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JOGADA
ARRISCADA
A possibilidade
de um acordo do PFL com o PMDB, no Rio Grande
do Norte, foi como um amor à primeira vista.
Ou, seria melhor dizer, uma segunda recaída?
Afinal de contas, em 1978, em condições
diferentes, existiu a coligação. Nesse ano,
os líderes principais eram Aluísio Alves
e Tarcísio Maia. Hoje, os senadores José
Agripino e Garibaldi Filho é que tentam
afinar os instrumentos.
Com tantos
instrumentos desafinados, ficou mais difícil
encontrar o tom que agradasse a todos os
ouvidos. E os acordes destoantes se fizeram
escutar, atrapalhando o andamento da peça.
Pela complexidade dos integrantes do conjunto,
aconteceu o que, à exceção dos regentes,
toda a platéia já sabia. Impossível manter
a unidade se os figurantes teimam em não
aceitar a partitura.
Não demorou
a iniciar a debandada. Os mais desafinados,
como era de se esperar, começaram a bater
em retirada. Entenderam ser impossível a
convivência entre os contrários, sem que
houvesse um preparo prévio. Bastou que o
primeiro saísse e outros três anunciassem
a mesma posição para que se ouvisse o grito
utilizado para salvar uma boiada. Terá chegado
a tempo?
Numa aproximação
perigosa, PMDB e PFL pareciam arriscar tudo
na união entre os dois partidos. A decisão
foi tomada em reunião fechada, sem a participação
dos demais interessados no processo. O PFL
se afasta, de maneira abrupta, e deixa o
PMDB a ver navios. Afinal de contas, quem
ainda permanecerá no PFL? Quantos já saíram
do PMDB? Quantos permanecerão até o final
da peleja?
Desde 1986,
quando disputei meu primeiro cargo eletivo,
já passaram pelo partido Geraldo Melo, Fernando
Bezerra, Agnelo Alves, Carlos Eduardo Alves,
Álvaro Dias, Nélio Dias, Robinson Faria
e Múcio Sá, para falar somente nos que continuam
em atividade política mais constante. Às
vésperas de uma sucessão governamental,
não há mais espaço para aventuras. Por
que não dividir as responsabilidades?
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