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Conflitos e insegurança matam mais de 50 jornalistas em 2002
Chris Cramer*/CNN International
Networks
(Tradução de Juliana Resende/BR Press)
(CNN
International Networks, COPYRIGHT FREE) - Como o mundo está
assistindo uma das guerras mais perigosas da história, há uma pergunta
que desafia os profissionais da mídia: o quão longe um jornalista
deve ir nessa cobertura?
Com facções de declarada selvageria agindo em algumas partes do mundo e considerando jornalistas como alvos legítimos, apesar de sua inerente insegurança o negócio das notícias está se tornando ainda mais perigoso. Jornalistas estão cada vez mais sendo os receptores finais dos piores tipos de violência.
Estes são tempos de pesadelos para aqueles que trabalham com notícias na mídia e o ano passado foi um dos mais desafiadores que a profissão teve de suportar. Jornalistas têm sido mortos em percentuais inaceitáveis e sem precedentes. Eles têm feito seu trabalho, mas estão sendo confundidos com representantes oficiais dos governos de seus países. Foram-se os dias em que o jornalismo era visto como uma espécie de profissão sagrada, que não podia sofrer esse tipo de dano. Na verdade, atualmente profissionais da imprensa estão mais sujeitos a serem mortos em serviço do que membros das forças armadas.
A CNN, como outras organizações, tem de cobrir acontecimentos em partes do mundo que são assustadoras. Para obter e distribuir notícias, mais e mais jornalistas encaram o perigo diariamente, arriscando-se a ferimentos e até a morte. Esta é uma realidade que com a qual a mídia não pode aprender a conviver ou simplesmente aceitar. Devemos fazer alguma coisa a respeito.
Acessórios de guerra
Ninguém deveria ser enviado a áreas hostis - ou lugares que podem se tornar hostis - sem estar adequadamente treinado e protegido. E ainda, aqueles que estão em áreas de conflito devem ser munidos de carros blindados, capacetes, coletes à prova de balas, kits contra ataques químicos e bioterrorismo. Tudo isso deve tonar-se parte do equipamento destes jornalistas. Da mesma maneira que instrutores de segurança podem ter um papel vital em campo, acompanhando os profissionais da imagem.
E esse comprometimento não deve acabar quando os jornalistas estiverem de volta às redações, da mesma forma que membros das forças armadas, da polícia e dos bombeiros recebem cuidados depois de incidentes traumáticos, alguns profissionais da imprensa também estão precisando dessa assistência. Ser posto fora da escala de trabalho por algum tempo e obter tratamento psicológico voluntário e confidencial deveria ser uma oferta das empresas, se necessário, para aqueles que estão sofrendo de traumas e estresse ligados a eventos passados em campo.
No passado, morrer ou ser ferido no exercício do jornalismo era considerado má sorte, um evento terrível isolado e lamentável, e, para alguns, como parte dos riscos da profissão. Mas como jornalistas ao redor do mundo estão trabalhando em locais ricos em notícias e proporcionalmente perigosos, a segurança deve ser prioridade para empresas jornalísticas.
Agora, mais do que nunca, todos os envolvidos na indústria das notícias têm de encarar o risco de vida no jornalismo feito no front e equipar-se para lidar com essa realidade. Está na nossa mão essa responsabilidade. Nenhuma matéria vale a vida de um jornalista.
Treinamento e equipamento
Em função disso, todas as empresas jornalísticas têm a obrigação moral e ética de se certificar de que suas equipes estão treinadas para eventualidades e protegidas. Outro fato relevante é que não há como fazer coberturas imparciais sob ameaça de agressões letais.
Vamos lembrar-nos de fatos horríveis. Mais de 50 jornalistas morreram em todo o planeta, no ano passado, incluindo aqui o assassinato brutal do Daniel Pearl, do Wall Street Journal, que chocou o mundo. Nos últimos anos, profissionais da CNN, BBC e outros veículos sofreram barbaridades. Sete colegas da CNN foram fatalmente baleados - cinco deles no mesmo dia. A câmera Margaret Moth tomou um tiro no rosto dado por um atirados em Sarajevo. O cameraman Dave Allbritton quase morreu num ataque ao prédio de uma TV na Bósnia. O chefe da sucursal do Cairo e correspondente Ben Wedeman levou um tiro na Faixa de Gaza.
Cavando os bolsos
Isso não pode se justificar. Empresas jornalísticas têm a obrigação de cavar em seus bolsos para garantir a segurança daqueles que estão em campo. Todos os gerentes financeiros e chefes de reportagem - tanto da mídia eletrônica quanto da impressa - têm a responsabilidade de garantir que suas equipes, sejam de profissionais contratados ou freelancers, não sejam enviadas a locais hostis ou em conflitos sem treinamento prévio e equipamento adequado.
O comprometimento da CNN com a segurança de seus profissionais tem sido prioritário. Tanto que a emissora enviou cerca de 500 profissionais para treinamento em áreas hostis e outros 200 para treinamento de sobrevivência a ataques químicos e biológicos. Os cursos duraram cerca de uma semana a um custo de US$ 4 mil por pessoa (incluindo treinamento completo e equipamento). Os investimentos da CNN em treinamento obrigatório de equipes está em cerca de US$ 1 milhão.
É trágico e deprimente que outras empresas jornalísticas, cujos profissionais estão se arriscando no trabalho, não queriam arcar com despesas financeiras para proteger suas equipes. Preferem arcar com o risco.
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Mossoró-RN, domingo, 23 de março de 2003