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A polêmica feira de pássaros

Convenhamos que o Ibama já fez dezenas de investidas em operações na nossa região com o objetivo de frear o impulso dos caçadores com as suas permanentes feiras de pássaros e o abate indiscriminado. Mas, invariavelmente, as ações oficiais são vencidas, principalmente, pela persistência dos que lidam com esses pássaros.

As punições exemplares nesse sentido têm resultado em pouca ou nenhuma validade também, pois, por exemplo, os caçadores de avoetes todos os anos mobilizam um grande contingente. No meio disso, o Ministério do Meio Ambiente está lançando a Campanha Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres com o claro objetivo de sensibilizar a população para ficar em alerta contra a captura, o criatório em condições irregulares, o comércio e o transporte de espécimes da fauna silvestre. Com essa mobilização, reconheçamos, tenta evitar a extinção, pura e simples, de um patrimônio biológico ímpar no mundo.

No meio da discussão aparece a corrente que defende a tese de que as feirantes de pássaros com a sua prática não promovem a extinção das espécies, mas, sim, contribuem para a sua preservação, pois o objetivo final não é o de matar os pássaros ou animais silvestres mas, sim, de criá-los. Só que em cativeiro.

O que também devemos reconhecer é que, principalmente aqui na nossa região Nordeste, há o costume antigo e bastante disseminado das famílias, por conta do quadro de fome reinante por aqui, de abater determinados tipos de animais para a sua alimentação em razão da não-existência de outro tipo de alternativa alimentar. Em paralelo a isso, funciona o contrabando que se constitui em outra ameaça e contribui também para a extinção de determinadas raças e espécies.

Ainda em paralelo a isso nós somos testemunhas como aves do tipo galo de campina, canários, golinhas, papa-arroz e o sabiá, são aves que não se encontram mais facilmente nas matas da nossa região mossoroense nem adjacências. As blitze empreendidas pelo Ibama provocam efeito imediato, que é o de impedir a comercialização dessas espécies, pois esses animais assim vendidos não conseguem repor os estoques. E a fauna nunca mais será a mesma.

Tem de haver, em primeiro plano, a garantia de ofertas de atividades produtivas, geradoras de renda para se evitar ampliar, justamente, o quadro de miséria absoluta no nosso sertão, quando o sertanejo recorre a essa prática ilícita para matar a fome. O que é certo é que só a aplicação da lei penal não vai resolver adequadamente a questão. É o nosso pensamento.

 

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Mossoró-RN, domingo, 23 de fevereiro de 2003