Mossoró-RN, domingo 24 de setembro de 2006

Hai Kai da Primavera
Da Matta
Poeta (Natal/RN)

A primavera chegou e ninguém notou.
Será que foi baixinho ou a cor não mudou?

A primavera chegou e ninguém sorriu
Ou foi alguém que dormiu?

A primavera entra sem dizer nada
Acho que foi minha amada

ANA C.
Sílvio Atanes
Escriba digital e repórter de papel (Santos/SP)

última gota
toca a chaga
noturna da solidão
fio de cabelo
brilha passageira feliz
"a teus pés"
a lágrima demarcadora
invasão de território
meu ilusório cobertor
estertor

a saga de tua pena
recriará a cena
nascente estampa
do prazer
ser gente é ter certeza
da trajetória
zênite do fracasso
límpidos horizontes
após tua transição
teu retrato
descolou no ato
levitantes castelos
ao amanhecer

MINHA MÃE
Ângela Gurgel  
Graduada em Ciências Sociais e graduanda em Filosofia pela Uern

Mulher simples, de origem humilde,
Seu saber foi a vida que ensinou,
Sua inteligência a vida aguçou
Forte de natureza, nunca fracassou.

Foram dela as maiores lições que tivemos
Com ela aprendemos a perdoar,
Conviver com os diferentes,
Aceitar aquilo que não podemos mudar.

Sempre alegre, festiva, animada,
Não se deixava abater pelas dificuldades
A casa sempre cheia, era o ponto de chegada,
De todos os seus familiares.

Nunca deixou que percebêssemos a dor
Que no peito trazia; a tristeza de um amor dividido,
Não a tornou amarga ou incapaz de amar
Era um exemplo a ser copiado, seguido.

Sempre superou tudo com alegria
E nos ensinou a amar e respeitar
Sem dizer uma palavra, apenas vivia;
E isso era suficiente para nos guiar.

Foi fiel ao seu destino, não traiu;
Nem de sua dignidade desistiu
Foi honesta com todos e a ela mesma
Foi fortaleza onde poderia ter sido fraqueza.

Com a senhora mamãe não precisaram palavras
Só exemplo, amor e dedicação,
O que somos hoje é reflexo de sua ação
De seu jeito honesto de ser.

Obrigada mamãe, parabéns e felicidades
Se olhando para nós e não sentires orgulho
O erro não foi seu, nós é que não soubemos
Seguir seus ensinamentos com fidelidade.

SE EU FOSSE UM PADRE
Mário Quintana

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
- muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
... a um belo poema - ainda que de Deus se aparte -
um belo poema sempre leva a Deus!

DOR ABSTRATA
Gilbamar Bezerra
Poeta (Natal/RN)

Saudade é a inusitada dor abstrata
Que, embora invisível e sem forma,
Dói, e aos poucos, sorrateira, mata
Torturando sem dó o coração que ama

Soberana, ela chega e toma conta 
Criando amarga raiz permanente
E, às vezes, o sujeito nem nota 
Mas, quando se toca está doente

Não que ela seja sutil, é serpente
Maliciosa que vem insinuante
E se instala com o fito de maltratar

É que a saudade é dor lancinante
Que dilacera sonhos... é instante
Iniciado sem tempo para acabar

FELICIDADE
Fátima Feitosa
Pedagoga (Mossoró/RN)
bellavid_1@hotmail.com

Gosto de pensar em ti
Paro no tempo e espaço
Não vejo os acontecimentos
Esqueço até o que faço.

Desligo e me ligo em você
Sonho acordada, encantada...
Sorriu imaginando o já acontecido
Tudo pára, eu maravilhada.

As músicas que ouço
Me transportam a você
Dando asas a imaginação
Desejando um acontecer.

A cada dia o sol brilha
Despertando novo amanhecer
Cheio de possibilidades
Quem sabe encontro você.

Então o céu será mais azul
O sol amarelo ouro intenso
O mundo ficará bem leve
O amor se tornará imenso.

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