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Mossoró: terra de saudades

 

KALIANNE PEREIRA
Da Redação

O que leva alguém a deixar o seu lugar de origem para enfrentar uma nova realidade onde não se conhece bem os costumes, as pessoas e ainda têm como ponto desfavorável o distanciamento dos familiares mais próximos? Muitos podem ser os motivos. Inseridos nesse contexto estão os mossoroenses que deixaram este município para viver em uma outra cidade.

Visando aproximar essas pessoas por meio do elo da comunicação virtual, foi criada inclusive no Orkut a comunidade "Mossoroenses fora de Mossoró". Algumas dessas pessoas foram localizadas por este jornal para darem o seu posicionamento acerca desse tema. Os entrevistados foram unânimes em afirmar que a decisão de fixar residência fora desta cidade foi própria.

A professora doutora Andréa Santos reside fora de Mossoró há 12 anos, dos quais passou sete em Natal, quatro no Rio de Janeiro e um na França. Atualmente ela está no RJ. Em razão da distância, as visitas aos seus familiares se restringem uma vez a cada dois anos. "A cidade embora tenha uma receita alta, as oportunidades de trabalho para jovens e adultos são muito restritas. Tenho ainda hoje a sensação de que os políticos governam Mossoró com a política do pão e circo, mais circo do que pão! O poder não circula e por que circularia? Tudo parece funcionar e as ações têm mantido o povo bloqueado na visão sobre as possibilidades de vida e progresso", conta.

Residente em São Paulo, a médica veterinária Pollyana Paiva conta que saiu de Mossoró sem planejamento a longo prazo. Ela tem disponibilidade para vir ao município duas vezes ao ano. "Inicialmente morei na Paraíba onde passei mais de cinco anos e agora estou em São Paulo há cinco meses", disse.

A jornalista Ana Cláudia Barbalho está terminando no mês de setembro uma pós-graduação em Jornalismo Econômico na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, cidade onde reside. A sua primeira experiência de sair da residência dos pais veio aos 19 anos quando ela resolveu morar em Campina Grande/PB para cursar Jornalismo. Nesse período ela aprendeu as dificuldades e os benefícios em morar com amigos, a controlar a saudade de casa e fazer economia de dinheiro.

 "Bem, a odisséia de morar fora de casa veio através da influência de amigos que mostraram as vantagens de optar por morar em Campina Grande/PB, tal cidade possui diversas semelhanças com Mossoró, coisas como ser a segunda maior cidade do estado, baixo custo de vida e uma 'qualidade de vida'. Seria hipócrita se não ressaltasse que um dos meus maiores estímulos na época foi o fato da cidade ser conhecida pelo lado festivo, não é por menos que lá encontramos o maior São João do mundo, a Micarande (Micareta fora-de-época bastante conceituada e visitada por milhares de pessoas no mês de abril). Outro fator decisivo para minha ida a Campina Grande foi o fato de que outras estudantes mossoroenses já residiam lá e relatavam a experiência e o sucesso da vida em outro estado", comenta.

Cláudia se considera apaixonada por Mossoró e jamais tinha pensado em fixar residência em outro lugar que não fosse nesta cidade. "Mesmo a quilômetros de distância sempre continuei a manter contato com os meus amigos que ficaram e pelo menos uma vez por mês eu ia visitar meus pais", enfatiza.

Logo que conclui o curso, Ana Cláudia percebeu a oportunidade de fazer uma pós-graduação na área de Economia. Dessa vez a idéia de voltar para Mossoró foi adiada em detrimento de uma maior qualificação. "Resolvi encarar essa nova aventura por acreditar que o mercado profissional de Mossoró já merece e necessita de mão-de-obra com conhecimentos específicos. Hoje, se alguém me perguntar se é válida essa experiência, eu digo que sim com letras garrafais. Uma vez que foi assim que eu consegui encarar com mais naturalidade a transição da adolescente cheia de dúvidas para a adulta decidida e responsável que procuro ser... As responsabilidades que assumi me fizeram mais fortes", analisa.

A programadora Susanny Mirelli está residindo em Natal há dois anos e três meses, desde que decidiu se submeter a uma seleção de mestrado na sua área de graduação que é Ciências da Computação. Quem também mora na capital do Estado, há oito anos é Aquiles Burlamaqui, doutorando em Computação, Pesquisador do Laboratório Natalnet e recentemente aprovado nos concursos do Cefet e Uern para o cargo de professor.

Quatro ou mais vezes por ano ele vem a Mossoró. "Sim, desejo muito retornar à minha terra Natal, mas antes quero adquirir experiência e prestígio fora dela, objetivando com isso mostrar o potencial de nosso povo e trazer recursos na forma de projetos técnicos e científicos para nossa região. Acho que é o mínimo que um filho da terra pode fazer por ela", acredita.

DEPOIMENTOS

"Sinto falta da banda do Colégio Diocesano, do simpático espaço cultural criado pelo Rogério Dias (Chap-Chap), dos pés de cajarana e sirigüela. Curiosamente, tudo isto não existe mais! Não sinto falta do calor; dos pensamentos restritos a um mundo minúsculo, mas que pensa ser grande; das passeatas barulhentas durante as eleições; do machismo e do 'Deus é quem sabe, Deus é quem decide, Ai meu Deus, Ave Maria, Deus e Deus' (da religiosidade excessiva); dos inúmeros viciados em jogo do bicho; da vinheta da rádio Difusora; da preocupação excessiva com a aparência; com roupas de marcas que nem se sabe de onde vem e porque é tão importante; etc". Professora Andréa Santos - Rio de Janeiro.

