|
Desrespeitando
a vida
A decisão
do secretário e Saúde Ívis Bezerra determinando
a redução das Autorizações para Internamentos
Hospitalares - AIHS, continua fazendo vítimas
pelo Rio Grande do Norte afora. Afinal de
contas, a medida do secretário atinge em
cheio aquela população mais pobre e mais
humilde que não pode pagar e, consequentemente,
não pode possuir um plano de saúde,. Na
verdade, essa determinação governamental
no nosso Estado vem no bojo de outras já
referenciadas pelo governo central na área
da saúde, o que resulta sempre em mais e
mais prejuízos para a população carente
que necessita de atendimentos pelo Sistema
Único de Saúde. Para que se faça uma comparação
do contexto, só no ano passado o setor de
saúde pública, por conta de divergências
contidas na interpretação de legislação
financeira atinente, perdeu 1 bilhão e 400
milhões de reais. É muito dinheiro para
quem já anda com a situação tão depauperada.
Como se
isso não fosse o suficiente para introduzir
o quadro da saúde pública no Brasil na estrada
do verdadeiro caos, o presidente Lula da
Silva cortou ainda mais o orçamento para
o setor e, dos 31 milhões e 300 mil reais
pleiteados pelo Ministério da Saúde, com
o contigenciamento de verbas este ficou
com apenas 26 milhões de reais. Com o agravante
de que o ministro Humberto Costa ao invés
de lutar para resgatar esses valores, preferiu
ficar esperando a liberação dos recursos
previstos.
Claro que
isso tudo se reflete em termos de Brasil,
mas, particularizando a nossa situação,
podemos afirmar que as medidas incidem,
sem piedade, nas emergências dos nossos
hospitais, particularmente das unidades
públicas. A falta de leitos nas UTIs é um
dos graves problemas com que nos deparamos,
além de casos fatais de pessoas acometidas
das doenças as mais comuns.
Na verdade,
o Brasil está necessitado nesse aspecto
da adoção de medidas realistas, com dotações
financeiras capazes de atender às necessidades
básicas do setor. Somente decisões de tal
envergadura seriam suficientes para suprir
as exigências mais prementes, possibilitando
a melhoria das estruturas dos hospitais
públicos, pagar aos hospitais particulares,
remunerar bem os profissionais de saúde
cobrando destes a dedicação devida ao serviço.
Além de um elenco de medidas que inclui
a presença do médico nos municípios do interior,
consolidação do sistema de atendimento primário
e fortalecimento do Programa Saúde da Família,
moralização do emprego dos recursos etc.
Só com isso se terá o mínimo encaminhamento
dos problemas. Do contrário o que está aí
retratado vai continuar existindo podendo
ser considerado como um verdadeiro desrespeito
à vida.
|