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Discussão em torno de pauta salarial da agricultura não progride

 

ASSÚ - Não se observou qualquer avanço nas duas rodadas de negociação até agora registradas em torno da pauta de reivindicações exposta pelos sindicatos de trabalhadores rurais das regiões de Mossoró e Vale do Açu.

A análise foi feita pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Lavoura de Açu, agricultor José Félix da Silva, ‘Zé da Viúva’. Os contatos têm a intermediação da Subdelegacia Regional do Trabalho (Sub-DRT), em Mossoró.

Contrariando sua expectativa de que as conversações pudessem ir a bom termo e tivessem rápida conclusão, o líder sindical disse que a contraproposta exibida pelos empresários do setor agroindustrial foi "decepcionante".

Principal tópico da pauta, a proposta de aumento salarial dos operários rurais mereceu da parte do patronato uma sugestão de que o patamar atual seja elevado em somente R$ 20. "Com uma proposta como esta não dá para negociar", argumentou ‘Zé da Viúva’. A proposta dos sindicatos é de que a remuneração seja aumentada dos atuais R$ 350 para R$ 450.

Para se contrapor à alternativa apresentada pelos patrões, os sindicatos voltarão a debater a questão e trabalhar a apresentação de uma nova proposta remuneratória. Tal discussão acontecerá ainda durante a primeira quinzena de outubro envolvendo os representantes sindicais e a direção da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Norte (Fetarn), em Natal.

Porém, de antemão ele assegura que está fora de cogitação um recuo drástico na reivindicação salarial apresentada originalmente. ‘Zé da Viúva’ informou que tal debate envolve cerca de 18 municípios das duas regiões.

Trabalhadores ameaçam organizar greve caso empresários dificultem negociações

Em meio às dificuldades registradas no encaminhamento da negociação, agricultores começam a avaliar o encaminhamento de alternativas paralelas que acarretem na abertura de uma linha de negociação mais justa.

O líder sindical rural ‘Zé da Viúva’ lamentou a postura dos empresários levantando inclusive a possibilidade de organização de um movimento paredista.

 "O que a gente vê é que lá fora (no exterior) os empresários passam uma imagem de que a produtividade de suas empresas vai muito bem, mas na hora de discutir um salário mais justo para os operários eles alegam que estão mergulhados em dificuldade", sentenciou. ‘Zé da Viúva’ destacou que caso a manutenção da irredutibilidade dos patrões persista, não restará outra alternativa aos trabalhadores senão deflagrar uma greve geral já autorizada pela categoria para o caso das negociações emperrarem.

"Uma coisa é certa, não podemos aceitar um aumento de somente R$ 20 e, além do mais, esse aumento só sairia depois da definição do valor do novo salário mínimo pelo governo federal", ressaltou.

A próxima rodada de diálogo entre as partes, novamente na sede da Sub-DRT, está prevista para o dia 17 de outubro, às 14h.

 

 

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