(REVISADO)

 

VOTO VÁLVULA-DE-ESCAPE,
NÃO VOTO DE PROTESTO...

  

 

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CLÁUDIO MONTEIRO
 
 ATUALIZAÇÕES ÀS QUINTAS
 

QUINTA-FEIRA EU NÃO VOLTO

Tradicionalmente encerro minha coluna com a frase quinta-feira eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia! Desta vez, na próxima quinta eu não volto. Problemas de saúde me obrigam a abdicar de parte de minhas atividades como jornalista profissional. Entre elas - e infelizmente - a coluna Comentário Econômico que escrevo aqui n'O Mossoroense há quatro anos ininterruptos.

Não será uma despedida definitiva na medida que vez por outra - sem a rigidez da periodicidade - continuarei escrevendo artigos opinativos para serem publicados na página 5 do primeiro caderno d'O Mossoroense.

Encerro esta minha última coluna com a tristeza que todo escrevinhador apaixonado tem ao se ver na contingência de ter de parar ou diminuir sensivelmente a difusão de suas idéias através da escrita. Ao mesmo tempo, porém, com a convicção do dever cumprido com honestidade e, sobretudo, com ética. Não obstante em meus comentários denunciar e criticar - com veemência até - governantes, políticos e homens públicos, nunca, nestes quatro anos, a direção editorial do jornal recebeu sequer uma carta de contestação, reparo ou pedido de Direito de Resposta ao meu trabalho. Por dois motivos, dos quais me orgulho e pelos quais sempre pautei meu trabalho em mais de 28 anos como jornalista: só critico ou denuncio baseado em dados e fatos, checados à exaustão, e nunca desfecho ataques pessoais. Critico, sim, sempre a postura e a conduta do homem público no exercício do cargo, jamais sua vida pessoal.

Quero, por último, registrar e agradecer de público a audiência dos leitores e a atenção a mim dispensada pela diretoria d'O Mossoroense, nas figuras do jornalista Cid Augusto e do administrador Alvanilson Carlos; ao atual editor-chefe, jornalista Pedro Carlos e ao jornalista Emerson Linhares, que o antecedeu, bem como ao jornalista Márcio Costa e aos diagramadores Paulo César e Ramon, pela retaguarda indispensável. Boa sorte a todos!!

SAIA DO ATOLEIRO 
E VOLTE A TER NOME "LIMPO" 

Você, alguém da família ou mesmo algum amigo próximo está devendo muito, com o nome negativo no SPC, no Serasa ou nos cartórios de protestos? Está atolado em dívidas?? Pensando nisso pesquisei e estudei alguns caminhos para uma pessoa voltar a ter o nome "limpo" na praça.

Existem estradas e muitas atitudes que você pode tomar para se reequilibrar financeiramente. Algumas mais difíceis, que precisam ser incorporadas como definitivas, outras simples mudanças temporárias. Todas, entretanto, pequenas se comparadas com a volta do crédito, da  dignidade e da sua tranqüilidade. Eu preparei algumas dicas e orientações, acompanhe abaixo.

Comece por dominar a tentação consumista deste final e começo de ano. Não compre nenhum presente. Um bilhete franco, humilde contando a realidade, falando do seu amor e desejando coisas positivas, significará muito mais para um bom filho, namorada(o), ou esposa(o) do que uma lembrança material, que pode ser dada num futuro próximo.

Não emita cheques pré-datados, o que apenas aumenta a bola-de-neve. Se o cartão de crédito já não estiver cancelado ou com o limite estourado, deixe-o em casa junto com o talão de cheques para evitar recaídas. 

Troque a grande rede pelo pequeno supermercado do bairro ou vila. Você paga à vista, mas consegue preços 15%, 20%, 30% mais baratos. Além do que, a maioria das marcas de enlatados, massas, grãos, leite em pó, produtos de limpeza e higiene pessoal é a mesma tanto num como no outro estabelecimento. Deixe para comprar nos grandes supermercados apenas os "produtos de geladeira", que precisam ser frescos e de boa origem. Mesmo assim, não utilize o cartão de "cliente especial" das redes, você acaba comprando muito mais do que o necessário. Até pagar as dívidas e reabilitar seu nome compre apenas o extremamente necessário para viver.

