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QUINTA-FEIRA EU NÃO VOLTO
Tradicionalmente encerro minha coluna com a frase
quinta-feira eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia! Desta vez,
na próxima quinta eu não volto. Problemas de saúde me obrigam a abdicar de
parte de minhas atividades como jornalista profissional. Entre
elas - e infelizmente - a coluna Comentário Econômico que
escrevo aqui n'O Mossoroense há quatro anos ininterruptos.
Não será uma despedida definitiva na medida que vez
por outra - sem a rigidez da periodicidade - continuarei
escrevendo artigos opinativos para serem publicados na página 5 do primeiro
caderno d'O Mossoroense.
Encerro esta minha última coluna com a tristeza que
todo escrevinhador apaixonado tem ao se ver na contingência de ter de parar
ou diminuir sensivelmente a difusão de suas idéias através da escrita. Ao mesmo
tempo, porém, com a convicção do dever cumprido com honestidade
e, sobretudo, com ética. Não obstante em meus comentários denunciar e
criticar - com veemência até - governantes, políticos e homens
públicos, nunca, nestes quatro anos, a direção editorial do jornal
recebeu sequer uma carta de contestação, reparo ou pedido de Direito de
Resposta ao meu trabalho. Por dois motivos, dos quais me orgulho e pelos
quais sempre pautei meu trabalho em mais de 28 anos como
jornalista: só critico ou denuncio baseado em dados e fatos, checados à
exaustão, e nunca desfecho ataques pessoais. Critico, sim, sempre a postura e a
conduta do homem público no exercício do cargo, jamais sua vida pessoal.
Quero, por último, registrar e agradecer de público a
audiência dos leitores e a atenção a mim dispensada pela diretoria d'O
Mossoroense, nas figuras do jornalista Cid Augusto e do administrador
Alvanilson Carlos; ao atual editor-chefe, jornalista Pedro Carlos e ao
jornalista Emerson Linhares, que o antecedeu, bem como ao jornalista Márcio
Costa e aos diagramadores Paulo César e Ramon, pela retaguarda
indispensável. Boa sorte a todos!!
SAIA DO ATOLEIRO
E VOLTE A TER NOME "LIMPO"
Você, alguém da família ou mesmo algum amigo
próximo está devendo muito, com o nome negativo no SPC, no Serasa ou nos
cartórios de protestos? Está atolado em dívidas?? Pensando nisso pesquisei e
estudei alguns caminhos para uma pessoa voltar a ter o nome "limpo"
na praça.
Existem estradas e muitas atitudes que você pode tomar para se
reequilibrar financeiramente. Algumas mais difíceis, que precisam ser
incorporadas como definitivas, outras simples mudanças temporárias. Todas,
entretanto, pequenas se comparadas com a volta do crédito, da dignidade e
da sua tranqüilidade. Eu preparei algumas dicas e orientações, acompanhe
abaixo.
Comece por dominar a tentação consumista deste final e começo de
ano. Não compre nenhum presente. Um bilhete franco, humilde contando a realidade,
falando do seu amor e desejando coisas positivas, significará muito mais para
um bom filho, namorada(o), ou esposa(o) do que uma lembrança material, que pode
ser dada num futuro próximo.
Não emita cheques pré-datados, o que apenas aumenta a bola-de-neve.
Se o cartão de crédito já não estiver cancelado ou com o limite estourado,
deixe-o em casa junto com o talão de cheques para evitar recaídas.
Troque a grande rede pelo pequeno supermercado do bairro ou vila.
Você paga à vista, mas consegue preços 15%, 20%, 30% mais baratos. Além do que,
a maioria das marcas de enlatados, massas, grãos, leite em pó, produtos de
limpeza e higiene pessoal é a mesma tanto num como no outro estabelecimento.
Deixe para comprar nos grandes supermercados apenas os "produtos de geladeira",
que precisam ser frescos e de boa origem. Mesmo assim, não utilize o cartão de
"cliente especial" das redes, você acaba comprando muito mais do que
o necessário. Até pagar as dívidas e reabilitar seu nome compre apenas o extremamente
necessário para viver.
Economia em casa com luz, água, telefone fixo, Internet e até
celular, são itens que se você atingir uma meta de 25% de redução já dá uma
brutal diferença no final do mês. Some-se a isso os desperdícios com pasta
dental, sabonete, papel higiênico, cremes, xampus, condicionadores,
detergentes. Estima-se que cerca de 10% desses produtos acabem indo para o lixo
junto com as embalagens, só pela preguiça das pessoas em espremer o tubo ou
colocar um pouquinho de água para aproveitar o que fica grudado nas partes
internas dos frascos. Chame a família para uma conversa franca e séria.
Todos têm que colaborar na contenção de despesas: gato, cachorro. filhos e
empregada. Esta última merece uma conversa em particular. Você já parou para
reparar na quantidade de comida que vai, todo o dia, para o lixo na sua casa?
Sobras do almoço dão uma saudável e suculenta sopa para a noite. Fale das
dificuldades que você está atravessando para a empregada. Até porque, para
garantir o emprego, o salário, o 13°, as férias dela pagas em dia, não tem
mágica, você precisa ter dinheiro em caixa. Passado o "sufoco", a
família ainda terá o saldo positivo de ter aprendido, na prática, a
racionalizar o consumo doméstico e vai fazer tudo naturalmente.
Suspenda a compra de eletrodomésticos, roupas e sapatos. Se for
urgente, mande consertar, reformar ou compre um usado. Não tenha vergonha, o
fato não vai lhe diminuir. Na Europa e nos Estados Unidos é comum encontrar as
famílias comprando em bazares beneficentes e brechós.
Feitos esses e outros procedimentos similares que se apliquem em
suas atividades especificas, que possam economizar e estancar o que está indo
"pelo ralo", é hora de analisar de qual fonte mais você pode
tirar ou fazer dinheiro. Não recorra a agiotas, além dos tradicionais juros
escorchantes eles estão cobrando 15, 20% ao mês por conta da disparada da
inflação. Você vai tapar vários buraquinhos e arrumar um buracão maior. A sua
dívida vai crescer geometricamente e a maioria deles, agiotas, age com
violência, tem capangas contratados para a cobrança, que por sua vez usam
métodos que vão da ameaça de morte até a violência física contra você, seu
patrimônio e sua família. O melhor mesmo é vender um bem, como carro ou
terreno, sobretudo se for para saldar de vez todo seus débitos e acabar com a
angústia.
Obtido o dinheiro - mesmo que não for o total - é a
vez de iniciar os pagamentos. Dê prioridade para pagar os amigos e parentes que
lhe emprestaram qualquer quantia. Lembre-se que eles também têm contas para
quitar. Até porque, não saldar dívidas com um banco ou grande empresa, não vai
levá-los à falência; mas pode "quebrar" amigos e familiares que o
socorreram e podem voltar a fazê-lo, com juros baixos, se comparados com os
cobrados pelo mercado, numa ocasional nova urgência. Parta depois para
negociar, caso a caso, com lojas, financeiras, bancos e cartões de crédito,
pedindo sempre um abatimento nos juros, multas, encargos financeiros e
honorários advocatícios que são cobrados. Não se esqueça também de pedir uma
carta dando total quitação do débito. Eles são obrigados a dar baixa de seu
nome no Serasa e SPC, mas, de posse do documento você pode agilizar o processo,
além de evitar constrangimentos em futuros compras a prazo.
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