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Meu velho mestre,
Vingt-un
Amanhã meu velho mestre completaria
86 anos de vida, paixão pelos livros e teimosia para
com as coisas da cultura.
Nos últimos tempos pedia sempre que
não emocionassem muito "o velho de oitenta anos",
mas muitas foram as emoções que ele viveu e maiores
ainda aquelas que ele promoveu para muita gente.
Lembro da primeira vez que estive
com Vingt-un, levado pelo braço por Cid Augusto.
Àquela época, no ano de 1996, houve
uma enxurrada de poesia em Mossoró, a maior que já presenciei
nestes meus 14 anos de feliz exílio.
Publicamos a um só tempo, Marcos Ferreira,
Cid, Genildo Costa e eu os nossos enfeixes de poemas.
Eram os primórdios da POEMA.
Vingt-un encantou-se por uma poesia
minha intitulada "E na solidão escrevi" que
dava nome ao meu primeiro livro e eu encantei-me com
aquele universo mágico de tantos livros, encanto que
algum tempo depois eu mesmo veria estampado nos olhos
de tanta gente.
Vingt-un falou-me das dificuldades
que acompanhavam aquele trabalho já de quase cinqüenta
anos, à época, e me dava sugestões para que eu arrecadasse
recursos para publicar aquele primeiro trabalho.
Tempos depois Vingt-un me procurou
para saber se eu sabia mexer com computador. Eu trabalhava
no O Sujeito, dirigido por Crispiniano Neto, mas disse-lhe
que sim, sabia "mexer em um computador". Ele
pediu-me para ir à sua casa numa segunda-feira, não
pude ir. Na manhã da terça, muito cedo, o motorista
dele chegou à minha procura e me "raptou".
Era pra digitar "Sindicato do
Garrancho", visto que seu neto Laurence estava
assoberbado com os trabalhos da faculdade de Direito
e não poderia continuar o trabalho.
Terminei a digitação do livro, ele
me pagou e fui embora. Dois dias depois ele me ligou
perguntando o que havia acontecido. Porque eu não havia
mais aparecido no trabalho.
Não entendi, imaginei que fosse somente
aquele primeiro trabalho. Nunca mais saí de dentro das
suas oficinas de saber.
Nunca falamos de salário, de contratos
trabalhistas, de horas de folga. A vida foi passando
e eu fui sendo feliz ao lado daquele gênio da editoria
no Rio Grande do Norte.
Eu vi Vingt-un chorar e sorrir, bradar
e cobrir de elogios. Testemunhei coisas que nem a sua
família testemunhou: desabafos, palavras descomprometidas
com o "homem público".
Ganhei um novo herói.
...et cetera e coisa
e tal...
Marcos Pinto, presidente da Academia
Apodiense de Letras, anda com duas agendas debaixo do
braço. Uma já está cheia e a outra quase chegando lá.
Não pode ver um cristão das Letras na rua que ele o
inscreve para ser sócio-correspondente da AAPOL.
Para infelicidade da Academia eu fui
pego por Marcos Pinto e Jotta Paiva e pronto, lá está
meu nome inserido para receber na próxima quarta-feira
o galardão daquela casa, o que muito me honra, apesar
de não esconder a tristeza por não ter do meu lado a
presença de Dodora.
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