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A
volta por cima do PMDB
Incrível
a maneira como o PMDB resolveu seus problemas
internos. Até ontem, com uma divisão que
parecia insuperável, amanheceu com todas
as tendências concordando com a importância
da união dos seus diferentes segmentos.
E a vitória foi geral. José Sarney será
o presidente do Senado, o líder Geddel Vieira
irá para a 1ª Vice-Presidência da Câmara
e o senador Renan Calheiros será o líder
do PMDB no Senado. No primeiro momento,
apenas o ex-governador Orestes Quércia não
concordou com a solução, cabendo ao senador
José Sarney a missão de contornar o problema.
Discordando, Quércia será alijado do partido.
Pelo semblante
de todos, dava para se ver a alegria reinante.
De quem terá sido a competência, do ministro
José Dirceu ou do PMDB como um todo? Na
verdade, o partido colocou um pé no governo,
para satisfação do presidente Lula, que
poderá garantir sua maioria parlamentar
com tranqüilidade. Mais uma vez, o imprevisível
da política. O partido disputou a vice-presidência
da República, em oposição a Lula, e já se
coloca nos seus braços, ainda no início
da sua administração. Ninguém duvida que,
unido e pacificado, o PMDB volte a fazer
parte do governo, indicando correligionários
para o cargo de ministro.
Esse foi
o entendimento, ou acordo, mais recente.
Não significa que será permanente, podendo
mudar a qualquer instante. O presidente
Michel Temmer participou das negociações,
mas o senador Calheiros pretende assumir
a presidência do PMDB, quando das eleições
em setembro próximo. Os dissidentes, agora
juntos, querem fazer parte da executiva.
Mas, isso é assunto para quando setembro
chegar. Até lá, há providências mais urgentes
a tomar. E o PMDB, mais uma vez, prova que
tem fôlego suficiente para continuar a existir,
participando das grandes decisões nacionais.
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