Editorias

Política
Esporte
Economia

Polícia

   Cadernos

Cotidiano
Regional
Universo
Mais TV

   Colunas

Laíre Rosado

Emery Costa

Cid Augusto
Márcio Costa
Emerson Linhares
Neto Queiroz
Antônio Rosado
Sérgio Oliveira
Sérgio Chaves
Gomes Filho

  Temáticas

Mundo Digital
Economia
Nossa História
Direito em Pauta
Viver Bem
Cinema em Foco

   Cidades

Apodi
Assu
Caraúbas
Macau
Pau dos Ferros
Região Salineira

  Seções

Editorial
Charge
O Jornal
Assinatura
Expediente
Painel do Leitor
Edições Anteriores
 
 
 
 
 
 
 





 

Bartô Galeno: O brega puro

O Mossoroense abre espaço hoje para aquele que é um ídolo em Mossoró. Bartolomeu da Silva, ou simplesmente Bartô Galeno, o paraibano que saiu de Souza para residir na Serra Mossoró e ficou conhecido como a mais bela voz do Rio Grande do Norte tem no seu currículo 16 CDs e mais 500 músicas todas registradas em seu nome e dos respectivos parceiros, sendo interpretadas por medalhões da música brega.

Em um ano só, gravou mais 40 canções com vários artistas. Entre eles, Fernando Lellys (Um par de alianças), Carmem Silva (Amor com Amor se Paga), além de Waldick Soriano, Odair José e outros. Mesmo assim, Bartô disse que o retorno financeiro dessas composição é o mínimo, "compositor é muito roubado no Brasil", lamentou.

Aos 51 anos, Bartô se diz feliz e apaixonado. Pai de quatro filhos, sendo que um deles dá seus primeiros passos na música com o grupo que mistura samba e futebol denominado Daniel Galeno e os Boleiros.

Quando o assunto é Mossoró, Bartô não esconde sua paixão pela cidade que o acolheu quando tinha apenas 10 anos de idade: "É por isso que digo, Mossoró, que eu te amo em todos os momentos... Porque pode ser em num boteco, onde Bartô está, a galera vai atrás", diz entusiasmado. Confira a entrevista concedida com exclusividade nos estúdios da FM Resistência, a 93.7, em visita na semana passada.

Por: LUIS JUETÊ – Foto: Luciano Lellys

O Mossoroense – Você é natural de Mossoró?

Bartô Galeno – Não, eu me formei na música em Mossoró. Eu sou natural da cidade paraibana de Souza. Eu cheguei em Mossoró com 10 anos de idade, em 1960. Eu comecei cantando nos programas da Rádio Rural. Participei do concurso "A Mais Bela Voz", onde tive a felicidade de ser o vencedor, e saí de Mossoró para Recife, de Recife para São Paulo, de São Paulo para o Rio de Janeiro, e por aí segue.

OM – Você disse que a sua formação musical foi em Mossoró. Como foi que se desenvolveu esse aprendizado?

BG – Eu cheguei em Mossoró com 10 anos, exatamente, na época da Jovem Guarda. Comecei cantando na Rádio Rural. Fui calouro do Seu Manoel Alves, o famoso "Seu Mane". Eu sempre tive a felicidade de toda vez que participava, ganhar o primeiro lugar. Até que, na final, fui considerado a mais bela voz do Rio Grande do Norte, e o padre Américo Simonneti me deu uma passagem até Recife. De lá, eu fui para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro, onde conheci Abdias, Elias Julião, que é de Natal. Aí depois eu conheci o Roberto Carlos, Jerry Adriani, Zé Roberto. Como eu comecei como compositor, foi mais fácil chegar até aqui onde estou, graças a Deus.

OM – Qual foi o seu primeiro disco lançado?

BG – Como cantor, foi o vinil Só Lembranças. Esse disco está em catálogo até hoje.

OM – Só Lembranças foi datado de que ano?

BG – Ele foi lançado em 1975.

OM – Como foi o esquema de lançamento desse seu primeiro trabalho? Foi por uma gravadora independente?

BG – Na época era uma gravadora que estava estreando, mas que depois passou a ser grande, era a Tape K.

