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O criador do país
de Mossoró
GERALDO MAIA gmaia@bol.com.br
Em 25 de setembro de 1920, num dia
de sábado, nascia em Mossoró, num velho casarão da rua
30 de Setem-bro, Jerônimo Vingt-un Ro-sado Maia, sendo
filho do patriarca Jerônimo Rosado e dona Isaura Rosado
Maia. Era o vigésimo primeiro filho de uma família numerosa
e numerada, como ele mesmo gostava de dizer, já que
seu nome vem exatamente da seqüência à ordem numérica
francesa dos nomes que Jerônimo Rosado dava aos filhos.
Teve uma infância normal, de brincadeiras
telúricas, embora dando a impressão de ser um pouco
contemplativo. Desde cedo se dedicou aos empreendimentos
intelectuais, preferindo acompanhar a atividade do irmão
mais velho, Tércio, filho do primeiro matrimônio do
seu pai, que era um homem culto, poeta, amante dos livros
e pioneiro do cooperativismo no Estado. E foi ainda
na juventude que começou a cultivar o gosto pelos livros
e pela pesquisa histórica. Na adolescência atuou como
bibliotecário no Colégio Santa Luzia. E esse gosto pelos
livros o acompanharia durante toda a sua vida.
Em 1940 parte para Lavras/MG, para
estudar agronomia. Lá chegando, o seu envolvimento com
os livros, as letras e a pesquisa tornou-se mais intenso.
Concluindo o curso em novembro de 1944, volta para Mossoró
para desenvolver atividades junto a empresa familiar
que atua na área de exploração de gesso e paralelamente
começa a desenvolver um trabalho no campo cultural,
que culminou com a criação da Coleção Mossoroense.
Apesar de pertencer a tradicional
família de políticos que comanda Mossoró por gerações,
preferiu enveredar mesmo pelo caminho da cultura. Na
verdade, chegou mesmo a disputar dois cargos eletivos.
A primeira vez candidatou-se a prefeito de Mossoró,
perdendo por uma margem de 0,4%, em 1968. Em 1972 elegeu-se
vereador com a maior votação proporcional da história
de Mossoró. Mas foi mesmo na área cultural que se destacou,
tornando-se ícone da cultura local. Em 1940, com apenas
20 anos, publicou o seu primeiro livro, que recebeu
o título de "Mossoró". A esse, seguiram mais
de duzentos, versando sobre temas que vão da antropologia
ao estudo das secas.
Como convocado de guerra em 1945,
sofreu uma punição por transgressão disciplinar, ficando
detido na cadeia da Companhia Escola de Engenharia de
Ouro Fino/MG, por 15 dias. O motivo da pena foi ter
fugido para encontrar-se com sua namorada, América Fernandes
Rosado, que seria sua companheira por toda a vida. Segundo
um depoimento do próprio Vingt-un, ao terminar a carreira
militar, o seu comportamento foi considerado insuficiente.
Mas ganhou o amor de sua vida.
Vingt-un esteve sempre presente em
várias frentes de atividade cultural, tanto no município
como no Estado. Foi professor fundador de três faculdades
e idealizador da URRN, hoje Universidade do Estado do
Rio Grande do Norte. Foi fundador e duas vezes diretor
da ESAM, hoje Universidade Federal Rural do Semi-Árido
e professor Honoris Causa da UERN. Integrou o Conselho
Estadual de Cultura, foi membro de quatro Academias
em dois estados da Federação, tendo sido criador e ex-presidente
de duas delas, a Academia Norte-rio-grandense de Ciências
e a Academia Cearense de Farmácia.
Jerônimo Vingt-un Rosado morreu no
dia 21 de dezembro de 2005, aos 85 anos de idade. Morreu,
não; encantou-se. Continua vivo na memória do povo da
terra que tanto amou, ao ponto de idealizar nela um
país, o País de Mossoró. Nesta sua Pasárgada, ele era
amigo do rei, mas era amigo também de qualquer homem
do povo. Fez-se General da Cultura e nessa área abraçou
várias causas, venceu várias batalhas: a batalha da
cultura, a batalha da água, a batalha do petróleo e
tantas outras batalhas que estão documentadas na sua
grande obra. É nessa obra que deixou como legado que
Vingt-un vive, pois esse é o segredo da imortalidade:
ressurgir sempre que um livro seu é aberto, que uma
frase sua é repetida e que um gesto seu é lembrado.
Nas palavras de Celso Carvalho, "é triste
passar pela vida como a sombra pela estrada. Quando
passa é percebida... passou não resta mais nada".
Por isso Vingt-un fez-se luz. E assim criou o País de
Mossoró.
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Sobre eleições
Marcos Bezerra Jornalista
- marcos.bezerra@redeintertv.com.br
Você já parou para assistir ao horário
eleitoral gratuito na televisão? Não? Então apro-veite,
porque já está aca-bando!
Para quem gosta de ver gente é um
prato cheio.
Neste ponto o meio político parece
ter copiado a diversidade que se vê nas ruas. Estão
todos lá: o preto, o mulato e o branco; o pobre, o rico
e o milionário; o intelectual, o político sério, o que
pensa ser sério e o que está aí mesmo para tentar desmoralizar
o processo. As ideologias desfilam diante dos olhos
dos telespectadores. Não deixa de ser uma forma de abrir
a cabeça numa sociedade onde seus integrantes cada vez
mais se fecham em nichos. Não deixa de ser o povo passando
na telinha.
