Saúde

Hérnia pode ter sintomas semelhantes ao
de problemas no coração

Muitos pacientes que sentem dor no peito seguido de falta de ar, ao recorrerem aos exames cardiológicos se surpreendem se nada mais sério é apresentado no exame. Talvez porque muitos não saibam que apesar dos sintomas serem semelhantes a problemas de coração, estas dores, a falta de ar e o entalo na garganta ou engasgo podem seguramente indicar outros tipos de doenças aliadas ao estômago.

As denominadas doenças do Refluxo Gastro-Esofágico (DRGE) vêm surpreendendo muita gente que acreditava ter problema de coração. As DRGEs são constituídas por doenças como a Hérnia Hieatal, Refluxo Gastro-Esofágico e a Esofagite de Refluxo.

Segundo o médico gastroenterologista William Rebouças, em seu Centro de Endoscopia, um dos mais conhecidos em Mossoró, a procura de pessoas apresentando algum tipo de DRGE tem crescido de forma significativa.

“É o que mais tem nos aparecido no nosso centro, são pessoas que sentem dores no peito, já fizeram exames de coração nada deu e foram orientadas a nos procurar. Geralmente, as DRGEs confundem o paciente, pois apresentam sintomas muito parecidos com problemas pulmonares ou cardíacos como a falta de ar, dor torácica, entalo na garganta, tosse seca, rouquidão e queimação (azia)”, explica o médico.

O especialista coloca ainda que, para comprovar o que afirma, todos os anos faz o levantamento dos tipos de doenças mais comuns e o número de pacientes que procuram a clínica desde o ano 2000, já tendo concluído os números referentes a 2002.

Conforme os dados estatísticos elaborados por William Rebouças ao longo de 2002, ‘o trio’ que completa as DRGEs mais comuns nos consultórios, somadas, representam 35,85% dos casos, sendo que o maior percentual está no número de casos de Hérnia Hieatal (14,82%) dos casos.

Em 2002, 197 pessoas apresentaram Hérnia Hieatal nos exames realizados; 138 apresentaram Refluxo Gastro-Esofágico e 155 Esofagite de Refluxo.

“Aparentemente, diante da grande quantidade de pessoas que atendemos, o percentual parece pequeno, mas este vem crescendo se comparado aos anos anteriores. A incidência de DRGE é altíssima, sim”, reforça o médico.

DISCUSSÃO - A preocupação do especialista diante das DRGEs, segundo ele, é também uma preocupação dois médicos da área. Tanto que no próximo sábado, ele deverá estar participando com outros colegas sobre estas e outras doenças mais comuns, na costa do Sauípe - BA, do congresso que tem como tema Síndrome do Intestito Irritável.

Gastrite afeta em mais de 70% dos atendimentos

Um dos dados mais interessantes que podem ser extraídos do levantamento feito pelo médico, durante o ano de 2002, é o elevado número de casos de gastrite.

Conforme o médico, mais de mil casos foram registrados em pacientes de Mossoró e cidades próximas ao longo do ano passado e representam, dos atendimentos realizados no centro, 75,54% (gastrites leves, moderadas ou erosivas).

Todos estes casos foram registrados apenas no consultório do especialista, o que também faz com que se veja a necessidade de esclarecer a população sobre hábitos alimentares saudáveis, vícios e uma série de procedimentos que podem evitar ou amenizar os casos de pessoas acometidas com a doença.

“É preciso que a população saiba que evitar vícios como o álcool, alimentação inapropriada ou forte, ela poderá ser acometida com a gastrite. A gastrite que não é cuidada, tratada, pode vir a se transformar numa úlcera e se as paredes do estômago continuarem sendo muito agredidas, o paciente pode até vir a ter uma gastrite hemorrágica que leva à morte se estiver em elevado grau”, explica o médico.

Mulheres têm mais problemas de
constipação intestinal

Uma das doenças que tem caráter benigno - ou seja não compromete a vida do paciente - mas afeta muito a sua qualidade - é a Constipação Intestinal.

Um indivúduo tem Constipação Intestinal quando as contrações ou ritmo natural do intestino (em especial o cólon) estão alterados e o material residual (fezes) move-se de maneira muito lenta, ficando seco, passando a apresentar evacuações pouco freqüentes.

Segundo o gastroenterologista William Rebouças, as mulheres é que representam o maior número de casos de constipação intestinal.

“Isto porque a mulher é mais tímida que o homem, e não costuma defecar em determinados locais por constrangimento. Por prender muito é que o problema acaba se tornando uma doença que precisa de tratamento, à base de medicamentos”, explica ele.

O médico ressalta que uma forma de prevenir ou regularizar as funções intestinais, parte principalmente da alimentação.

Para isso, é preciso se beber líquido em abundância, uma quantidade mínima de 2 litros diários de água, acrescentar fibras na alimentação com frutas e cereais (de 20 a 25 gramas de fibras diárias).

As fibras necessárias estão contidas em frutas como abacaxi, pêra, coco, morango, pêssego, cereja, melancia, em verduras como cenoura, cebola, pepino, repolho, berinjela, couve-flor, entre outros.   

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Mossoró-RN, terça-feira, 25 de março de 2003