Estudantes protestam na Câmara Municipal 

 

 

 

 

 

 



 

Audiência expõe cenário caótico da segurança pública na região 

O plenário da Câmara Municipal ontem foi palco de amplo debate sobre segurança públicaCom a presença de diversas autoridades, a Câmara Municipal de Mossoró promoveu ontem uma audiência pública especial, presidida pelo vereador Vicente Rêgo (PFL), com o objetivo de discutir a questão da segurança pública em Mossoró. Além dos vereadores que integram o Legislativo mossoroense, estiveram presentes ao debate o prefeito em exercício de Mossoró – Antônio de Farias Capistrano, a diretora de planejamento da Secretaria Estadual de Defesa Social – Kaline Leite Gonçalves, que veio representando o titular da pasta – Cláudio Santos, o presidente da Subseccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio Grande do Norte – Valério Marinho, além de autoridades ligadas à área da segurança pública.

O vereador Júlio César Fernandes (sem partido) abriu o debate fazendo duras críticas ao sistema de segurança pública no Rio Grande do Norte. Ele lembrou que a frota de veículos da polícia em Mossoró encontra-se sucateada e sem combustível para que a corporação possa fazer diligências pelos bairros periféricos de Mossoró, local que, segundo ele, a violência tem campeado. Júlio frisou também as dificuldades em relação ao bloqueio dos telefones das delegacias no município, além do quadro deprimente da Penitenciária Agrícola Mário Negócio (PAMN). Para ele, uma parceria efetiva entre o governo do Estado e a prefeitura de Mossoró poderia conter o avanço da violência na cidade.

Para o advogado Valério Marinho, a violência no país encontra-se institucionalizada. Segundo ele, a baixa remuneração dos policiais faz com que eles busquem outras alternativas de renda, inclusive ficando vulnerável ao envolvimento com os bandidos. Valério, falando em nome da OAB do Rio Grande do Norte, defendeu a implantação de políticas salariais dignas para os policiais, além de um amplo plano de valorização da profissão. Ele sugeriu ao presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Vicente Rêgo (PFL), uma parceria com a Câmara dos Vereadores de Natal, no sentido de se traçar um plano comum de combate à violência.

Em um dos pronunciamentos mais elogiados, o advogado Evânio Araújo – representando a OAB de Mossoró, fez um verdadeiro diagnóstico sombrio do caos em que se encontram não só as delegacias de Mossoró, mas também o Segundo Batalhão de Polícia Militar (II BPM), bem como a Penitenciária Agrícola Mário Negócio e a Cadeia Pública Manoel Onofre.

A representante da Secretaria de Defesa Social, Kaline Gonçalves, admitiu as dificuldades que estão sendo enfrentadas pela pasta. Segundo ela, a Secretaria de Defesa Social é a que mais apresenta problemas dentro da administração estadual. Ela conclamou uma parceria da sociedade civil organizada, porque no seu entendimento, não há condições para que o governo do Estado faça o trabalho de bloqueio da violência de forma isolada.

CRÍTICAS – A presença da representante da Secretaria Estadual de Defesa Social foi bastante criticada por alguns vereadores. O edil Francisco Dantas da Rocha (PFL) foi um dos que não se mostraram satisfeitos com a audiência que, segundo ele, foi marcada por muita formalidade. “O debate acabou fugindo do seu propósito”, avaliou Francisco Dantas acrescentando que o debate deveria ter sido mais aberto para a apresentação de soluções e não apenas mostrar o que é de conhecimento público, que é o caos na segurança pública. Outro aspecto negativo para ele foi o fato da audiência centrar as discussões em torno da insegurança em bairros residenciais, deixando de lado a zona periférica que é a mais atingida pela falta de segurança em Mossoró.

Para o vereador Jório Nogueira (sem partido), foi uma falta de respeito o governo do Estado enviar para o debate um representante que não tem nenhuma autonomia para firmar compromissos com a população de Mossoró. “Nós queremos saber o que está sendo feito de concreto e queremos respostas imediatas, já que a insegurança está se tornando cada vez maior”, detonou Nogueira, argumentando que o governo do Estado necessita em caráter de urgência, investir na segurança pública antes que seja tarde.

 

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Mossoró-RN, sexta-feira, 25 de abril de 2003