Indústria de pesca dribla crise e se mantém em franca expansão

 LUCIANO OLIVEIRA
Editoria do Regional
regional@omossoroense.com.br

Salinas Indústria de Pesca emprega hoje mais de 70 pessoas, a maioria mulheres  AREIA BRANCA – Município cuja economia tem como base de sustentação os produtos de origem marinha, há algum tempo Areia Branca vem sofrendo os impactos causados pela devastação de espécies como a lagosta, que já foi o objeto do desejo de empresários do setor e alavanca para a geração de emprego e renda.

Mas a pesca predatória de lagosta continua e leva à pior crise do setor pesqueiro, desde que a captura da espécie começou em 1955. Diante dessa realidade, os que lidam com o setor estão a cada dia buscando alternativas para driblar a crise e se manterem no negócio. Os de visão mais ampla conseguem superar os obstáculos, que surgem principalmente durante os quatro meses de paralisação da pesca e comercialização da lagosta. É o chamado período do defeso, quando a pesca é proibida para que a espécie reproduza.

Há mais de três décadas atuando no setor, o empresário Jorge José Bastos Filho é um exemplo do investidor que não fica de braços cruzados, esperando o período do defeso passar para voltar a operar na compra e venda da lagosta. Apesar de administrar uma empresa, a Salinas Indústria de Pesca Ltda., a princípio voltada exclusivamente para a compra, beneficiamento e exportação do produto para os EUA, ele resolveu incorporar a comercialização do camarão, conquistando uma fatia considerável do mercado europeu.

As boas perspectivas que rondam a carcinicultura, decorrente da produção do camarão em cativeiro, a “febre” do momento na região, motivaram o empresário Jorge Bastos a investir na ampliação da estrutura da Salinas. “Nosso objetivo é atingir a produção entre 12 e 15 mil quilos de camarão por dia”, adianta.

PESSOAL - Para alcançar esses resultados satisfatórios, Jorge Bastos prima pela mão-de-obra utilizada na sua empresa, ou seja, ele também investe na qualificação dos funcionários. Atualmente, mesmo durante o período do defeso (iniciado em 31 de dezembro do ano passado e término em 30 de abril vindouro), a Salinas mantém um quadro de 70 pessoas, desde a administração até o setor de produção, a maioria mulheres.

As maiores dificuldades enfrentadas pela empresa, conta o empresário, é justamente no tocante a mão-de-obra, pois a grande maioria dos que procuram por emprego na Salinas não possui nenhuma qualificação. Para formar o quadro funcional que a empresa comporta na atualidade, Jorge Bastos absorveu pessoas treinadas e capacidades através de cursos desenvolvidos pela prefeitura de Areia Branca. “O funcionário é fundamental, é a mola de uma empresa. Mas ele tem que se capacitar, se preparar profissionalmente para desenvolver bem a sua função”, afirma.

Desde que a Salinas ampliou suas atividades no município, Jorge Bastos tem desenvolvido uma política de valorização da mão-de-obra local. Para incentivar o funcionário a novas conquistas, o empresário pretende criar benefícios que contemplarão justamente aqueles que mostrarem serviço. “Para o funcionário fazer jus aos benefícios que pretendemos oferecer, ele terá que fazer por merecer”, lembra.

Peixe de pequena espécie agora é exportado para o mercado americano    

A lagosta e o camarão já provaram que são a mola que impulsiona o setor pesqueiro em nível local e na região. Mas o mar oferece outras alternativas rentáveis. Com base nesse raciocínio, o empresário Jorge Bastos Filho, da Salinas Indústria de Pesca Ltda., descobriu um novo segmento comercial, sem no entanto se desviar das características da empresa que dirige em Areia Branca.

O empresário enveredou por um caminho antes ignorado pelos que lidam com o setor. Passou a comercializar também o chamado peixe de pequena espécie, aquele sem classificação e que nunca teve mercado para ele. Hoje, Jorge Bastos recebe o produto diretamente do pescador, classifica e exporta para o mercado americano.

Uma novidade é que o peixe é exportado fresco, como forma de primar pela qualidade e atender as exigências de um mercado em crescimento. A espécie é variada, desde os poucos consumidos no mercado interno como budião, saramunete a ariacó.

Segundo Jorge Bastos, esse segmento veio para compensar as perdas contabilizadas pelo pescador durante a paralisação da pesca da lagosta. “Apesar do preço desse tipo de pescado ser bem diferente do praticado em relação à lagosta e o camarão, o produto proporciona um retorno que mantém o setor em atividade”, reforça o empresário.

UNIDADE – Para diversificar ainda mais as atividades da empresa, Jorge Bastos está trabalhando na instalação de uma unidade de produção de gelo, distribuição de óleo diesel e isca, produtos que a Salinas fornece aos pescadores.

A unidade produtora funcionará num prédio próximo ao atual complexo industrial. Ali serão instaladas três fábricas de gelo com capacidade para produzir quantidade suficiente para suprir os mercados interno e externo.

Para o empresário, essa estrutura trará incentivos à pesca, através da venda do produto (o gelo, no caso) mais barato, facilitando a vida do pescador.  

 

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Mossoró-RN, sábado, 25 de janeiro de 2003