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Há tempos que vêm crescendo os índices
de violência em toda Mossoró, mas com especial destaque
aparece o bairro Santo Antônio aqui se destacando a
chamada “Estrada da Raiz”, loteamento Santa Helena e
adjacências. Aquela se transformou numa região conflagrada
que passa hoje nitidamente a imagem do mais autêntico
banditismo. Exatamente porque se os nossos aparelhos
de segurança não foram capazes de deter pela base o
que se instalou naquela região do bairro Santo Antônio
e adjacências aqui de Mossoró, outras regiões e outros
bairros já estão igualmente sob o domínio da bandidagem,
como os bairros Boa Vista, Abolição IV, mais precisamente
a Favela do Fio e outros. Não bastasse isso tudo por
ali também campeia, sabidamente, o tráfico de drogas,
é o que mostra as apreensões de produtos usados por
traficantes e viciados pelas Polícias Militar e Civil,
o que faz o bairro Santo Antônio como o maior reduto
do crime.
Nas duas delegacias distritais, a
1ª e 2ª Delegacias, é grande o volume de inquéritos
de homicídios e tentativas, a maioria sem que os autores
sejam identificados e presos. Quando descobertos, os
acusados se apresentam após livrar o flagrante e ficam
em liberdade.
De acordo com o chefe de investigação
da 1ª Delegacia de Polícia (1ª DP), agente Flávio, a
grande dificuldade é a falta de estrutura para que se
possa trabalhar em cima dos casos. “Geralmente quando
estamos investigando um crime, acontecem outros e aquele
tem que se deixar de lado. A delegacia não trabalha
somente com homicídios e isso dificulta e muito os trabalhos”,
destaca.
Outro problema é com a falta de informações
por parte da população, o que acaba gerando uma certa
dificuldade à polícia no sentido de desvendar alguns
crimes até o momento tidos com misteriosos ocorridos
no bairro Santo Antônio, como é o caso do do assassinato
do serralheiro Adriano Rodrigues da Silva, 27 anos.
Ele foi encontrado morto há cerca de um ano, na rua
6 de Janeiro, nas proximidades da residência, com a
cabeça praticamente esmagada a golpes de pau e pedra.
“Até mesmo a família das vítimas não ajudam a polícia”,
destacou o agente.
Para a polícia, a maior parte dos
crimes estão ligados ao tráfico e uso de drogas, principalmente
a briga por espaços para o comércio das drogas. “Por
trás dessas mortes está sempre as drogas, principalmente
o crack que está sendo vendido em grande escala na cidade”,
diz Flávio.
De acordo com estatísticas do Comando
de Operações da Polícia Militar (Copom), é grande o
número de ocorrências registradas relativo a tiroteios
naquela área entre grupos rivais. “Quase todo dia recebemos
ligações dando conta de tiroteios em via pública, mas
quando a polícia chega os bandidos se escondem e raramente
são presos’, destaca um dos operadores do Copom.
Delegados solicitam delegacia de
homicídios em Mossoró
A opinião unânime dos delegados é
que de extrema urgência a criação de uma delegacia de
homicídios na cidade somente para tratar desses casos,
o que desafogaria o trabalho deles e contribuiria sobremaneira
para o bom andamento das investigações. “Hoje nós temos
na delegacia inquéritos de brigas de vizinhos, acidentes
e outros problemas que seriam resolvidos em um melhor
tempo, o que não acontece atualmente”, diz um dos bacharéis
da cidade.
Como conseqüência disso, quem sofre
é a população que se ver oprimida pelos bandidos que
infestam os diversos bairros da cidade e implantam a
lei do silêncio. “Nas proximidades da minha casa existem
várias bocas-de-fumo onde as drogas são vendidas livremente
no meio da rua, principalmente por menores armados que
ameaçam quem resolver avisar a polícia. Tem deles que
a polícia prende de manhã e à tarde já está de novo
vendendo drogas e fazendo pouco da polícia”, diz uma
moradora do bairro Santo Antônio que não quis se identificar
por medo de represálias dos bandidos.
Alguns homicídios ocorridos no
ano passado no Santo Antônio
- O estudante Luciano Martins dos
Santos, de 16 anos, que residia à avenida Rio Branco,
s/n, no bairro Santo Antônio, foi encontrado morto em
um matagal, na Estrada da Raiz. Ele foi assassinado
com golpes de faca na cabeça e região lombar. Os autores
foram identificados, mas continuam soltos.
- O pedreiro Sebastião Paulo da Silva,
47, que residia à rua José de Almeida Machado, 40, bairro
Santo Antônio, foi assassinado com um tiro de revólver.
O autor do crime foi Antônio Alcimar das Neves,
que está preso.
- Francisco Fransueldo Leite da Silva,
35 anos, que residia à rua Geraldo Couto, no bairro
Santo Antônio, foi assassinado com três tiros na cabeça,
tórax e região abdominal. Crime continua insolúvel.
-O pedreiro José Maria Felipe, 36
anos, o ‘Paraíba’, que residia à avenida Rio Branco,
s/n, Estrada da Raiz, foi assassinado com quatro tiros
de revólver por uma pessoa ainda não identificada.
- O operário Eldeniz Evaristo de Lima,
25 anos, que residia à rua Major Gutemberg de Melo,
397, Santa Helena, foi executado com quatro tiros de
revólver quando se encontrava na calçada de uma residência
na companhia de um irmão e um amigo. O autor dos disparos
ainda não foi identificado.
- José Luiz Procópio, residente no
Santo Antônio, também foi assassinado e o crime está
sendo investigado pela polícia.
- O deficiente físico aposentado Josivan
Herculano da Silva, 19 anos, que residia à rua Projetada,
336, Santo Antônio, foi assassinado por volta das 19h
de domingo com cinco tiros de revólver. O crime
aconteceu na rua Hermano Mota, no bairro Barrocas. Crime
ainda é um mistério.
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