Alvará de concessão desagrada mototaxistas

Mototaxistas reclamam da competitividade com os clandestinos muitas vezes no próprio pontoOs mais de mil e duzentos mototaxistas cadastrados na Secretaria Municipal de Tributação para a obtenção do Alvará de Concessão Tráfego anual para quem atua em Mossoró está tendo de entender um aumento nos valores do imposto em relação à cobrança do documento no ano passado.

O alvará de 2003 que está sendo entregue na Secretaria cobra cinco taxas. A primeira é a de inscrição e que se refere ao alvará propriamente dito, no valor de R$ 31,97. A segunda é identificada apenas por TLF, de R$ 18,00, a taxa de horário especial - cobrada para todos, mas que se refere ao horário de trabalho pela noite - de R$ 30,83 e mais uma taxa de “Serviços Diversos” de R$ 1,03. No total o Alvará 2003 está custando ao mototaxista R$ 82,66. Ano passado o valor cobrado foi de R$ 78,00.

O aumento que é de 4,81% e vem gerando um descontentamento dos mototaxistas. A insatisfação, de acordo com os motoqueiros, está justamente na contrapartida que a prefeitura deveria dar, quanto a atuação dos profissionais ‘clandestinos’ que se isentam da obrigação do imposto anual, mas que continuam trafegando e atendendo à população da cidade.

“Não está adiantando pagarmos essa quantia, que é difícil de nós conseguirmos diante da atuação dos clandestinos sem que nenhuma fiscalização seja feita. Os guardas de trânsito vêem que os clandestinos tomam os clientes na frente dos nossos pontos e não fazem nada”, explica o mototaxista Francisco Canindé Bezerra, que atua desde 98 como mototaxista.

Para outro mototaxista, Francisco de Assis Amaro, 29, o alvará só vem sendo cobrado aos mototaxistas nos postos. “Enquanto a fiscalização deveria estar retirando motoqueiros clandestinos, está nos postos, onde está a maioria do pessoal regularizado e quando há algum deslize prendem as motos que são  identificadas conforme exige a lei, mas não prendem aquela moto sem identificação nas ruas”, reforça o mototaxista.

Sindicato ainda está desacreditado

Nos postos, onde a maioria dos mototaxistas cadastrados atuam, a pouca credibilidade de que algo possa ser feito para coibir a fiscalização é evidente. Poucos sequer se interessam numa organização, mas aprovariam uma atuação representativa que pudesse fazer algo nesse sentido.

Os  atuais presidente e vice do sindicato são os mototaxistas Rivaldo Bezerra e Antônio Clenildo, respectivamente. Eles explicam que estão tentando a unificação da categoria, algo difícil justamente diante da pouca credibilidade da categoria face as mesmas atuações dos clandestinos em Mossoró.

Segundo Rivaldo Bezerra, a retirada dos clandestinos das ruas não só se deve a um fato financeiro, já que estes não pagam qualquer imposto à prefeitura, mas principalmente de segurança e imagem.

Se antes, no começo da liberação das atividades para os mototaxistas em 1998, eram os profissionais que sofriam com os constantes roubos de motos com passageiros suspeitos, hoje é a população que se recusa, em muitos casos, a pegar um mototaxista temendo ser prejudicada.  

O atual presidente do sindicato lembra que os assaltos com motos que relacionam-se com mototaxistas, na verdade, não dizem respeito aos profissionais que atuam na legalidade e sim, aos que atuam como clandestinos.

“A população teme até andar conosco. Nós que atuamos na legalidade sofremos com a discriminação provocada pelos maus profissionais, pelos motoqueiros clandestinos. Queremos que haja uma maior fiscalização por questões de segurança também”, explica o presidente sindical ressaltando que pretende promover novas reuniões junto ao Ministério Público para exigir a contra-partida da prefeitura e Pelotão de Trânsito neste sentido.      

A representação no momento conta com apenas 60 mototaxistas sindicalizados, de um um universo que ultrapassa os mil e duzentos profissionais cadastrados na cidade. Ainda na visão da entidade, mais de mil motoqueiros estão rodando clandestinamente em Mossoró.


 

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Mossoró-RN, sábado, 25 de janeiro de 2003