|
Juiz
Luis Felipe Lück Marroquim
O juiz Luis Felipe
Lück Marroquim, 31 anos, é formado em Direito pela Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE) desde 1998 e tem curso
de Preparação à Magistratura (ESMAPE - 2000).
Atualmente está cursando Especialização em Direito Civil
pela ESMARN/UnP. Tem como hobby a literatura, cinema
e viagens. Atualmente está lendo "A Biblioteca
e Seus Habitantes", de Américo de Oliveira Costa.
Ele nasceu em Recife, é solteiro e trabalha na cidade
de Apodi/RN. Tem como lema de vida buscar ser sempre
otimista.
Por Leonardo Sodré Editor
Geral
O Mossoroense -
Antes de ser juiz o senhor trabalhou como advogado?
Luis Felipe Lück
Marroquim - Não. Sempre optei pelo serviço público.
Já na faculdade fui nomeado atendente judiciário do
TJPE. Depois de formado, trabalhei como oficial de promotoria
do Ministério Público de Pernambuco e, antes de ingressar
na magistratura, como analista processual do Ministério
Público da União. Todas essas experiências foram relevantes
para a minha formação.
OM - Em várias áreas
do Judiciário temos juízes jovens, em alguns casos,
muitos saídos diretamente da faculdade. A falta de experiência
atrapalha o dia-a-dia de um juiz?
LFLM - Recentemente
foi instituída como mínima a idade de 25 anos. De fato,
o amadurecimento pessoal contribui significantemente
para o exercício da magistratura. Mas a pouca idade
por si só não é um fator impeditivo ou que possa medir
a qualidade da atuação de um magistrado. Não se pode
esquecer que todos são submetidos a uma triagem rigorosa
através do concurso público, bastante concorrido. Na
realidade, os recém-formados, via de regra, contam com
uma base mais sólida nos novos métodos de interpretação
e aplicação do Direito. De qualquer forma, a experiência
maior é aquela adquirida no próprio exercício da magistratura:
não julgo da mesma forma que quando iniciei a carreira.
OM - O julgamento
é um ato isolado baseado na lei e no bom senso, o juiz
fica muito só no momento de julgar?
LFLM - Embora o julgamento
seja um ato isolado, o julgador não pode se distanciar
dos valores sociais e democráticos no desempenho de
sua função.
OM - O senhor começou
sua carreira como magistrado em que cidade?
LFLM - Minha primeira
designação foi para Santa Cruz e depois Cruzeta. Como
titular, trabalhei em Umarizal antes de ser promovido
para Apodi.
OM - Em que momento
chegou em apodi e como encontrou, em termos de celeridade,
o seu tribunal?
LFLM - Fui promovido
para a Vara Criminal e Juizados Especiais Cível e Criminal
de Apodi em janeiro de 2004. Só nos Juizados havia 1.100
processos, além dos 500 da Vara Criminal. O acúmulo
de feitos era enorme, inclusive na Vara Cível, com mais
de 2.000 feitos, já que havia quase cinco anos que só
um juiz respondia por toda a comarca e zona eleitoral,
sendo humanamente impossível manter tudo em dia. Havia
muita insatisfação. A partir de 2004, com dois juízes
na comarca, servidores nomeados e informatização, este
quadro vem se alterando. No Juizado, já diminuímos os
números para 700 e não há mais feitos criminais em atraso.
A perspectiva é ainda melhor, principalmente porque
será implantado um novo sistema de informática (SAJ)
e foram adotadas medidas para agilizar a troca de informações
entre os órgãos do Judiciário. No final deste ano devemos
ganhar um novo fórum para melhor atender aos jurisdicionados.
OM - O senhor trabalha
com a colaboração da polícia, ela é eficiente no seu
município?
LFLM - A Comarca de
Apodi engloba, além do município-sede, os termos de
Felipe Guerra, Severiano Melo, Itaú e Rodolfo Fernandes,
ou seja, é uma área bastante extensa. O efetivo disponibilizado,
tanto para a Polícia Militar quanto para a civil, é
insuficiente e prejudica os resultados, mas dentro do
possível, o tenente Aderlan, apoiado pelo Comando Geral
da PM, tem feito um trabalho preventivo exemplar, que
já rendeu frutos, como a diminuição dos níveis de poluição
sonora e do número de homicídios na região, só para
exemplificar. A Polícia Civil, por sua vez, só conta
com um delegado de carreira na comarca, o de Apodi.
Nos termos, a função de delegado recai sobre um militar,
sem a formação adequada e com uma equipe muito reduzida,
sendo o resultado muito aquém do ideal, apesar do esforço.
OM - O fato de Apodi
ser fronteira com o Ceará a torna mais vulnerável a
crimes?
LFLM - Além da grande
extensão e do pequeno efetivo policial, o limite com
o Ceará torna a comarca mais atrativa para alguns crimes
em particular, principalmente a atuação de quadrilhas
de roubo de carga e tráfico de drogas, pela BR que corta
a região e pelo elevado número de estradas vicinais
que facilitam a fuga.
OM - Como o senhor
vê o crescimento cada vez maior da violência na região
Oeste do Rio Grande do Norte?
LFLM - Não são todos
os crimes que estão crescendo. Os homicídios diminuíram
significantemente. Já a violência doméstica chegou a
níveis altíssimos, principalmente em decorrência do
consumo de álcool na região que é elevado. O aumento
da pena para esses delitos veio em boa hora.
OM - A maioria dos
assassinatos que ocorrem nesta região é por armas de
fogo. O senhor não acha que deveria haver mais fiscalização
por parte da polícia para coibir tantas armas?
LFLM - A polícia vem
apreendendo muitas armas de fogo, mas não pode fazer
mais por falta de efetivo.
OM - O senhor, como
um juiz ainda jovem, deve ter planos para a sua carreira.
o que pensa em fazer doravante?
LFLM - Pretendo fazer
um mestrado em ciências criminais e um dia atuar na
execução penal, oportunizando a ressocialização dos
presos.
OM - O senhor já
sofreu algum tipo de ameaça?
LFLM - Nada relevante
ou concreto, mas a mídia tem demonstrado que os índices
de violência contra juízes vêm aumentando.
OM - Existem muitos
crimes ainda não resolvidos em Apodi?
LFLM - Sim. Há inúmeros
inquéritos em andamento sem a autoria conhecida: é muito
difícil combater o crime organizado sem uma polícia
especializada e sem que a população se sinta segura
para colaborar como testemunha.
OM - Quais as maiores
ocorrências no seu tribunal?
LFLM - No quadro geral,
homicídio e crimes contra o patrimônio (furto e roubo).
Recentemente, tem aumentado o número de apreensões de
porte ilegal de arma de fogo.
OM - Nas grandes
cidades os crimes sexuais (estupro) têm crescido nos
últimos anos. O interior acompanha essa tendência?
LFLM - Não há muitos
processos criminais relacionados a estupro na comarca.
Não tenho dados para concluir se a incidência aqui é
menor ou se a polícia não é comunicada a respeito.
OM - O senhor espera
que em 1° de outubro as eleições serão tranqüilas em
Apodi?
LFLM - As eleições
municipais são tumultuadas na região, especialmente
em Apodi e Felipe Guerra, mas o clima é amenizado substancialmente
nas eleições gerais, como é o caso deste ano. Todos
têm colaborado.
|