|
Hai Kai da Primavera Da
Matta Poeta (Natal/RN)
A primavera chegou e ninguém notou.
Será que foi baixinho ou a cor não mudou?
A primavera chegou e ninguém sorriu Ou
foi alguém que dormiu?
A primavera entra sem dizer nada Acho
que foi minha amada
ANA C. Sílvio Atanes Escriba
digital e repórter de papel (Santos/SP)
última gota toca a chaga noturna
da solidão fio de cabelo brilha passageira feliz "a
teus pés" a lágrima demarcadora invasão de
território meu ilusório cobertor estertor
a saga de tua pena recriará a cena nascente
estampa do prazer ser gente é ter certeza da
trajetória zênite do fracasso límpidos horizontes após
tua transição teu retrato descolou no ato levitantes
castelos ao amanhecer
MINHA MÃE Ângela Gurgel
Graduada em Ciências Sociais e graduanda em
Filosofia pela Uern
Mulher simples, de origem humilde, Seu
saber foi a vida que ensinou, Sua inteligência a
vida aguçou Forte de natureza, nunca fracassou.
Foram dela as maiores lições que tivemos Com
ela aprendemos a perdoar, Conviver com os diferentes, Aceitar
aquilo que não podemos mudar.
Sempre alegre, festiva, animada, Não
se deixava abater pelas dificuldades A casa sempre
cheia, era o ponto de chegada, De todos os seus familiares.
Nunca deixou que percebêssemos a dor Que
no peito trazia; a tristeza de um amor dividido, Não
a tornou amarga ou incapaz de amar Era um exemplo
a ser copiado, seguido.
Sempre superou tudo com alegria E
nos ensinou a amar e respeitar Sem dizer uma palavra,
apenas vivia; E isso era suficiente para nos guiar.
Foi fiel ao seu destino, não traiu; Nem
de sua dignidade desistiu Foi honesta com todos e
a ela mesma Foi fortaleza onde poderia ter sido fraqueza.
Com a senhora mamãe não precisaram
palavras Só exemplo, amor e dedicação, O que somos
hoje é reflexo de sua ação De seu jeito honesto de
ser.
Obrigada mamãe, parabéns e felicidades Se
olhando para nós e não sentires orgulho O erro não
foi seu, nós é que não soubemos Seguir seus ensinamentos
com fidelidade.
SE EU FOSSE UM PADRE Mário
Quintana
Se eu fosse um padre, eu, nos meus
sermões, não falaria em Deus nem no Pecado - muito
menos no Anjo Rebelado e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas: nada
das suas celestiais promessas ou das suas terríveis
maldições... Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos, desses
que desde a infância me embalaram e quem me dera
que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma ...
a um belo poema - ainda que de Deus se aparte - um
belo poema sempre leva a Deus!
DOR ABSTRATA Gilbamar Bezerra Poeta
(Natal/RN)
Saudade é a inusitada dor abstrata
Que, embora invisível e sem forma, Dói, e aos
poucos, sorrateira, mata Torturando sem dó o coração
que ama
Soberana, ela chega e toma conta Criando
amarga raiz permanente E, às vezes, o sujeito nem
nota Mas, quando se toca está doente
Não que ela seja sutil, é serpente
Maliciosa que vem insinuante E se instala com
o fito de maltratar
É que a saudade é dor lancinante Que
dilacera sonhos... é instante Iniciado sem tempo
para acabar
FELICIDADE Fátima Feitosa Pedagoga
(Mossoró/RN) bellavid_1@hotmail.com
Gosto de pensar em ti Paro no
tempo e espaço Não vejo os acontecimentos Esqueço
até o que faço.
Desligo e me ligo em você Sonho
acordada, encantada... Sorriu imaginando o já acontecido
Tudo pára, eu maravilhada.
As músicas que ouço Me transportam
a você Dando asas a imaginação Desejando um
acontecer.
A cada dia o sol brilha Despertando
novo amanhecer Cheio de possibilidades Quem
sabe encontro você.
Então o céu será mais azul O sol
amarelo ouro intenso O mundo ficará bem leve O
amor se tornará imenso.
|