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Tribalismo
político
Não sou
de ninguém, eu sou de todo o mundo e todo
mundo me quer bem. Esse é o início da música
mais tocada nas paradas do sucesso, composta
por Carlinhos Brown, Marisa Monte e Arnaldo
Antunes. E pode ser adotada pelos políticos
que estão permanentemente em processo de
transfiguração, não assumindo compromisso
com quem quer que seja, a não ser com o
próprio poder. E os que estão no comando
parecem ficar deliciados com essa cooptação,
mesmo sabendo não ser permanente.
Eu sou
de todo o mundo, esse é o lema dos tribalistas,
grupo de jovens, meninos e meninas que apostam
quem beija o maior número de parceiros.
Eles deixam o companheiro(a) que estão acompanhados
e mudam sem a menor cerimônia. Deixam no
meio da festa e procuram ficar com outros
que julgam mais interessantes. Embora esse
movimento seja característico dos que estão
entre os 16 a 25 anos, pode também ser assumido
pela classe política, pelos que estão sempre
procurando as luzes do poder.
O tribalismo
será um movimento passageiro, transitório.
A mudança de partido, nem tanto. Enquanto
não acontecer a Reforma Política, essa migração
que existe desde os primórdios da humanidade
continuará a acontecer. Será necessário
aproveitar o clima de mudanças que acompanha
o governo Lula da Silva e tentar votar essa
reforma, ao lado de outras importantes para
que o Brasil saia da estagnação econômica
em que se encontra.
Em suas
reminiscências, o Visconde de Taunay conta
que, certo dia Deodoro da Fonseca, que jamais
contestou que até as vésperas de 15 de novembro
tivesse servido devotadamente ao Imperador,
recebeu um colega que alegava ser republicano
de longa data, batendo-se pela República
desde 1875. O presidente lhe respondeu,
pois eu, meu caro senhor, não dato de tão
longe. Sou republicano de 15 de novembro,
e o meu irmão Hermes de 17. Pelo visto,
os tribalistas já existiam na Primeira República.
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