CLÁUDIO MONTEIRO
 
 ATUALIZAÇÕES ÀS QUINTAS
 


                  GUERRA PARTICULAR DO                            DÉSPOTA BUSH
 

                                                          

                   Provavelmente, quando você estiver lendo esta minha coluna, as bombas já estejam  sendo despejadas sobre a população de Bagdá e a guerra particular de Bush contra o Iraque já tenha ceifado centenas de vidas. Terá, também, abatido os esforços dos últimos 57 anos para uma ordem socioeconômica mais justa e condizente com a evolução da humanidade.
 
                 
Digo guerra particular de Bush principalmente por dois motivos. Primeiro que eleito presidente com maioria inexpressiva de cerca de 500 votos --  decidida justamente no estado da Flórida, onde seu irmão era o governador   --   o filho quer "completar o trabalho" inacabado do pai, George Bush, então presidente dos EUA, em 1991, quando atacou o Iraque; promoveu uma guerra desnecessária e não conseguiu destituir o presidente Saddam. Ao contrário, Bush pai, parece ter fortalecido o ditador. Passados 12 anos, o prestígio interno e adoração do povo pelo mandatário iraquiano cresceram, apesar do país enfrentar sérias dificuldades estruturais.
 
                   Segundo porque os "aliados" que Bush insiste em se referir se resumem a três países, ou melhor dois --  Inglaterra e Austrália  --  que estão entrando de corpo, alma e com tropas e a Espanha de corpo e alma, mas sem soldados. Mesmo esses paises, enfrentam resistências internas. Tony Blair, o primeiro ministro, vai entrar na guerra contra a vontade da  maioria dos britânicos e de seu próprio partido. O líder do governo e dois ministros de seu gabinete já renunciaram por discordar da decisão.  A Austrália foi cooptada por Bush de última hora, enfrenta manifestações contrárias em seu território, e é óbvio que o número de soldados que fornecerá, entre o contingente total de 250 mil homens, será simbólico. Já a Espanha, levada pelo arroubo do primeiro ministro José Maria Aznar, está entrando literalmente de "gaiata no navio". Aznar deveria estar mais preocupado com o real perigo intra-muros, que são os separatistas bascos: pela causa e pelo ideal acabam agindo de forma violenta. Saddam não é ameaça para os espanhóis.  Os outros paises "aliados" estão entrando apenas com o verbo, com declarações de apoio.  
 
                  
Por outro lado, dois arrogantes argumentos chamam atenção nas teclas em que Bush insiste em bater para tentar justificar a invasão não autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU e reprovada pela esmagadora maioria da opinião pública mundial O  argumento de que o Iraque esconde armas de destruição em massa  --  fato não comprovado nem pela CIA, nem pelo FBI, nem tampouco pelos inspetores da ONU  -- não resiste a menor análise. Os EUA as tem às centenas, aos milhares, porque o Iraque, ou qualquer outra nação soberana não pode ter ??  Já afirmar  que Saddam Hussein por ser um ditador, um déspota e, por isso, deve ser caçado e eliminado, além de revelar a prepotência de Bush em querer se arvorar no direito dele e dos Estados Unidos decidirem quem deve morrer, soa também estranho o rótulo. Afinal, o presidente americano pode perfeitamente ser classificado de déspota, na melhor acepção da palavra, ao achar que, pela supremacia bélica e econômica, ele e o seu país estão acima do bem e do mal.
 
                   
Na verdade, os  reais motivos de Bush são inconfessáveis e vão muito além e pra lá de Bagdá. São o projeto de redefinir o quadro geopolítico no Oriente Médio --  passando por cima da autodeterminação dos povos e nações da região  -- e a intenção velada de controlar a reserva petrolífera iraquiana, segunda maior do mundo. Anotem aí: vencida a guerra, as sete companhias irmãs do petróleo americano vão administrar as reservas e recuperar a "sucateada indústria petrolífera, hoje nas mãos do demônio Saddam" .
 
                 
 O déspota Bush será responsável direto não só pela morte de milhares de soldados e civis, mas também por ataques suicidas que sejam lançados em forma de retaliação pelo déspota Saddam. Mais do que isso, será o culpado por subverter a ordem socioeconômica mundial e provocar a desmoralização da ONU.
 

 
                  Uma boa semana para todos  --  guerra é guerra, mesmo lembrando a xenofobia dos ano 70 e 80, talvez não seja má idéia endossar o apelo que circula na Internet de boicote, pacífico,  aos produtos americanos
  --  quinta-feira (27/03) eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia! 

 

CLÁUDIO MONTEIRO

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Mossoró-RN, quinta-feira, 20 de março de 2003