EDITORIAS

:: Cotidiano

:: Economia

:: Esporte

:: Polícia

:: Política

:: Regional

:: Universo

OPINIÃO

:: Editorial

:: Notas da Redação

:: Laíre Rosado

:: Emery Costa

:: Pedro Carlos

:: Cid Augusto

:: Giro pelo Estado

:: Sérgio Oliveira

:: De Olho na Mídia

SOCIAIS

:: Paulo Pinto

:: Carol Fernandes

:: Clickvip

SOCIAL-CIDADES

:: A notícia é

:: Alexandria

:: Almino Afonso

:: Apodi

:: Areia Branca

:: Caraúbas

:: Macau

:: Patu

:: Pau dos Ferros

:: São Miguel

:: Umarizal

O JORNAL

:: Assinatura

:: Expediente

:: Histórico

:: Painel do Leitor

 

 

As religiões afro e a cultura brasileira

 

ALESSANDRO OLIVEIRA
Da redação

O Brasil é conhecido pelo seu valor multicultural. Muitas culturas desempenharam um papel importante para a formação do que hoje é denominado 'Cultura brasileira'. As religiões afro-brasileiras, por exemplo, desempenham um papel muito importante nessa configuração.

No Brasil, apesar da predominância católica, facilmente se observa essa pluralidade. "As conhecidas analogias entre santos católicos e divindades africanas são variáveis conforme a região do país. No Rio Grande do Sul, por exemplo, há identidades entre São Jorge e Ogum, Iemanjá e Nossa Senhora dos Navegantes, o que não necessariamente ocorre da mesma forma em outros estados", afirma o professor Dr. Márcio Santos, da Univesidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A escravidão no Brasil foi um elo de grande importância para a criação desse imaginário religioso.

"Na origem, tais religiões têm relação direta com as crenças dos negros trazidos da África durante o período escravocrata. Todavia, não constituem um mero 'transplante' destas. São, na verdade, resultados de complexos processos de redefinições, adaptações, combinações e imbricações, devido a uma série de fatores", esclareceu.

As religiões afro-brasileiras são praticadas por 0,3% da população e têm diversas denominações como Batuque, Candomblé, Catimbó, Culto aos Egungun, Culto de Ifá, Jurema sagrada, Quimbanda, Macumba, Tambor-de-Mina, Umbanda, Xangô do Nordeste e Xambá

Elas mantêm relações com algumas outras originalmente africanas como o Yorubá e outras Afro-caribenhas como a Santeria e o Vodu,

As religiões afro-brasileiras são relacionadas com a religião Yorubá e outras religiões africanas, e diferentes das religiões afro-caribenhas como a Santeria e o Vodu.

Essas religiões geraram diversas outras por motivos diversos. "Pode-se destacar, por exemplo, o fato da escravidão ter acarretado a necessidade de convivência entre sujeitos oriundos de distintas regiões da África - diferentes entre si. Além disso, como era muito comum os senhores tentarem converter seus escravos ao catolicismo, muitos elementos deste acabaram sendo incorporados e/ou mesclados com o panteão de matriz africana", complementou.

Atualmente, o Candomblé, umas das religiões afro-brasileiras, tem milhões de seguidores no país, principalmente entre os descendentes de escravos, a população negra. Concentram-se, geralmente, nos grandes centros urbanos.

A umbanda, diferentemente do candomblé, é uma religião sobrevivente da África Ocidental que representa o sincretismo religioso entre o catolicismo e as crenças e ritos africanos.

Existem outras como o batuque, o Xangô do Recife e o Xambá que foram trazidas originalmente pelos escravos negros advindos da África. Estes cultuavam seu deus, e as divindades chamadas Orixás, Voduns ou inkices com cantos e danças.

PRECONCEITO - As religiões afro-brasileiras são perseguidas, pois acredita-se ter o poder de produzir o bem e o mal.

Hoje são consideradas como religiões legais no país e apesar de estarem cada vez mais sendo compreendidas pela sociedade, ainda sofrem com o preconceito.

"O catolicismo foi a única religião efetivamente tolerada no Brasil. A separação oficial entre a Igreja e o Estado, por exemplo, só ocorreu após a Proclamação da República, em 1889. Assim, durante muito tempo os praticantes das religiões afro-brasileiras se viram na necessidade de se afirmar católicos publicamente, deixando os ritos de origem africana restritos ao âmbito privado", avaliou.

"Todavia, o preconceito ainda existe, não sendo nada incomum comentários que depreciam estas religiões com argumentos similares àqueles que são utilizados em relação aos seus maiores praticantes, os negros. Outro grande desafio que se apresenta atualmente é uma espécie de 'guerra religiosa' que se trava entre certas denominações evangélicas e as religiões de matriz africana: analogias entre orixás e figuras demoníacas muitas  vezes descambam para a intolerância e o preconceito", opinou.

A necessidade de conscientizar a população sobre o preconceito é dever do Estado, considera o professor. "Acredito que as saídas para reduzir tais "visões preconceituosas" não são simples, mas certamente devem ser pensadas conjuntamente pelos praticantes, pelo Estado e pelos intelectuais interessados pelo tema.  Da parte do Estado, entendo que é importante a efetivação de cuidadosas mediações visando garantir uma liberdade religiosa pautada pela tolerância. Me refiro a intervenções pontuais que, sem privar os evangélicos do direito às suas especificidades de crença, lhes façam respeitar as singularidades dos afros", avalia.

Segundo ele, somente leis não é o bastante. "Todavia, considero que, mais do que imposições de regulamentos ou medidas judiciais, a educação pode ser o melhor instrumento para dar visibilidade positiva às religiões afro-brasileiras. Neste sentido, a recente legislação que determina o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nos ensinos fundamental e médio pode ser uma bela oportunidade para iniciar este processo. Os trabalhos de antropólogos que procuram compreender as religiões de matriz africana de acordo com as concepções e crenças de seus próprios praticantes podem servir como um excelente subsídio à discussão", complementou.

RITUAIS - Os seguidores da umbanda deixam oferendas de alimentos, velas e flores em lugares públicos para os espíritos. Os terreiros de candomblé são discretos da vista geral, exceto em festas famosas, tais como a Festa de Iemanjá em todo o litoral brasileiro e Festa do Bonfim na Bahia.

MÚSICA - A cultura africana influenciou também outra parte da nossa cultura: a música. Seja por meio do samba ou da música popular brasileira, o que se sabe é que muitos instrumentos dos rituais afro-brasileiros são atualmente usados por bandas de axé.

Os antigos proprietários de escravos no Brasil permitiam que seus escravos continuassem sua tradição de tocar tambores ao contrário dos proprietários de escravos dos Estados Unidos que temiam o uso dos tambores para comunicações.

 

 

Copyright,© 2000-2006 - Editora de Jornais Ltda - Todos os direitos reservados
Site melhor visualizado em 800x600

contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site