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GUERRA
PARTICULAR DO DÉSPOTA BUSH Provavelmente, quando você estiver
lendo esta minha coluna, as bombas já estejam sendo despejadas sobre a
população de Bagdá e a guerra particular de Bush contra o Iraque já tenha
ceifado centenas de vidas. Terá, também, abatido os esforços dos últimos 57 anos
para uma ordem socioeconômica mais justa e condizente com a evolução da
humanidade. Digo guerra particular de Bush
principalmente por dois motivos. Primeiro que eleito
presidente com maioria inexpressiva de cerca de 500 votos -- decidida
justamente no estado da Flórida, onde seu irmão era o governador -- o filho
quer "completar o trabalho" inacabado do pai, George Bush, então presidente dos
EUA, em 1991, quando atacou o Iraque; promoveu uma guerra desnecessária e não
conseguiu destituir o presidente Saddam. Ao contrário, Bush pai, parece ter
fortalecido o ditador. Passados 12 anos, o prestígio interno e adoração do povo
pelo mandatário iraquiano cresceram, apesar do país enfrentar sérias
dificuldades estruturais. Segundo porque os "aliados"
que Bush insiste em se referir se resumem a três países, ou melhor dois --
Inglaterra e Austrália -- que estão entrando de corpo, alma e com tropas e a
Espanha de corpo e alma, mas sem soldados. Mesmo esses paises, enfrentam
resistências internas. Tony Blair, o primeiro ministro, vai entrar na guerra
contra a vontade da maioria dos britânicos e de seu próprio partido. O líder do
governo e dois ministros de seu gabinete já renunciaram por discordar da
decisão. A Austrália foi cooptada por Bush de última hora, enfrenta
manifestações contrárias em seu território, e é óbvio que o número de soldados
que fornecerá, entre o contingente total de 250 mil homens, será simbólico. Já a
Espanha, levada pelo arroubo do primeiro ministro José Maria Aznar, está
entrando literalmente de "gaiata no navio". Aznar deveria estar mais preocupado
com o real perigo intra-muros, que são os separatistas bascos: pela causa e pelo
ideal acabam agindo de forma violenta. Saddam não é ameaça para os espanhóis.
Os outros paises "aliados" estão entrando apenas com o verbo, com declarações de
apoio. Por outro lado, dois arrogantes argumentos chamam
atenção nas teclas em que Bush insiste em bater para tentar justificar a invasão
não autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU e reprovada pela esmagadora
maioria da opinião pública mundial O argumento de que o Iraque esconde armas de
destruição em massa -- fato não comprovado nem pela CIA, nem pelo FBI, nem
tampouco pelos inspetores da ONU -- não resiste a menor análise. Os EUA as tem
às centenas, aos milhares, porque o Iraque, ou qualquer outra nação soberana não
pode ter ?? Já afirmar que Saddam Hussein por ser um ditador, um déspota e,
por isso, deve ser caçado e eliminado, além de revelar a prepotência de Bush em
querer se arvorar no direito dele e dos Estados Unidos decidirem quem deve
morrer, soa também estranho o rótulo. Afinal, o presidente americano pode
perfeitamente ser classificado de déspota, na melhor acepção da palavra, ao
achar que, pela supremacia bélica e econômica, ele e o seu país estão acima do
bem e do mal. Na verdade, os reais motivos de Bush são inconfessáveis e vão
muito além e pra lá de Bagdá. São o projeto de redefinir o quadro geopolítico no
Oriente Médio -- passando por cima da autodeterminação dos povos e nações da
região -- e a intenção velada de controlar a reserva petrolífera iraquiana,
segunda maior do mundo.
Anotem aí: vencida a guerra, as sete companhias irmãs do petróleo americano vão
administrar as reservas e recuperar a "sucateada indústria petrolífera, hoje nas
mãos do demônio Saddam" . O déspota Bush será
responsável direto não só pela morte de milhares de soldados e civis, mas também
por ataques suicidas que sejam lançados em forma de retaliação pelo déspota
Saddam. Mais do que isso, será o culpado por subverter a ordem socioeconômica
mundial e provocar a desmoralização da
ONU. Uma
boa semana para todos -- guerra é guerra,
mesmo lembrando a xenofobia dos ano 70 e 80, talvez não seja má idéia endossar o
apelo que circula na Internet de boicote, pacífico, aos produtos
americanos -- quinta-feira (27/03) eu volto. Traduzindo a Economia para o seu
dia-a-dia!
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