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Cafetões: como eles devem ser vistos? Anjos ou demônios?

 

Mayara Amorim
Da Redação

A prostituição é um problema típico de países subdesenvolvidos. No caso do Brasil algumas localidades sofrem mais que outras com a exploração sexual. Em nosso Estado até matéria especial da Rede Globo já focalizou a existência do problema. Mas o grande enigma paira em por que as mulheres resolvem se prostituir e quais as vantagens que os aliciadores recebem ao fazer o canal da prostituição?

A equipe de reportagem deste veículo entrevistou três meninas e seu aliciador. Todos pediram para não serem identificados pelos nomes. Por esse motivo a equipe de reportagem irá utilizar letras para simbolizar os envolvidos.

As meninas W de 19 anos, M de 22 e C de 14 anos, mesmo com idades diferentes possuem histórias de vida e testemunhos iguais. A terceira citada, mente para as amigas e para o "amigão", que será identificado por P, e que a alicia para poder continuar encontrando os homens com quem se envolve.

Loira e portadora de um corpo bem torneado, ela chama atenção dos homens que procuram seu serviço sexual, é o que acredita as amigas e o cafetão. "Ela é muito procurada", afirma o aliciador imaginando que a jovem tem 17 anos. As amigas W e M comungam com C que a prostituição é uma maneira rápida de ter o que a vida não as deu pelo fato de serem pobres.

"Não me vejo como uma puta. Apenas aceito presentes daqueles que saem comigo. Não gosto de ficar com menininhos. Prefiro homens mais velhos. Não é esforço para eu ficar com os homens que fico", desabafa W. A jovem possui um protetor de mais de 60 anos que paga todas as despesas dela e a presenteia com mimos quando deseja se aproximar.

Quando questionadas sobre o papel do "amigão", todas foram diretas ao dizer que ele somente quer o bem delas e que o envolvimento entre eles é de amizade e cumplicidade. "Se não procurarmos, ele não manda ninguém. Até porque chove mulher por todos os lados. Ele é discreto. Gosta de sair com a gente. Se eu não quisesse, nada aconteceria", diz M.

Perfil das meninas que se prostituem em Mossoró

A maioria das garotas está na faixa etária dos 18 aos 29 anos. Parte delas é muito vaidosa e advinda de famílias carentes. Em diversos casos as mães sabem que elas podem estar envolvidas com a prostituição e nada fazem. "Minha mãe não quer que eu ande com P. Ela disse que ele me leva para a prostituição", desabafa W.

Quando se pergunta para uma dessas jovens sobre os motivos que as levaram a se prostituírem a expressão "prostituição" é malvista. "Eu não sou puta. Eu somente deixo que eles me dêem o que querem. Eu não cobro. O que querem me dar põem no meu bolso e pronto", afirma M.

"Mas antes de ir para cama com os coroas você já sabe quanto eles vão pagar?", pergunta a repórter. "Sim. 'P' diz logo para eles qual é o nosso preço. Por isso que é bom andar com ele (P). Ele nos protege. Se o cara quiser pagar pouco ele arruma uma desculpa e os faz pagar tudo e até mais do que prometeu", conclui W.

Se existem prostitutas é porque há quem pague pelo serviço

O cafetão P afirmou que enquanto existir quem pague pelo serviço haverá quem receba. "É lógico! Em Mossoró já existem poucos homens solteiros. As meninas já ficam doidas para transar. Aí aparece homens bonitos e ricos que as desejam e ainda pagam pelo serviço. Isso é tentador", conta P.

De acordo com as garotas e o aliciador o perfil daqueles que pagam pelo serviço é bem específico. "Quase sempre eles são coroas", ressalta a jovem C.

O fato apontado para que a maioria dos interessados seja de "coroas" é a questão do poder aquisitivo. "Meninos novos têm pouco dinheiro na maioria, não que não exista os que têm! Também pelo fato dos mais velhos não serem tão disputados pelas meninas da cidade", explica o cafetão.

Outra característica marcante dos interessados nas garotas é a existência de aliança no dedo anelar da mão esquerda. "Quase todos são casados. Nem andam nos mesmos lugares que nós. Aí ficamos tranqüilas por saber que não corremos o risco de sair com um namorado e quando chegar ao lugar 'eles' vão estar lá", solta M.

Entre os entrevistados o que mais preocupou a equipe de reportagem foi a apresentação da tranqüilidade em relação ao comércio. A atuação é posta como algo normal, banal. E a pergunta que fica é até aonde vai esse quadro real de nossa sociedade. E qual seria a saída que os poderes públicos poderiam tomar?

Matéria Sugerida por: "A L Santos"

 

 

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