"Acho que todo crescimento é valido, se estás buscando algo que seja realmente  do seu interesse e que vai contribuir para o seu crescimento pessoal e profissional toda mudança é valida, mesmo com o sacrifício de deixar suas raízes, porém jamais esquecendo de onde veio, dos seus valores iniciais. Estarei sempre pronta a oferecer meus conhecimentos adquiridos com minhas experiências fora da minha Mossoró". Médica veterinária Pollyana Paiva - São Paulo.

"Tenho muita saudade dos meus pais, amigos, do acolhimento das pessoas, da alegria de viver o tempo sem a correria desenfreada das cidades maiores, das belas praças de Mossoró, das sorveterias ou barzinhos de MPB que são 'habitáveis'. Aqui em Natal tudo termina num shopping, não tem um lugar diferente, uma sorveteria animada, simples, ou um espetinho calmo, aconchegante. Não tenho saudade, de forma alguma, dos serviços de transporte público, eles são terríveis em Mossoró. Também não tenho saudade do atendimento no comércio, que é terrível, não que em Natal seja bom, inclusive acho até que aqui em Natal é bem semelhante, com uma pequena melhora". Programadora Susanny Mirelli - Natal.

"A coisa que mais sinto falta de Mossoró é a segurança que uma cidade pequena oferece em termos de todos se conhecerem, terem uma referência, uma identidade, lembro uma vez que meu carro quebrou quando vinha de Tibau, não passei nem 10 minutos esperando, passou um conhecido que logo se tornou um amigo e me ajudou no meu problema. Comparo quando tive um problema do mesmo tipo aqui em Fortaleza, às 19h, liguei para várias pessoas e todo mundo estava muito ocupado pra me ajudar, gastei o que e tinha e o que não tinha para poder chamar um reboque e levar meu carango pra uma das lojas mais caras de autopeças. Nossa, foi triste, sem contar o fato que saí da oficina às três horas da manhã". Engenheiro civil Talles Eduardo - Fortaleza/CE.

"Tenho saudades da família, dos amigos, das festas tradicionais, das piscinas de águas termais, da praia de Tibau, etc. Não tenho saudades do transito caótico, nem da violência que está tomando conta da cidade. É uma experiência ímpar poder sair de sua cidade com a oportunidade de estudar em universidades melhores, em um país onde a educação é tão desvalorizada, onde menos de 1% da população termina um curso superior, e eu tendo a possibilidade de estar terminando um Doutorado. Sinto-me numa obrigação enorme de fazer o máximo para mudar essa situação, realidade em todo o Brasil e ainda pior aqui no Nordeste. Um sonho grande e difícil, que está lá no alto, mas tenho certeza que podemos construir os alicerces para poder alcançá-lo". Doutorando em Computação, Aquiles Burlamaqui - Natal.

"É sempre difícil deixar o que se conhece um pouco de lado e partir para um universo de pessoas, lugares e experiências novas e diferentes. Entretanto, é necessário levar em consideração o quanto isso pode ser interessante e enriquecedor. Quando vivemos situações desse tipo, nos sentimos como 'desbravadores' descobrindo nas sutilezas do novo ambiente a sua identidade. Porém, as brincadeiras de pés descalços na rua, as pedaladas pelo bairro aqui em Mossoró são lembranças que levarei para onde quer que eu vá. Os rostos familiares, os cantinhos preferidos na cidade, tudo isso estará sempre guardado em um lugar bem aconchegante em minha memória. Mas, viajar é preciso!". Estudante de Jornalismo, Ticianne Oliveira - João Pessoa.

"O grande lance em sair de Mossoró, para mim, teve a ver com oportunidades de crescer dentro do meu emprego. Cheguei a um ponto onde não via mais futuro profissional nessa cidade. Na época eu havia casado e a minha ex-esposa é de Natal, então resolvemos vir morar aqui. Consegui uma transferência e com pouco tempo me apareceram mais oportunidades. Meu objetivo agora é sair de Natal e ampliar ainda mais meus horizontes. Sinto falta de algumas coisas em Mossoró, sim. Nasci aí e cresci aí. Tenho minha família e meus amigos, mas não penso em voltar a morar aí". Bancário Thiago Paiva - Natal.

"Mossoró me deixou muitas saudades, principalmente da minha infância, da qual curti bastante. No Colégio Diocesano angariei bastantes amigos. A experiência de sair das suas raízes é simplesmente espetacular, hoje me sinto bem mais amadurecido para enfrentar os problemas da vida. Passei por maus pedaços, mas graças a Deus, venci a todas as adversidades. Tenho certeza que para onde eu for levarei minha querida Mossoró comigo, vez que lá tem pessoas acolhedoras e amigas que realmente gostam de você". Advogado Allen Medeiros - João Pessoa.

MATÉRIA SUGERIDA: Haelson Brito de Araújo - haelsons@yahoo.com.br

 

 

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