Comunidade

 Comunidades da zona rural não
estarão livres da CIP

CRISTIANO ROJAS
Repórter de Economia
rojas@omossoroense.com.br

Ele vive na zona rural de Mossoró, mas não ficará isento de pagar a recém-instituída Contribuição Econômica para o Custeio dos Serviços de Iluminação Pública (CIP).

O agricultor Elias Soares da Silva mora na zona rural de Mossoró, mais precisamente na comunidade de Senegal. Na modesta casa de alvenaria que divide com a companheira e filhos, se conta nos dedos os utensílios elétricos.

Embora não possua muitos equipamentos em casa que necessitem de energia, ele paga por mês cerca de R$ 14,00 de luz. Seu consumo mensal gira em torno dos 103 quilowatts/hora (kW/h).

Elias Soares não estará livre da CIP. A partir do próximo mês, terá que pagar a contribuição assim como outros consumidores de energia elétrica por que não está na faixa de isenção estabelecida pela lei municipal.

CONTRASTE – São isentos da taxa apenas os domiciliados na zona rural do município onde não existam os serviços de iluminação pública ou que consomem abaixo de 30 kW/h. O agricultor não está gostando nada da idéia de arcar com essa despesa.

 “Ninguém acha bom pagar isso, mas se já vem na conta da luz, não tem como escapar. Somos obrigados a pagar”, diz indignado o agricultor. O kWh consumido no campo equivale a R$ 0,1364. O mais baixo entre todas as categorias de consumidores.

Com a cobrança da taxa de 12% sobre o consumo de energia elétrica a partir deste mês o agricultor passará a pagar em média R$ 15,68. Um contraste com a sua renda. Por mês ele faz pouco mais de R$ 300 para sustentar toda a família.

Segundo informações da Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN), em Mossoró existem 1.098 domicílios na zona rural que consomem energia elétrica, de um universo total de 65.315 usuários do serviço no município.

Conselhos comunitários se
mobilizam contra taxa

A sociedade civil tem se articulado através de sindicatos, associações e outras entidades representativas para dizer não à cobrança da CIP. As manifestações contrárias partem de todos os lados.

Aprovada por 14 dos 21 dos vereadores da Câmara de Mossoró e sancionada pela prefeita Rosalba Ciarlini, a famigerada taxa deve elevar a conta de luz em no mínimo 12% a partir do mês que vem.

“Já fazia tempo que a prefeita tentava aprovar essa medida, sendo que só agora ela teve a oportunidade, mas no fim das contas quem vai pagar somos nós”, destaca Arnaud Dantas, presidente do Conselho Comunitário Ouro Negro.

MOBILIZAÇÃO – No último sábado foi realizada uma grande mobilização no centro da cidade com fins de recolher assinaturas de cidadãos indignados com a possibilidade de arcar com mais esse imposto.

Segundo Arnaud Dantas, já foram coletadas cerca de sete mil assinaturas entre os consumidores de energia elétrica no município. O objetivo agora será impedir na Justiça a cobrança da taxa.

O presidente do Conselho Comunitário acredita que o mais prejudicado com a Taxa de Iluminação Pública será mesmo a população mais carente, que já vive com a corda no pescoço, como se costuma dizer.

Fome Zero poderá solucionar
problemas da periferia

Existe uma grande expetativa por parte de entidades não-governamentais do RN com relação a implantação do Programa Fome Zero, do governo federal.

Para Nelson Gregório, da Organização Não-Governamental Fundação Potiguar, o projeto de erradicação da miséria no Brasil deverá ser substancialmente importante para as comunidades mais desprotegidas do município.

SOCIAL – A Fundação Nova Vida desenvolve um trabalho de cunho social junto aos moradores de baixa renda na comunidade onde se localiza o conjunto Nova Vida, nas Malvinas.

“As Malvinas com certeza é uma das áreas onde esse projeto Fome Zero precisa chegar”, afirma o dirigente da ONG. Nelson Gregório acredita que a partir da mobilização das entidades em torno das ações do programa será possível atenuar o problema de pobreza em que vive boa parte da população.

Ele ressalta que apesar do bairro ser marginalizado pelas autoridades públicas, possui uma das maiores concentrações de entidades voltadas à colaboração social do município.


 

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Mossoró-RN, sexta-feira, 24 de janeiro de 2003