Economia em casa com luz, água, telefone fixo, Internet e até celular, são itens que se você atingir uma meta de 25% de redução já dá uma brutal diferença no final do mês. Some-se a isso os desperdícios com pasta dental, sabonete, papel higiênico, cremes, xampus, condicionadores, detergentes. Estima-se que cerca de 10% desses produtos acabem indo para o lixo junto com as embalagens, só pela preguiça das pessoas em espremer o tubo ou colocar um pouquinho de água para aproveitar o que fica grudado nas partes internas dos frascos. Chame a família para uma conversa franca e séria. Todos têm que colaborar na contenção de despesas: gato, cachorro. filhos e empregada. Esta última merece uma conversa em particular. Você já parou para reparar na quantidade de comida que vai, todo o dia, para o lixo na sua casa? Sobras do almoço dão uma saudável e suculenta sopa para a noite. Fale das dificuldades que você está atravessando para a empregada. Até porque, para garantir o emprego, o salário, o 13°, as férias dela pagas em dia, não tem mágica, você precisa ter dinheiro em caixa. Passado o "sufoco", a família ainda terá o saldo positivo de ter aprendido, na prática, a racionalizar o consumo doméstico e vai fazer tudo naturalmente.

Suspenda a compra de eletrodomésticos, roupas e sapatos. Se for urgente, mande consertar, reformar ou compre um usado. Não tenha vergonha, o fato não vai lhe diminuir. Na Europa e nos Estados Unidos é comum encontrar as famílias comprando em bazares beneficentes e brechós.

Feitos esses e outros procedimentos similares que se apliquem em suas atividades especificas, que possam economizar e estancar o que está indo "pelo ralo", é hora de analisar de qual fonte mais  você pode tirar ou fazer dinheiro. Não recorra a agiotas, além dos tradicionais juros escorchantes eles estão cobrando 15, 20% ao mês por conta da disparada da inflação. Você vai tapar vários buraquinhos e arrumar um buracão maior. A sua dívida vai crescer geometricamente e a maioria deles, agiotas, age com violência, tem capangas contratados para a cobrança, que por sua vez usam métodos que vão da ameaça de morte até a violência física contra você, seu patrimônio e sua família. O  melhor mesmo é vender um bem, como carro ou terreno, sobretudo se for para saldar de vez todo seus débitos e acabar com a angústia.

Obtido o dinheiro - mesmo que não for o total - é a vez de iniciar os pagamentos. Dê prioridade para pagar os amigos e parentes que lhe emprestaram qualquer quantia. Lembre-se que eles também têm contas para quitar. Até porque, não saldar dívidas com um banco ou grande empresa, não vai levá-los à falência; mas pode "quebrar" amigos e familiares que o socorreram e podem voltar a fazê-lo, com juros baixos, se comparados com os cobrados pelo mercado, numa ocasional nova urgência. Parta depois para negociar, caso a caso, com lojas, financeiras, bancos e cartões de crédito, pedindo sempre um abatimento nos juros, multas, encargos financeiros e honorários advocatícios que são cobrados. Não se esqueça também de pedir uma carta dando total quitação do débito. Eles são obrigados a dar baixa de seu nome no Serasa e SPC, mas, de posse do documento você pode agilizar o processo, além de evitar constrangimentos em futuros compras a prazo.

   

CLÁUDIO MONTEIRO EMAIL:claudiomonteiro@brasilja.com.br

É jornalista profissional tendo curso de extensão em Economia pela Universidade de Brasília (UnB); editor do site NATAL JÁ! BRASIL JÁ! (www.brasilja.com.br) e comentarista econômico da TV Natal (canal 10 da TV a cabo).

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