeu muito tempo e precisa dessas providências com a máxima urgência.

 

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Mossoró-RN, quinta-feira, 23 de janeiro de 2003