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Turbulências
à vista
O governo
federal enfrenta problemas com um auxiliar,
acusado de corrupção. O governo estadual
enfrenta problemas com um auxiliar, por
conta de orientação política. Em Brasília,
o ministro será demitido, ou “pedirá demissão”,
no dia primeiro de fevereiro, quando assumir
a cadeira de deputado federal. Em Natal,
o presidente de uma Fundação continuará
no cargo se a governadora Wilma de Faria
recuar de suas indicações para cargos no
órgão que dirige. O afastamento do ministro
dos Transportes evitará que o governo Lula
seja contaminado por um elo podre. Mesmo
assim, esperar até o início de fevereiro
pode ser uma decisão desgastante, pois parece
faltar força ao presidente Lula, ante a
decisão de um partido, o PL, que lhe apoiou
nas últimas eleições. Aceitando o ultimato
do seu auxiliar, Wilma comprometerá sua
administração, pois muitos dos seus secretários
estão ansiosos por uma atitude semelhante.
Não são poucos os que discordam dos nomes
que lhe empurraram goela abaixo. Governar
é também administrar conflitos. E eles são
uma permanente em todas as situações. Lula
tem mostrado seu poder de centralização.
Wilma é conhecida pelo seu estilo próprio
de fazer política. Ela e Lula derrotaram
forças tradicionais, aliando-se a outras
forças mais tradicionais ainda. Entretanto,
conseguiram transmitir a imagem de que algo
novo havia sido vitorioso. Isso faz a diferença.
Por não serem o novo, Lula terá que administrar
com políticos como Sarney, ACM, Quércia,
para citar apenas três deles. Wilma terá
que aceitar opiniões de José Agripino, Fernando
Bezerra e Vivaldo Costa. Desejam fazer uma
administração progressista, mas estarão
aliados aos tradicionais na política. Será
necessário um jogo de muita paciência para
administrar esses contrários. Impossível
não é, mas serão muitos os atropelos pelos
caminhos do futuro. Certa vez comentei sobre
o aspecto do poder que os governantes não
conseguem ter.Chega um momento em que suas
ordens não são seguidas, ou obedecidas.
Isso pode até ser aceitável no final da
administração. Em início de governo, isso
não pode ser admitido, ou o governo acabará
antes do tempo.
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