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TUDO É POSSÍVEL
Lindomarcos
Faustino
Sócio da POEMA – Poetas e Prosadores de Mossoró
É possível viver sem dinheiro,
É
possível viver sem sentir dor,
É possível viver sem fazer guerra,
Só
que é impossível esquecer de ti, amor!
É possível viver sem inimigo,
É
possível viver sem uma paixão,
É possível viver sem fantasia,
Só
que é impossível tirar você do coração!
É possível viver sem trabalhar,
É
possível viver sem religião,
É possível viver sem vício,
Só
que é impossível tirar você do coração!
É possível viver sem sexo,
É
possível viver sem prazer,
É possível viver sem desejo,
Só
que é impossível viver sem você!
ENCONTRAR-SE
Iva Meireles
Jornalista
(João Pessoa/PB)
Haverá desejo maior
Do que encontrar
a si próprio?
Que encontro esperado e abençoado
Descobrir
a si mesmo
Viajar bem dentro do ser...
Ser, estar, permanecer, existir,
Tens
absoluta certeza do agir?
Nem sequer descobrir-te a ti mesmo...
Como
responder? Como saber?
O que poderias ser?
Crise de identidade? Não, não mesmo!
Crise
no existir, no estar, no pensar, no viver...
Perguntaste-me o
queria?
O querer estar? Egoísta maldito!
Mundinho medíocre,
Fracassado
e traiçoeiro
Brincas de cordeiro
Devorando pobres frágeis
Presas
vulneráveis...
Eu não! Eu não!
Maldito sofrimento
Afasta-te
de mim
Pois já sei não mais existir...
POEMA PARA QUEM PASSA
Kalliane
Sibelli
Sócia da POEMA – Poetas e Prosadores de Mossoró
O que em mim vê
Ainda é cedo
pra falar.
Outro dia encontrei-me
Tão interiormente inerte
Como alguém que de repente
Parasse dentro do tempo
Para
se ver, a si mesmo,
Nos passos que passam.
Que nome inventarei
A isso que ‘inda não sei?
Eram pés de ruas lassas
E pedras
cheias de arestas
Sugando cada intervalo.
Eram pernas como
galhos
Insistentes sobre a areia
Que de pasto lhe servia.
Era assim que ele ia,
Com os olhos arrastados
Pelo fio
que a rua
Desenhava para o nada.
Era assim que ele ia...
E todo
carne eu perguntava:
Pra que tanta poesia?
Bem quisera eu
descobrir
Essa inconsciência aberta
Que consigo transportava,
Para andar por esse mundo
Encharcado do não-saber
Que
rebenta de ar e água
Que pensamos conhecer.
E era assim que ele ia...
E
todo em mim eu reparava
Por que tanta poesia.
INTENSIDADE
Adriano Cruz
Jornalista
(Natal/RN)
Quero viver intensamente o receio
De perder os últimos abraços
E dividir com a dor meu desespero
Vendo
o ziguezague dos seus passos
Rirei da volúpia do tempo
Com
danças disfarçarei os medos
De me apegar aos tormentos.
Quiçá, escreva-me um bilhete
Uma
carta de seu novo lar
As novas, rasgarei ao poente.
Com face dura, a alma a soluçar.
Fingirei jogar o Contente
Vivendo na saudade de amar.
FLOR DE CACTO
Leônidas
Poeta
mossoroense
Eu sou o filho
que a mãe queria
ter
abortado.
Num bordado de renda branca
enterrado sob
sete terras,
pra nunca mais.
Eu sou o parto
partindo o coração,
o
sal das lágrimas.
Sou, de fato,
o que não devia ser.
Sou dez dias de fome e sede.
Sou
muito mais.
Ingratidão.
Eu sou o filho
Que a mãe queria
ter
Abortado.
SEDUTORA
Antonio Maciel
Contador
- cont.maciel@uol.com.br
Todos lhe desejam, mas ninguém
te ama.
Nada podes querer, serpente
Porque não tens amor,
És
vazia, como planta morta
Que já não dá frutos.
Tens uma alma repugnante,
Conforme-te!
Não podes fazer mais
Que estender as mãos aos homens
E seduzi-los
com as promessas de teu corpo.
Contente-se! Nessa profissão do
desejo,
Ninguém como tu para simular inocência
e para ferir
com seus olhos sedutores.
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Mossoró-RN, de 2005