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Também
já amei uma Olivetty
Em entrevista
a Gerson de Castro, na TV Câmara, da Câmara
de Vereadores de Natal, o jornalista e escritor
João Batista Machado disse que, apesar de
possuir dois computadores de ponta, sendo
um convencional e um portátil, não abre
mão de escrever os livros dele na velha
Olivetty que o acompanha desde a primeira
obra.
Essa declaração
de amor e fidelidade bateu-me forte na consciência.
Também já amei uma Olivetty, mas, ao contrário
de Machadinho, eu a troquei por um computador
que, aliás, acabou trocado por outro, outro
e mais outro, até chegar a este confortável
modelo que dentro de alguns meses terá o
mesmo fim dos anteriores.
Apesar
de haver nascido às vésperas do jornalismo
virtual, tive o privilégio de manejar linotipo,
de mexer com tipos móveis e de imprimir
textos numa Marinoni, coisas que a maioria
dos jornalistas de minha geração conheceu
apenas de nome, sem ter o gosto de experimentar,
de participar dessas transformações.
Quando
decidi escrever para O Mossoroense,
puseram-me diante de uma Olivetty tão velha
que a turma dizia ser herança de Jeremias
da Rocha, fundador do jornal. Apaixonei-me
por ela e tinha ciúme a ponto de trancá-la
com um cadeado, como se fosse um cinto de
castidade para que ninguém tocasse suas
partes íntimas.
Fomos muito
felizes até que um dia doutor Laíre Rosado,
meu pai e chefe, mandou instalar um microcomputador
XT não sei lá das quantas na redação. Creio
que tenha sido este o primeiro, depois dos
terminais Forma Composer utilizados pelos
digitadores, a fazer parte da rotina dos
jornais norte-rio-grandenses.
A reação
inicial foi de repulsa ao bicho de monitor
esverdeado. “Jamais deixaria minha velha
Olivetty por esse trambelho eletrônico,
apesar de seus olhos verdes”, dizia eu nas
primeiras semanas até que um dia, com a
desculpa de contribuir com a turma da digitação,
comecei a digitar no XT as matérias produzidas
à máquina.
Não demorou
muito até eu me tornar escravo da informática
e a não me incomodar mais se alguém metia
as mãos cheias de dedos no corpo da ex-companheira.
Isso mesmo, ex-companheira, pois alguns
meses depois, desliguei-me completamente
dela, lançando-me sem pudores aos braços
da tecnologia.
Envergonhado,
confesso nem ao menos saber o paradeiro
da Olivetty. Prometo, no entanto, que vou
procurá-la no depósito do jornal e, caso
a encontre, colocá-la-ei em lugar de destaque
na pequena biblioteca, bem perto de onde
escrevo, para que sejamos bons amigos, já
que o progresso nos impede de sermos novamente
amantes.
REFORMA
De acordo
com a Agência Nordeste de Notícias, o presidente
do IPE, jurista Paulo Linhares, propõe o
aumento de 8% para 11% do desconto no salário
dos servidores públicos estaduais, como
uma das medidas para sanar as contas previdenciárias
do Rio Grande do Norte.
BÍBLIA
Com o projeto
de lei que apresentou há poucos dias, o
deputado federal Maurício Rabelo (PL-TO)
quer tornar a leitura da Bíblia disciplina
obrigatória nas instituições de Ensino Fundamental.
Vale salientar que o Brasil não tem religião
oficial.
HUMILHAÇÃO
Os EUA
humilham os soldados iraquianos, mas
não gostam de ver suas tropas na mesma situação.
ENDOSSO
Betinho
Rosado endossou a entrevista em que o vice-prefeito
de Mossoró, Antônio Capistrano, classificou
a governadora Wilma de Faria como centralizadora,
vaidosa e traiçoeira.
FAVOR
De acordo
com Betinho, Capistrano é um homem correto,
sensato, e as críticas dele têm única e
exclusivamente o objetivo de ajudar a governadora.
RECADO
Ficou patente,
depois da entrevista de Betinho, que as
idéias de Capistrano estão em sintonia com
o rosalbismo, que tenta se recompor depois
das últimas brigas internas.
LACERDA
Recebi
ontem, de passagem pela biblioteca da UFRN,
a notícia de que o professor José Lacerda
Alves Felipe, mossoroense da gema, foi nomeado
diretor da Editora Universitária. Competente
e respeitado, Lacerda fará uma grande administração
e poderá, inclusive, ajudar a Mossoró.
CAMPANHA
O Centro
de Direitos Humanos e Memória Popular pretende
reforçar a campanha contra o crime-organizado
no Rio Grande do Norte. Taí a resposta a
quem afirma que o centro só defende o bandido.
GOSTAR
“E gostar
dos outros é isso mesmo. Sentir carinho
por todos os erros, fraquezas e aleijões
do seu próximo.” (Antônio Maria)
ERRO
- O secretário da Agricultura, Iberê Ferreira,
cometeu grave erro político ao não se oferecer
para ajudar aos fruticultores do Baixo-Açu
na recuperação das plantações arrasadas
por um vendaval ocorrido na semana retrasada.
CONFUSÃO
Os professores
da rede estadual de ensino colocados à disposição
de outros órgãos, inclusive de gabinetes
de parlamentares ligados a Wilma de Faria,
estão sendo convocados para voltar à sala
de aula. Imaginem o tamanho da confusão.
GRANDE
O presidente
Lula negou o pedido feito pelo governo dos
EUA no sentido de que diplomatas iraquianos
fossem expulsos do Brasil. O encarregado
de negócios Jarallah Alobaidy, e os 20 funcionários
da embaixada do Iraque não serão molestados.
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