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Credibilidade antes das reformas

Daqui a mais uma semana o governo Lula da Silva estará fechando os seus primeiros quatro meses. É bem verdade que ainda lhe restam quarenta e quatro, mas também é fato que o seu modus operandi já dá bem uma dimensão quanto ao seu modo de agir. Por exemplo, conseguiu nesse curto período uma credibilidade no campo internacional graças ao seu esforço para manter a inflação sob controle. Isso ele conseguiu e foi o bastante para lhe dar notoriedade visto que o Brasil, como todo país emergente, andava em maus lençóis no que toca à credibilidade visto que o dólar vivia uma situação de sustentabilidade que não se firmava.

A questão da escassez de crédito do Brasil foi superada e o dólar deixou de exercer forte pressão inflacionária. Embora seja verdade que a política econômica adotada até agora pelo presidente Lula da Silva não é diferente daquela posta em prática pelo seu antecessor nem por qualquer político liberal.

O antigo sindicalista de discursos inflamados se comporta à frente do governo como um moderado e o seu ministro da Fazenda, Antônio Paloci, chegou a agradecer ao Fundo Monetário Internacional, o outrora (para eles mesmos do PT) chamado de “o famigerado FMI”, pela confiança depositada no Brasil.

Mas, o governo atual tem uma tarefa ingente a cumprir no meio de tudo isso, que é a de executar o programa das reformas fiscal e tributária. E para aprovar essas reformas que travam o crescimento do país e se manter em destaque no cenário internacional, o presidente Lula da Silva busca se segurar junto aos partidos de centro-direita como o PSDB e o PMDB, já que as principais resistências encontradas estão situadas dentro do seu próprio partido, o PT. E o presidente sabe que a sua base parlamentar é frágil. A luta para a reforma tributária será a mais ferrenha visto que ela vai modificar as relações entre a União e os Estados e tem provocado rejeição nos municípios. Todos querem uma reforma tributária já, desde que saiam ganhando.

Na sua posse Luiz Inácio Lula da Silva prometeu coragem, ousadia e humildade à frente da chefia do governo. Mas, recentemente, tem dito a privilegiados interlocutores que encara as reformas como uma missão. A de que são as reformas preconizadas pelo atual governo que jogam com a credibilidade do próprio presidente da República e muito mais com a credibilidade do Brasil.

 

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Mossoró-RN, quarta-feira, 23 de abril de 2003