E, tão bom quanto ver as caras e caretas
dos candidatos, é ouvir as propostas, as verdades e
as mentiras plantadas por eles. Digo assim porque é
óbvio que nem todo mundo mente; do mesmo jeito que nem
todo mundo fala a verdade. Se todos assim procedessem
a conta simplesmente não fechava. - Eu fiz assim, eu
fiz assado. É tanta coisa boa que se fossem reais estaríamos
no melhor dos mundos e não nesse lugarzinho eternamente
subdesenvolvido chamado Brasil. Melhor corrigir: país
em desenvolvimento.
Não podemos acreditar que a classe
política brasileira está perdida - ou sempre esteve
perdida. Não dá para pensar assim se percebemos que
houve avanços, em todos os sentidos. Ou alguém vai tentar
nos convencer de que no passado dos coronéis a política
era mais limpa do que agora? Tínhamos, claro, os bons
exemplos. Alguns dos nomes que hoje vemos em cidades,
fundações, prédios públicos, ruas e praças realmente
foram merecedores das homenagens. Mas, usando um termo
bem sertanejo, e a miunça?
Hoje pelo menos temos uma população
com um pouco mais de consciência e uma Justiça bem mais
vigilante e que já não se mostra tão lerda. Prova disso
são os inúmeros prefeitos afastados por corrupção -
já foram tarde - aqui mesmo no Rio Grande do Norte.
Interessante que o Estado é entre
todos, incluindo aí o Distrito Federal, o que apresenta
o menor número de candidatos. São 257, disputando os
cargos de governador, senador, e deputados federal e
estadual. Pra efeito de comparação a Paraíba, bem parecida
com a gente, tem 361 candidatos e Sergipe, menor, tem
275. Mesmo assim não devemos em nada a ninguém no quesito
das campanhas bizarras.
Temos o Moura, um velhinho caquético
que faz pose de super-herói, Zé do Bode, com chifre
e tudo, um padeiro que não larga o chapéu e quer ser
senador, Canelinha, o homem que não come pizza nem arrumadinho,
Vigor, que esbanja vitalidade e, para horror das mulheres,
Gil Móveis, que puxa um rato do bolso. Sem contar o
Xeque Humberto, um xeique fajuto candidato ao governo;
simbolizando o mesmo personagem que, anos atrás, prometia
financiar a ponte Natal-Fernando de Noronha, a principal
promessa do pai das candidaturas esdrúxulas, Miguel
Mossoró.
Quem descobriu o filão do voto de
protesto em terras potiguares parece ter sido o sargento
reformado da Polícia Militar. Até a eleição de 2004,
para a prefeitura de Natal, ele era um ilustre desconhecido.
O homem das promessas mirabolantes, que ia dar tapa
nos turistas mal-intencionados, conseguiu ficar em terceiro
na disputa vencida por Carlos Eduardo. Miguel Mossoró
deixou o pequeno PTC à frente das candidaturas de partidos
tradicionais do PT, com Fátima Bezerra, e do PFL, com
Ney Lopes. Teve quase vinte mil votos a mais que os
dois deputados federais juntos. Talvez para não se mostrar
corrompido, em 2004, ele até rejeitou apoiar um dos
candidatos no segundo turno; era parte da estratégia
traçada para este ano.
Miguel Mossoró agradece os 67.065
votos.
Aguarde. 2006 estou de volta.
O adesivo, com erro de concordância
e tudo, foi distribuído após a campanha de 2004.
O candidato só não contava que a idéia
dele corria o risco de ser copiada... E foi o que aconteceu.
O PTC ficou para trás na apresentação do absurdo e o
resultado é que Miguel Mossoró não figura em nenhuma
lista dos futuros ocupantes das cadeiras do Palácio
José Augusto. No caminho alguém deve ter esquecido que
o eleitor que protesta é muito mais volúvel do que o
que vota consciente. De tantos candidatos é bem provável
que os votos sejam pulverizados. Como consolo, no final,
eles podem ficar na lista dos candidatos toscos do YouTube,
um site que coleciona vídeos caseiros enviados de todas
as partes do mundo e onde podemos encontrar algumas
pérolas.
Da minha parte vou continuar garimpando
no horário eleitoral gratuito. Depois do Rio Grande
do Norte troquei de canal para acompanhar o de São Paulo,
que é muito chato, o de Sergipe, onde a disputa está
bem equilibrada, e o do Ceará, onde os golpes abaixo
da linha da cintura incendeiam a eleição.
Para quem quiser se dispor a fazer
o mesmo, uma dica: já que não vamos mesmo votar nestes
candidatos podemos ignorar os que têm muito tempo para
falar; prestar um pouco de atenção no que os sérios
dizem; não levar em conta os que apenas querem demonstrar
seriedade e dar boas risadas das propostas mirabolantes.
Podemos aproveitar também para repetir uma frase criada
por um famoso radialista norte-rio-grandense: ‘ô povo
fêi!’
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