|
Besteira
besta
Olha, caro
leitor, se tem uma coisa que é pura perda
de tempo é tentar intimidar jornalista com
processos na Justiça. Não que estejamos
acima do bem e do mal e que sejamos inatingíveis.
Nada disso. É que alguém só escolhe ser
jornalista por convicção de que poderá defender
as suas idéias, a sua ideologia, a sua opinião.
Mesmo que a Justiça venha a condená-lo,
tire-lhe o direito de exercer a sua profissão,
ainda assim o jornalista continuará com
a sua opinião. E o bom profissional a defenderá
até o final. Elementar.
Todas as
vezes que vejo alguém defender que vai processar
um jornalistaprocuro saber dos detalhes
do porquê daquele tipo de procedimento.
Se a atitude tem o objetivo de fazer medo,
de acuar, repito: é pura perda de tempo.
Agora, se a atitude tem o objetivo de procurar
corrigir um erro ou coibir os picaretas
da profissão —e olhe, caro leitor, que existem
muitos! – aí eu estou de acordo e sempre
aconselho as pessoas que perguntam a minha
opinião dando esse diagnóstico.
Ontem fui
até o cartório eleitoral ser cientificado
de que a candidata a prefeito do PFL, Fátima
Rosado Nogueira (Fafá), havia protocolado
na Justiça um pedido de direito de resposta,
inclusive pedindo a aplicação de multa,
caso não fosse cumprido o direito.
Ora, caro
leitor, isso é o que se pode chamar de besteira
besta — usando a linguagem do nosso povo.
Primeiro, entrar na Justiça com o objetivo
de tentar me amedrontar é pura perda de
tempo. Como já disse no primeiro parágrafo,
posso ser condenado milhares de vezes, preso,
chicoteado, demitido, ficar sem nada, mas
mesmo assim ainda terei a minha voz para
dar as minhas opiniões. Se tirarem a minha
voz, vou grunhir; se cortarem a minha língua,
farei gestos e se cortarem meus braços e
pernas ainda terei comigo a minha consciência,
que ninguém — NINGUÉM MESMO — poderá nunca
comprar ou amedrontar.
Digo que
essa atitude de dona Fafá tem esse objetivo
porque ela sabe que se fosse enviado o direito
de resposta diretamente a mim não haveria
problema algum. Publicaria aqui neste espaço,
não tenha dúvida disso.
Eu lamento
que dona Fafá esteja perdendo o equilíbrio
e que neste momento tente através de uma
representação fazer com que as nossas críticas
à sua postura política cessem. Lamento que
seja assim, porque coincidência ou não a
coluna que serviu para a representação foi
a mesma que dei a resposta à sacanagem que
fizeram comigo, deturpando o que havia escrito
neste espaço, dizendo que um instituto de
pesquisas desses de meia-tijela não mereceria
credibilidade nenhuma. Plantaram que eu
disse o contrário, numa tentativa de me
queimar.
Faltou
humildade à dona Fafá.
EXÉRCITO
Diz uma
fonte desta coluna que o exército verde
vai para as ruas com cinco mil membros nos
próximos dias. Não entendi direito o que
isso quer dizer, mas deve ter a ver com
a campanha de Mossoró. Decifra-me.
CHULOS
Ora, caro
leitor, na representação que a candidata
do PFL entrou contra mim, ela diz que eu
usei nesta coluna termos chulos do tipo
“despreparada”. Se eu acho mesmo que a candidata
não tem preparo para ser a próxima prefeita
de Mossoró, o que há de errado nisso?
DIREITO
A não ser
que eu não tenha mais direito de externar
a minha opinião e que a censura tenha voltado
ao Brasil, só porque dona Fafá quer. Faltou
à assessoria da candidata ler um pouco mais
e descobrir o que diz algumas decisões do
Tribunal Superior Eleitoral.
INTERPRETAÇÃO
O Tribunal
Superior Eleitoral considera que “rememorar
fatos da história de políticos não constitui
ofensa a ensejar direito de resposta” (Ac.
no 20.501, de 30.9.2002, rel. Min. Fernando
Neves, red. designado Min. Luiz Carlos Madeira).
As notas foram em cima de entrevista concedida
pela candidata.
MAIS
Do mesmo
modo, caro leitor, o que parece injurioso
ou fora de propósito, num período eleitoral
ganha dimensões diferentes da interpretação
que ganharia em outro estágio.
DECISÕES
Diz o ministro
Humberto Gomes de Barros em decisão de 2002:
“A jurisprudência do TSE não considera injuriosos
— quando lançados em campanha eleitoral
— termos que normalmente traduzem ofensas”.
EXPLICANDO
Isso quer
dizer, caro leitor, que o termo “despreparo”
nada tem de chulo, como também não tem nada
de chulo o termo “não sabe falar” e muito
menos o termo “falta de inteligência”. O
homem público precisa ter equilíbrio e saber
que ele é sim factível de erro e que pode
ser criticado. E precisa aprender com isso.
ECONOMIA
Os resultados
da balança comercial do Estado mostram com
muita clareza: o camarão potiguar está indo
para as cucuias. Os ínfimos US$ 4 milhões
exportados em agosto não chegam nem perto
da média do ano passado, que foi próxima
dos US$ 5,5 milhões.
ÓLEO
Ainda bem
que essas terras, apesar de pobres, são
abençoadas por Deus. Enquanto o camarão
vai para as cucuias, só com petróleo bruto
o Rio Grande do Norte exportou nada menos
que US$ 41 milhões. É dinheiro para juntar
com os pés, como diria o meu saudoso avô
Joaquim Ferreira.
CASTANHA
Melhor
ainda, caro leitor, é que a castanha está
em pleno crescimento e poderá ocupar o lugar
do camarão, que está em segundo na balança
comercial. Bom para Mossoró.
bastidores
O verde
é uma cor muito bonita, você não acha, caro
leitor? Dizem que cinco mil é o número de
“verdinhos” que estarão por aí dentro em
breve.
Vamos acompanhar para ver. A Justiça determinou
que a passeata da Presidente Dutra, no próximo
dia 29, último dia de realização de comícios
na cidade, será da coligação Mossoró Melhor.
O informe oficial ao comando do Batalhão
de Polícia Militar será feito hoje de manhã.
Antes
disso, no entanto, o ex-senador Geraldo
Melo (PSDB) estará na cidade no sábado,
para participar das movimentações da candidata
Larissa Rosado (PMDB). A
prefeita Rosalba Ciarlini (PFL) estava com
perfil agressivo ontem, no horário eleitoral.
Que por sinal mais uma vez não contou com
a presença da candidata do PFL. E depois
acha ruim quando se critica.
A olho nu dá para ver que o grosso da votação
para vereador ficará entre, no máximo 25
candidatos. Esses são os que disputam as
13 vagas que a Câmara Municipal terá a partir
de janeiro vindouro.
|