OM – E como foi que se deu o contrato com a gravadora?

BG – Como compositor, eu tive o privilégio de conhecer o nosso mossoroense Oséas Lopes, que é o Carlos André, e ele praticamente me descobriu como compositor e viu que eu também cantava. Aí resolveu me lançar, intermediando o contato com a gravadora para lançar esse primeiro disco de vinil intitulado Só Lembranças.

OM – Fale sobre o Bartô Galeno compositor.

BG – Bem.... eu comecei compondo. E quando a gente começa compondo, parece uma fonte que Deus dá que não se esgota nunca.

OM – E como compositor, você recebe o devido retorno financeiro?

BG – Olha, para te ser sincero, o compositor é muito roubado no Brasil

OM – Por quê?

BG – Por que o Ecad arrecada e não retribui para o compositor. Nós somos muito roubados, eu já falei muito isso por todo lugar que eu passo. Mas não adianta porque ninguém faz nada. Mas, graças a Deus, eu sou muito cotado para shows, eu faço show no Brasil todo, e... a gente vai se defendendo. Eu tenho quase 500 músicas como compositor.

OM – Todas registradas?

BG – Todas registradas no meu nome, e dos meus parceiros. Se o Ecad não paga o que a gente tem direito como compositor, a gente vai se defendendo como cantor, fazendo shows. Tem que dar graças a Deus, porque se eu fosse só compositor, como diz o mossoroense, eu tava reado (risos).

OM – Você nunca procurou os meios legais para receber os seus direitos como compositor?

BG – Zezé Di Camargo e Luciano são roubados, Roberto Carlos é roubado e eles não dão jeito. Eu, que sou apenas um brega, eles não vão dar jeito.

OM – Você tem quantos CDs gravados?

BG – Ao todo, são 16 CDs gravados.

OM – E qual a média de vendagem desses trabalhos?

BG – De 100 mil cópias acima. Para você ter uma idéia, "No toca-fita do meu carro" foi gravado em 77 e vende até hoje. Ainda bem é Som Livre, do sistema Globo. A Som Livre paga! As multinacionais têm essa vantagem, elas pagam.

OM – Você já tocou praticamente nos quatro cantos do País, qual o lugar mais barra pesada que você teve que se apresentar?
BG
– Foi nos garimpos de Serra Pelada. Quando cheguei lá, realmente deu vontade de voltar. Os garimpeiros dando tiro para tudo quanto é canto. Cada música que eu tocava era bala comendo.

OM – Quando foi isso?

BG – Isso foi em 1978. O pessoal pedia uma música, eu tocava, e eles metiam bala. Aí o dono da casa de show dizia: "Barto, não tenha medo, não, porque eles fazem isso quando tão gostando.

OM – Qual foi o maior público que você já se apresentou?

BG – Eu tive o privilégio de me apresentar para 30 mil pessoas no Patativa, que é um dos maiores clubes do País, em São Paulo.

OM – Na sua opinião, qual a música que mais marcou a sua carreira?

BG – Eu acho que "No toca-fita do meu carro". Sem dúvida, é o meu carro-chefe, meu carro pedestal, e conta a história de um carro que eu comprei a Gonzaga Veículos, fiado. E eu falo isso por onde eu passo, São Paulo, Brasília, porque foi verdade. Ele confiou em mim, eu estava começando. Um cara vindo lá da Serra Mossoró comprar um carro fiado e o cara ter coragem de vender, só pode ter muita coragem.

OM – Como cantor, como você está enfrentando a pirataria de CDs?

BG – Olha, pirataria é igual ao Ecad, ninguém dá jeito. Eu nem esquento a cabeça, eu quero mais é que eles sejam felizes. Eles não atrapalham a minha carreira, pelo contrário. Poderia ser melhor, claro, mas o povão precisa sobreviver também.

OM – Deixe sua mensagem final aos seus fãs de Mossoró.

BG – Meus agradecimentos à imprensa, ao jornal O Mossoroense. E deixo um beijo carinhoso para minhas fã e deixo um abraço bem forte para os meus amigos.